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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Clarice vê


Nascer à fórceps
A hora da estrela

A esperança

Da janela, uma nordestina desdentada
Acena pra mim

No espelho

Sou passagem, olhos de paisagem
Trago enxada e brita

Risco a estrada

No Cartão postal:
Um recorte do espaço
no tempo, sou miragem...

miro mirages e acerto colibris

Felizmente, com Gullar aprendi:
À noite todos os fatos são pardos.


Lou Albergaria

sexta-feira, 29 de setembro de 2017


a lesma passa pelo tinteiro
e deixa seu risco de verme
na folha.

Não gaste a vida
... à espera
de um mata-borrão.

Lou Albergaria  

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

TETRA CHAVE


Um dia ainda aprendo
ser sutil: o lado sombrio da lua
jamais visto: o mistério
que elabora Marias
e Franciscas
Lou, Salomé
e a mãe que dá
o corpo aos filhos
e a alma ao marido:
Quem é ?
Essa mulher que morre de amor
mas antes exige
a cabeça de João Batista.

Lou Albergaria

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

NA JANELA O JARDIM





No escuro da lua
desfio o tempo
a meia
hora fria
antes do Advento
o último dia – ou
o primeiro a nos fazer
semente?

Outra história
Outra velha senhora
a nos recitar...

Ah, memória! perder-te
será o fim – ou
só o começo de
um novo jardim?

Infância, te quero pura
em minhas tranças
nuas

essência de jasmim... 


Lou Albergaria

terça-feira, 22 de janeiro de 2013



Tantas vezes eu desisti
de ti, Poesia!

Des-existi
deixei de ser
a Menina
dos cachos de prata
companheira do vento
e do sonho
vestida de nuvens
de algodão.
Ai, aquele tempo
de ciranda e mãos dadas
o calor da alegria
junto a mim
bem ao lado
e aqui dentro
uma lágrima contente
contava a minha história
Eu não sabia errar
apenas sorria
e amava
cantava com olhos de chuva
a saudade do sol
mas, tudo era festa
tudo hóstia
e celebração
uma canção de vida
que se um dia
teve fim
eu nunca soube
porque vivia-se tanto
que sobrava tão pouco
para se saber...

Hoje eu sei:
a palma daquela Menina
não cabe mais
na minha mão.

Eu me perdi
dela
dentro da máquina
de triturar o tempo
e tento me segurar
no fio daquela oração
- a cantiga de roda
que esqueci a letra
que esqueci a música.

Todo poema é uma intenção
– desesperada
de lembrar

mas, hoje
em especial –
tudo o que eu preciso
é esquecer
que me perdi
lá dentro
da máquina
de triturar o tempo

as pessoas, e
as sementes...

Lou Albergaria

domingo, 28 de outubro de 2012


a morte vem e se assusta: vida real mata!

É hora de ir é hora de vir
Eclodir no centro
Da cloaca

Raios e tempestades
Rasos centenários
Nada!
é mais profundo
que o lago onde afago
minhas superfícies

Escatológicas e sublimes

Perco a lógica
Enfio os dedos
Nado!


Lou Albergaria

ON THE ROAD





na estrada
girassóis no acostamento
sinAlizam a busca

lou Albergaria