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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Borboleta

Eu me pergunto
quantas vezes
quis eternizar
os parques da infância
e imortalizar a tarde
por saber que os deveres
me fariam engolir a maioridade?

Quantas vezes
quis guardar sua inocência
por não querer em mim
qualquer maldade?

Todas as vezes
que deixei a porta aberta
foi p'ra você sair e entrar
sempre de bem com a liberdade

Você pode voar, se quiser,
pode escolher seu ar
Mas não se diga livre
por deixar partir
o que mais lhe diz respeito

Você pode partir, se quiser
Mas só que não verá
o meu melhor sorriso:
aquele que guardei p'ro dia
em que tudo fosse eterno.

César Magalhães Borges
in Canto Bélico

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Um ar de Monalisa

A noite pulsa
ondas luminosas.
Meus olhos
não alinham
as linhas
do seu rosto
e erram caminhos
na lembrança.

Fitas desdobradas
no horizonte
caem no em si
de um pensamento
vago, verde,
pouco pronto
para se fazer
imagem,
pouco longo
para desfiar
distâncias.

A noite
ondula a luz
em desalinho.
Fora de si,
o instante
se tangencia em traços
e insinua um riso
no olhar incerto.


César Magalhães Borges
in Ciclo da Lua

sábado, 26 de setembro de 2009

À Vapor

As nuvens ignoram
as nossas horas:
pode chover
a qualquer momento

As nuvens ignoram
as nossas orações:
pode não chover
por muito tempo

Um carrossel desatento
passeia no céu
a seu passo:

Tudo se precipita
quando é chegado
o seu tempo.


César Magalhães Borges
in Folhas Soltas (poesia incidental)