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domingo, 6 de março de 2016

CARONA EMPOEIRADA

O Colégio Santa Cruz, de Castro, era famoso por sua disciplina e pela qualidade de ensino que oferecia aos alunos, tanto que vinha gente de todos os lugares do Paraná e até de outros estados para ali estudar. Muitos piraienses lá estudaram, entre eles o Antoninho Fanchin, o Telô, o Arizinho Linhares, o Paulinho Gióstri, o Ari Fanchin, de Jaguariaíva, o Zé Marcio Peixoto de Jacarezinho e muitos outros. Levantávamos por volta de 6 horas. A primeira coisa que fazíamos era ir até a Capela, onde quase todos os dias tinha a Santa Missa. Às 7 íamos para o refeitório tomar café e logo em seguida para as aulas. Ao meio dia era servido o almoço. Tínhamos em torno de 3 horas de lazer, sempre acompanhados pelos “vigilantes”. Normalmente íamos até o campo de futebol do Caramuru, na Ronda, onde fazíamos uma partida. Mais ou menos 4 horas da tarde nos recolhíamos na sala de estudo e de lá saímos para o jantar. Após o jantar mais uma hora de lazer e depois novamente estudo e cama. Eu era interno e quase não tinha folga aos Domingos, pois sempre tinha a Missa, aulas de religião e sessões de estudo das matérias do ginásio. Uma ocasião consegui licença para visitar meus pais em Pirai. O trem da manhã já tinha passado e o da tarde demoraria demais. Fui a pé até a saída para estrada do cerne, na esperança de conseguir alguma carona. Aquele tempo era comum carona, não havia assaltos e todos se conheciam. Lá estava eu quando o Edi Volaco parou, ao meu sinal. Ele era conhecido do meu pai e perguntou se queria carona. A cabine estava lotada e sobrava um lugarzinho na carroceria. Não tive dúvida, topei a parada, pois pretendia chegar em Pirai ainda de dia. Quando lá cheguei agradeci ao Edi e fui para casa tomar um banho, pois estava inteiramente coberto pela poeira vermelha da estrada.

(Luiz Fanchin Jr)

COLETÂNEA DE CAUSOS, CRÔNICAS E POEMAS "PIRAÍ DE ANTIGAMENTE"

sábado, 27 de fevereiro de 2016

ÁRABES PIRAIENSES


Na minha infância e adolescência em Piraí do Sul conheci e convivi com vários membros de famílias árabes que lá residiam e/ou ainda residem. Eram elas: Abdala, Abdanur, Abrão, Ajuz, Avais, Chueiri, Constantino, Cury, El Achkar, Gataz, Jayme, Queiroz (originariamente Kiros) e talvez algumas outras famílias cujos nomes não me recordo agora.
O que me confundia era a denominação de povo árabe para os sírios e libaneses lá moradores, só mais tarde vim a entender a etnia e suas nacionalidades.
Lembro-me de que, quando eu era piá, tinha que ter cuidado de não chamar alguns de turcos, pois eles não gostavam sobremaneira.
O que marcou muito a minha memória gustativa foram os quibes que as mães de famílias árabes faziam, deliciosos.
O Ramis Cury foi meu companheiro de ginásio e sempre voltávamos juntos para casa, pois éramos vizinhos. Quando passávamos pela sua casa a sua mãe, dona Rosinha já tinha exposto à janela, para esfriar, uma bandeja de quibes, que nos oferecia. E nós, sem qualquer cerimônia aceitávamos na hora.
Convivi também com outros descendentes de árabes: um deles o Rodney Abrão Kalil Jayme, que trabalhou com meu pai, era um amigo excepcional, viajamos muitas vezes juntos. Ele era um grande vendedor e tinha total apoio do meu pai, tanto que com o passar do tempo abriu o seu próprio negócio e chegou a ser prefeito da cidade. Só agora é que me conscientizei de que ele também fazia parte da família árabe piraiense. Sempre o conheci como o Rodo e só fui atentar para o seu nome completo quando candidato. Outro era Nagib Daher, que se casou com a minha prima Santa. E também meu colega de ginásio Nagib, morador em Curiúva e que ajudou na compra do terreno da Igreja de São José.,o Jorge Constantino, a quem chamávamos carinhosamente de Ferreirinha, companheiro de futebol, o Jaudete Cury, que participava das nossas serenatas, e o Caco Queiroz, meu cunhado.

(Luiz Fanchin Jr)


 COLETÂNEA DE CAUSOS, CRÔNICAS E POEMAS "PIRAÍ DE ANTIGAMENTE"

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

COISAS DOS CARNAVAIS PIRAIENSES

Num certo carnaval, um grupo de foliões estava reunido para decidir com qual fantasia iriam ao baile. Decidiram então que as moças vestiriam saias e começaram a confeccionar as vestimentas. Como sempre acontecia a reunião era realizada na casa de Sinhá Xavier.
Como muitas das participantes eram filhas ou netas de Sinhá Mossurunga ela volta e meia aparecia por lá a fim de fiscalizar o que estavam fazendo e censurava o cumprimento da saia, que era abaixo dos joelhos, mas que ela ainda as considerava muito curtas. As moças sabendo da visita da “fiscal” começaram a aplicar o golpe de baixar a cintura da saia na hora que Dona Sinhá aparecesse e davam a impressão de que estavam compridas, abaixo das canelas.
Porém na noite do baile algumas delas enrolavam a cintura para ficar com o joelho aparecendo. Isso era super sexy para a época!
Em outra ocasião, a fantasia que iria ser usada pelo bloco no carnaval que se aproximava, era segredo guardado a sete chaves, ninguém do bloco rival poderia descobrir.
O pessoal da estação resolveu fazer fantasias de pirata. Só que, nunca se soube como o pessoal da Vila descobriu e prepararam para o dia do baile uma das moças, a Polaca, que entrou minutos antes do bloco da Estação com a mesma fantasia que eles estavam usando, a fim de quebrar o impacto. Porém como os detalhes não lhe foram repassados, a moça lá se foi disfarçada de pirata.

O pessoal da Estação caprichou tanto que quando entraram logo após a Polaca, a quebra do segredo ficou despercebida.
(Luiz Fanchin Jr)

COLETÂNEA DE CAUSOS, CRÔNICAS E POEMAS "PIRAÍ DE ANTIGAMENTE"

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

SAUDADE DOS AMIGOS PIRAIENSES QUE JÁ SE FORAM



Estou velho, rugas surgindo, cabelos brancos,
olhos marejando, catarata avançando.
Me miro no espelho, pareço o mesmo jovem de sempre
os amigos que tenho não trocaria pela minha juventude
não me preocupa a aparência, sou mais amigo de mim mesmo
não me preocupa a opinião de terceiros
esqueço muitas coisas, mas não esqueço os amigos que tenho.
Meu coração sofre quando perco um deles
aprendi a ser velho, aprendi a ter liberdade,
aprendi a dizer o que sinto, sou o que sou,
não posso e nem quero mudar, de nada me arrependo,
não guardo magoas mas...
sinto saudade dos amigos que se vão.
E quando perco um grande amigo,
fica a saudade e um vazio no coração.
Que Deus o tenha e um dia

lá nos encontraremos com certeza.

(Luiz Fanchin Jr)