Mostrando postagens com marcador waldo motta. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador waldo motta. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 8 de outubro de 2019

EXU YANG


Waldo Motta     


Quando o último ser vivo
for somente nome (enfim!)
nas páginas do Hiperlivro,
Deus!, o que será de mim?

Oxalá não me venha o Cujo
me punir a mim. Sou réu?
Dividido em zil, eu fujo
inteiro para outro Céu.

Só cumpro os infinitos
números de nossa lenda.
Até que me enjoe o rito
e ao silêncio Eu me renda.

(do meu livro Poiezen, Massao Ohno/FCAA-UFES, 1990; republicado na coletânea Transpaixão, EDUFES, 2009, 2. ed., obra indicada para o Vestibular da UFES 2010-2012)



sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

MEDITAÇÃO GUARANI


   

Yanderuvuçu fez sua casa
no encruzo da cruz divina,
no imo de nossa Terra;
e ali deu à Terra o seu princípio.
Ele guarda em seu seio
o sol original e verdadeiro.
E o seu secreto Céu,
guardam-no Jaguarovy
e Mbopy Rekoypy
e Mboyssununguçu,
suas bestas favoritas,
seus demônios prediletos,
que, no tempo assinalado,
põem fim ao mal da Terra
--- ficando a Terra Sem Mal.
______________________________________________________________

(Poema do meu livro Terra Sem Mal. Segundo os mitos, a religião e a filosofia dos índios guarani, a Terra sem mal, ywymarãey, é o paraíso terrestre, que pode ser alcançado em vida, em carne e osso. Aposto todas as minhas fichas nessa crença.)


Waldo Motta