Mostrando postagens com marcador Rosana Piccolo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rosana Piccolo. Mostrar todas as postagens

domingo, 4 de outubro de 2015

METROPOLITANO

 -

rajadas egípcias, tantos e tantas
na escada rolante
(mais do que o número dos escritórios
cortando seus cérebros em bifes)
gafanhotos quase
ansiosos, aglomerados, crepitantes, embaralhados
na plataforma pisada
o trem avança com olhos em brasa
conduz ao inferno a todo minuto

ROSANA PICCOLO

do Livro Bocas de Lobo

p.s .No prefácio, o poeta e professor Alexandre Bonafim avalia que os textos do livro possuem "grande força expressiva" e "contundente verdade existencial".E eu reafirmo: Rosana dispensa o discursivo e o palanque.Sua linguagem é concisa, enxuta e transformadora.Como convém ao trabalho poético de qualidade.

Fonte : Rubens Jardim

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Redenção



Cadáver no rio. À margem do qual, vagão refrigerado conserva
sardinhas e acordes de Beethoven. Sudário de espuma na goma negra
da água, galhos e bonecas mutiladas. A ratazana rodeia a omoplata,
trinta e dois dentes. Nos olhos, cavernas aquosas, algo se move.

Creio que a asa duma borboleta. (Poema inédito da Rosana Piccolo)

Metamorfose


Inflamação nos artelhos. A semana desce pelo sangue,
rebenta em raízes debaixo dos pés. Ruas subterrâneas a semana
inventa. Dedos no teclado, longos e a perder de vista, deitam
filamentos como ratos fugitivos. Nenhum diamante na face, que a
atmosfera secou. Vértebras agarram-se ao encosto da cadeira num
fole contraído. Vasta figueira dele brota, rodeada por bruxas atônitas.

(Poema de Rosana Piccolo)