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sábado, 30 de janeiro de 2016

NÃO


Se não vens o dia não é.
Se não chegas
A claridade é um esboço
Que Deus esqueceu no bolso
Da sua túnica negra.
Se não vens a noite é alma vivente
E transita latente
Nas veias da dor de não poder morrer.
Se não chegas o dia é aquilo
Que o tempo ainda não incluiu
Em seu calendário
E cansa de ser nunca.
O sol aniquila-se
Um inútil desgraçado.
O poema sufoca
Na mediocridade
Da página em branco
De um livro fechado.
E eu também já nem quero ser.
E aborto-me.
Para sem culpa ou remorso
Amaldiçoar a mãe
Que um dia não me pariu.

Viviane Barroso

domingo, 17 de janeiro de 2016

BIOGRAFIA MUDA


Minha linguagem é feita de silêncio.
Da densidade sólida
Que corrói as paredes
De todos os templos.
Prece muda, quase um fluído
Se esvaindo do pensamento.
O verbo que fala de mim, sussurra.
Está noutro tempo,
Noutra rima,
Noutro verso.
Verbo imperfeito
Que não quer virar palavra:
Verbo que cala,
Verbo que morre,
Verbo que mata.
Assim, sou um rascunho
Entre junho e julho,
Quando o frio é um poema fatigado
De esperar o inverno puro de agosto.


(poema de VIVIANE BARROSO, poeta carioca,está na 70ª postagem da série AS MULHERES POETAS...)

Se quiser ler mais, clique no link http://www.rubensjardim.com/blog.php?idb=46498

Fonte : Rubens Jardim