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sexta-feira, 10 de junho de 2016
Mote para Crônica
Saímos da aula com o dever de anotar, até o fim do dia, flashes motivadores para uma crônica.
Na porta do prédio encontramos com um senhor de uns 70 anos vestido com roupa domingueira. Pediu-nos dinheiro para voltar a Pirapora. Contou-nos, em lágrimas choradas de dor que fora assaltado na Rodoviária. Era preciso alguma coisa mais impactante para servir de mote. E seguimos caminho até um shopping. Compramos o que deveria ser comprado e retornamos ao estacionamento. Uma camionete estacionara em fila dupla fechando o nosso carro. Solicitamos a um guarda que nos ajudasse a empurrar o veículo obstruidor ou que o multasse. O guarda deu de ombros e disse que era tarefa do lavador de carros e virou-nos as costas. Também não era assunto merecedor de uma crônica opinativa. Muito engraçada foi a cena que vimos logo depois: a mocinha escancarou a porta do seu automóvel e em seguida abriu um guarda-chuva. Medrosamente esgueirou-se e colou a cabeça no guarda-chuva. Não queria se molhar em hipótese alguma. A vaidosa moça certamente passara o dia no cabeleireiro. Foi engraçado porque não estava nem chuviscando. Era um episódio muito ridículo para ser anotado. Chegando em casa vi imagens de um pavoroso incêndio na indústria química instalada entre residências. Considerei o tema óbvio demais para ser registrado.
À noite fomos ao aniversário e posse de um amigo na Academia de Letras de Brasília.
Comentamos que aquele era o desejo de todo homem, ter saúde, inteligência e naquele momento ser tornado imortal. Também não anotamos o que ponderei ser obviedade.
Já em casa fiquei feliz. Ele deitou-se na cama enquanto e eu deitei-me no criado mudo. Por preguiça de gastar a minha tinta, convenci-o de que nada valia a pena ser escrito.
Roberto Klotz
terça-feira, 21 de junho de 2011
A noiva degustou o doce
Culinária
A cada ano aumenta o número de casais que sobem ao altar no Distrito Federal. Mesmo em tempos de independência financeira e de uniões não oficiais, cresce o volume de noivos que fazem questão de oficializar o casório na igreja ou com grande festa. Em 2009, o Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) registrou 16.312 novos casamentos celebrados na capital federal – uma média de 44 por dia. CB – Comportamento, 13/03/2011
Uma descarga de energia elétrica percorreu-lhe o corpo. Os cabelos da nuca se arrepiaram.
Jantar à meia luz sempre foi muito prazeroso para ela, mas ouvir Moonlight serenade nas cordas de um violino era o orgasmo.
Foi nesse clima que ele tirou uma caixinha do bolso, abriu e ofereceu uma aliança.
– Quer casar comigo?
O brilho dos olhos respondeu por ela.
– Faremos uma equipe invencível. Somaremos forças. Seremos imbatíveis. Juntos conquistaremos o mundo. Ultrapassaremos todos os obstáculos da vida. Eu te amo, te adoro, te venero. Você é tudo para mim.
– Meu amor, que lindo. Estou tão feliz. Você pensou em alguma data?
– A partir de agora, todo dia pode ser o dia.
– É por isso que eu te amo! Você é firme. Vamos fazer uma grande festa para todos nossos amigos, num lugar bem bonito. Vamos procurar uma igreja amanhã?
– Amanhã é a semifinal! Tenho chances de ser o artilheiro do campeonato.
No dia seguinte Henrique marcou cinco gols e Vanessa ao conversar com cinco padres descobriu uma janela na agenda de um dos párocos. Conseguiu marcar o casamento a 13 meses, num sábado, numa igreja aconchegante de tamanho médio. Tempo o suficiente para todos os preparativos. À noite falaram de realizações e se amaram vitoriosos.
Acordaram tarde no domingo. Almoçaram filé à parmegiana acompanhado de projetos para a festa. Caminharam até a casa de Henrique. A cerveja embriagou o ronco dele enquanto embalou os sonhos dela. Mentalmente estendeu um tapete vermelho, decorou a igreja com velas e lírios brancos. Viu-se num vestido decotado sem alças com cintura apertada arredondando desejos, véu de três metros, grinalda de pedrinhas brilhantes e, em vez de buquê, uma rosa vermelha.
Ele trocou a cama pelo sofá na frente tevê. Ela foi para o micro digitar planejamento.
Escolher sapato. Comprar ou alugar vestido? Agendar maquiador. Definir local para recepção. Cardápio para o jantar? Quem será o DJ? Convites brancos ou creme?
– Bem? Me ajuda a fazer a lista dos convidados?
– Agora?
Ela era insegura. Precisava de alguém do seu lado para segurar a mão.
Mesmo assim escolheu as músicas para a igreja. Confirmou velas e lírios brancos. Decidiu um fraque para o noivo. Alugou um carro preto.
Conforme a data ia chegando, Vanessa ficava mais bonita e autoconfiante.
Discutiu o contrato do fotógrafo. Definiu a praia para a lua de mel, degustou e aprovou doces e salgados. Mandou Henrique providenciar vinhos e uísque.
Juntos fizeram o curso de noivos. Vanessa estava feliz. Crescera como mulher. Aprendera a decidir. Chegara o grande momento de dizer não para Henrique.
Com tamanho fixo como se fosse uma coluna de jornal, escrevi outro conto baseado em matéria publicada no Correio Braziliense. Publico no blog sempre às quartas-feiras antes das 18h. Com tamanho fixo como se fosse uma coluna de jornal. Qualquer hora dessas um grande jornal oferecerá um espaço, tenho certeza.
Roberto Klotz
http://www.robertoklotz.blogspot.com/
A cada ano aumenta o número de casais que sobem ao altar no Distrito Federal. Mesmo em tempos de independência financeira e de uniões não oficiais, cresce o volume de noivos que fazem questão de oficializar o casório na igreja ou com grande festa. Em 2009, o Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) registrou 16.312 novos casamentos celebrados na capital federal – uma média de 44 por dia. CB – Comportamento, 13/03/2011
Uma descarga de energia elétrica percorreu-lhe o corpo. Os cabelos da nuca se arrepiaram.
Jantar à meia luz sempre foi muito prazeroso para ela, mas ouvir Moonlight serenade nas cordas de um violino era o orgasmo.
Foi nesse clima que ele tirou uma caixinha do bolso, abriu e ofereceu uma aliança.
– Quer casar comigo?
O brilho dos olhos respondeu por ela.
– Faremos uma equipe invencível. Somaremos forças. Seremos imbatíveis. Juntos conquistaremos o mundo. Ultrapassaremos todos os obstáculos da vida. Eu te amo, te adoro, te venero. Você é tudo para mim.
– Meu amor, que lindo. Estou tão feliz. Você pensou em alguma data?
– A partir de agora, todo dia pode ser o dia.
– É por isso que eu te amo! Você é firme. Vamos fazer uma grande festa para todos nossos amigos, num lugar bem bonito. Vamos procurar uma igreja amanhã?
– Amanhã é a semifinal! Tenho chances de ser o artilheiro do campeonato.
No dia seguinte Henrique marcou cinco gols e Vanessa ao conversar com cinco padres descobriu uma janela na agenda de um dos párocos. Conseguiu marcar o casamento a 13 meses, num sábado, numa igreja aconchegante de tamanho médio. Tempo o suficiente para todos os preparativos. À noite falaram de realizações e se amaram vitoriosos.
Acordaram tarde no domingo. Almoçaram filé à parmegiana acompanhado de projetos para a festa. Caminharam até a casa de Henrique. A cerveja embriagou o ronco dele enquanto embalou os sonhos dela. Mentalmente estendeu um tapete vermelho, decorou a igreja com velas e lírios brancos. Viu-se num vestido decotado sem alças com cintura apertada arredondando desejos, véu de três metros, grinalda de pedrinhas brilhantes e, em vez de buquê, uma rosa vermelha.
Ele trocou a cama pelo sofá na frente tevê. Ela foi para o micro digitar planejamento.
Escolher sapato. Comprar ou alugar vestido? Agendar maquiador. Definir local para recepção. Cardápio para o jantar? Quem será o DJ? Convites brancos ou creme?
– Bem? Me ajuda a fazer a lista dos convidados?
– Agora?
Ela era insegura. Precisava de alguém do seu lado para segurar a mão.
Mesmo assim escolheu as músicas para a igreja. Confirmou velas e lírios brancos. Decidiu um fraque para o noivo. Alugou um carro preto.
Conforme a data ia chegando, Vanessa ficava mais bonita e autoconfiante.
Discutiu o contrato do fotógrafo. Definiu a praia para a lua de mel, degustou e aprovou doces e salgados. Mandou Henrique providenciar vinhos e uísque.
Juntos fizeram o curso de noivos. Vanessa estava feliz. Crescera como mulher. Aprendera a decidir. Chegara o grande momento de dizer não para Henrique.
Com tamanho fixo como se fosse uma coluna de jornal, escrevi outro conto baseado em matéria publicada no Correio Braziliense. Publico no blog sempre às quartas-feiras antes das 18h. Com tamanho fixo como se fosse uma coluna de jornal. Qualquer hora dessas um grande jornal oferecerá um espaço, tenho certeza.
Roberto Klotz
http://www.robertoklotz.blogspot.com/
sábado, 14 de maio de 2011
Andando com Nietzsche e Schubert
Caminhar é bom. Caminhar acompanhado é melhor. Caminhar acompanhado de companhia inteligente é ótimo. Eu me lembro de tudo como se tivesse acontecido agora. Dois minutinhos atrás, ou três.
Foi num quente final de tarde de março. Estávamos na trilha do Parque de Olhos D’Água, aqui em Brasília, pertinho de casa. A conversa das duas ia animada. Ana Beatriz e Rafaela comentavam a influência da obra de Shakespeare na escrita de Machado da Assis. Apesar de o assunto ser inesgotável, falaram em Nietzsche antes de descobrirem afinidades com Schubert. Perguntaram minha opinião sobre o niilismo e eu disse que tinha acabado de lanchar. O riso maroto das duas sugeriu que era melhor continuar calado.
O diálogo entre as minhas companheiras versou sobre o existencialismo, passou por discussão sobre a exploração alternativa de fontes energéticas e, quando estávamos sobre a ponte, Ana Beatriz encostou-se na amurada, ergueu o indicador para o céu e afirmou que aquela nuvem parecia o mapa do mar Adriático. Rafaela concordou com ressalvas dizendo que o Golfo de Veneza era um pouco mais fechado e em seguida apontou para outra nuvem, mais à direita.
– Veja. Lá está a Pietá de Michelangelo.
Ana Beatriz assentiu e perguntou-me o que eu via.
Olhei para o céu. Examinei as nuvens detidamente e encontrei uma nuvem linda, muito
Roberto Klotz
sábado, 1 de agosto de 2009
Calção sem Elástico
– Quer ir comigo? Perguntou a apetitosa balzaquiana dentro do elevador.
Antes da pergunta minha resposta já estava pronta: por essa vizinha faço qualquer coisa, até derrubo o presidente e a promovo rainha.
Nossos encontros no elevador não são nada casuais, eu sou apreciador das coisas boas da natureza, chamo o elevador exatamente às 7h15, justo na hora em que ela sai para malhar na academia usando roupinhas coloridas. Prefiro caminhar próximo de casa, em torno da quadra, considero um contra-senso pegar o carro para fazer exercícios. Algumas vezes trocamos olhares e bons-dias quando me atrevo a caminhar até o parque situado a três mil passos de casa. Hoje estou usando meu calção mais antigo. Sempre achei que ele fosse sensual. Agora tenho a prova definitiva. O calção faz a diferença.
Hoje ela está mais cheirosa do que nunca e me pergunta se eu quero ir com ela. Será que devo me ajoelhar e agradecer o atendimento às minhas preces ou simplesmente dizer sim? Será que devo responder que prefiro caminhar perto de casa desviando de cocôs caninos camuflando meu longo compromisso com a namorada? Respondo numa linha defensiva.
– Será um prazer acompanhá-la, se você tiver paciência com os passos lerdos de alguém da minha idade. – Com certeza dirá que não estou velho, que estou enxuto e outros elogios mais...
– Eu já reparei que seus passos são rápidos. O senhor não está tão velho assim. Eu amo esses cabelinhos brancos que o senhor tem nas têmporas...
Enquanto me derretia com as doces palavras ela continuou: – O senhor é tão meigo, tão suave, posso chamá-lo vovô?
Quase desisti de ir ao parque.
Chegamos à garagem e fomos direto à vaga onde estava o carrinho da jovem.
Até o parque não trocamos palavras.
Do lado de fora do carro tirei a camisa antes de fechar a porta. Não são apenas as plantas que fazem fotossíntese.
Na entrada do parque coloquei o celular num bolso, o molho de chaves no outro bolso e perguntei se ela vinha com regularidade ao parque para caminhar.
– Gosto de vir aqui. É sossegado, não tem bicicletas zunindo nem cachorros latindo. – Ela respondeu provocando meu assunto recorrente.
– A grande vantagem do parque é caminhar despreocupadamente, pois não há cocôs nas trilhas. Nem grandes nem pequenos. Nem recentes nem ressecados. Até o ar é mais limpo.
Não gostei da minha abordagem escatológica e resolvi mudar de assunto. Na verdade eu já estava arrependido de ter vindo. Ser chamado de vovô é até carinhoso. Beldades como aquela podem me chamar como quiserem, contanto que me chamem. O que me incomoda mesmo é o meu calção. Todos os calções estavam para lavar e assim peguei um velho, do fundo da gaveta, que sempre gostei de usar, mas nem me lembrava porque deixara de usar. Agora redescubro o elástico frouxo. E o calção em vez de se fixar na cintura prefere se acomodar nos joelhos. É lógico que o assunto não poderia ser a falta de elástico.
– Estes ipês estão muito bonitos. Qual deles você prefere? O amarelo ou o rosa?
– Prefiro o amarelo. Pena que as flores estão caindo como se fosse chuva.
Pensei que ela fosse dizer: flores caindo como se fossem calções sem elástico.
Dali para frente, a caminhada que era para ser prazerosa tornou-se um martírio. Passei a segurar as calças com as duas mãos. O peso do celular e das chaves multiplicou o poder da gravidade e para piorar, a nossa conversa entrou em queda livre. A inflação cai, o ministro cai, caem os aviões, cai a ligação, peitos e bundas caem. Qualquer que fosse o assunto, caía na vala comum das coisas que caem. A caminhada seguia em passo forte no sol quente. O suor que rolava pela testa era de preocupação em disfarçar o calção cadente.
– O senhor tem filhos?
Com a resposta positiva perguntou se aquele moço forte, loiro, de olhos azuis que estava comigo no elevador ontem era o meu filho. Em vez do calção caiu minha ficha.
Roberto Klotz
Antes da pergunta minha resposta já estava pronta: por essa vizinha faço qualquer coisa, até derrubo o presidente e a promovo rainha.
Nossos encontros no elevador não são nada casuais, eu sou apreciador das coisas boas da natureza, chamo o elevador exatamente às 7h15, justo na hora em que ela sai para malhar na academia usando roupinhas coloridas. Prefiro caminhar próximo de casa, em torno da quadra, considero um contra-senso pegar o carro para fazer exercícios. Algumas vezes trocamos olhares e bons-dias quando me atrevo a caminhar até o parque situado a três mil passos de casa. Hoje estou usando meu calção mais antigo. Sempre achei que ele fosse sensual. Agora tenho a prova definitiva. O calção faz a diferença.
Hoje ela está mais cheirosa do que nunca e me pergunta se eu quero ir com ela. Será que devo me ajoelhar e agradecer o atendimento às minhas preces ou simplesmente dizer sim? Será que devo responder que prefiro caminhar perto de casa desviando de cocôs caninos camuflando meu longo compromisso com a namorada? Respondo numa linha defensiva.
– Será um prazer acompanhá-la, se você tiver paciência com os passos lerdos de alguém da minha idade. – Com certeza dirá que não estou velho, que estou enxuto e outros elogios mais...
– Eu já reparei que seus passos são rápidos. O senhor não está tão velho assim. Eu amo esses cabelinhos brancos que o senhor tem nas têmporas...
Enquanto me derretia com as doces palavras ela continuou: – O senhor é tão meigo, tão suave, posso chamá-lo vovô?
Quase desisti de ir ao parque.
Chegamos à garagem e fomos direto à vaga onde estava o carrinho da jovem.
Até o parque não trocamos palavras.
Do lado de fora do carro tirei a camisa antes de fechar a porta. Não são apenas as plantas que fazem fotossíntese.
Na entrada do parque coloquei o celular num bolso, o molho de chaves no outro bolso e perguntei se ela vinha com regularidade ao parque para caminhar.
– Gosto de vir aqui. É sossegado, não tem bicicletas zunindo nem cachorros latindo. – Ela respondeu provocando meu assunto recorrente.
– A grande vantagem do parque é caminhar despreocupadamente, pois não há cocôs nas trilhas. Nem grandes nem pequenos. Nem recentes nem ressecados. Até o ar é mais limpo.
Não gostei da minha abordagem escatológica e resolvi mudar de assunto. Na verdade eu já estava arrependido de ter vindo. Ser chamado de vovô é até carinhoso. Beldades como aquela podem me chamar como quiserem, contanto que me chamem. O que me incomoda mesmo é o meu calção. Todos os calções estavam para lavar e assim peguei um velho, do fundo da gaveta, que sempre gostei de usar, mas nem me lembrava porque deixara de usar. Agora redescubro o elástico frouxo. E o calção em vez de se fixar na cintura prefere se acomodar nos joelhos. É lógico que o assunto não poderia ser a falta de elástico.
– Estes ipês estão muito bonitos. Qual deles você prefere? O amarelo ou o rosa?
– Prefiro o amarelo. Pena que as flores estão caindo como se fosse chuva.
Pensei que ela fosse dizer: flores caindo como se fossem calções sem elástico.
Dali para frente, a caminhada que era para ser prazerosa tornou-se um martírio. Passei a segurar as calças com as duas mãos. O peso do celular e das chaves multiplicou o poder da gravidade e para piorar, a nossa conversa entrou em queda livre. A inflação cai, o ministro cai, caem os aviões, cai a ligação, peitos e bundas caem. Qualquer que fosse o assunto, caía na vala comum das coisas que caem. A caminhada seguia em passo forte no sol quente. O suor que rolava pela testa era de preocupação em disfarçar o calção cadente.
– O senhor tem filhos?
Com a resposta positiva perguntou se aquele moço forte, loiro, de olhos azuis que estava comigo no elevador ontem era o meu filho. Em vez do calção caiu minha ficha.
Roberto Klotz
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