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domingo, 9 de julho de 2017

SONETO DA DESPEDIDA


 Foi necessário que chovesse tanto
para que tanto mais o sol voltasse
a refletir a luz que a dor do pranto
inundou de penumbra minha face.

Foi-me defeso ressentir do quanto
sob a cinza do amor em desenlace
ainda me encantaria o desencanto
se esse rio de mágoa não secasse.

Não refaças o curso dos meus rios
nem acenes ‘adeus’ para os navios
de sonhos idos do meu velho cais.

Não levo nada... Só a necessidade
que ainda tenho de sentir saudade
dos teus momentos lívidos de paz.


Afonso Estebanez

sábado, 10 de janeiro de 2015

NOTURNO PARA MAYSA


Esta ausência não te cala
somente migra a canção:
como a brisa adormecida
entre pétalas de mágoas
da nascente dos sorrisos
num paraíso de lágrimas.
Tua ausência não se cala
somente migra a paixão:
é a luz brilhando deitada
feito sombra despertada
aguardando a esperança
com saudade da canção.
Tua ausência não se cala
como as páginas viradas
das histórias esquecidas
tal meu coração me diz:
toda ausência só se cala
se o amor for mais feliz.

Afonso Estebanez


(Para Maysa Uma Paixão)

quarta-feira, 28 de maio de 2014

"(...) SEXTO continente sem amor amado
comprado a peso de ouro
no mercado inflacionário dos brancos.
Os guetos são o sexto sentido
da liberdade currada.
Os mercadores da guerra acreditam
que o amor odiado morre com a morte.
Mas o preço do ódio vendido
é ser vermelho o sangue dos negros...
– Livre, há de querer provar o quanto é forte!
CIRANDA cirandinha
vamos todos cirandar
nossa paz saiu de casa
mas um dia vai ficar...
ou foi dar uma voltinha
para nunca mais voltar...

Afonso Estebanez

sábado, 3 de maio de 2014

A VÓS TODOS OS QUE SOIS POETAS

Afonso Estebanez Stael


A vós todos os que sois poetas, a poesia é o vosso ofício, o penoso ofício de sonhar, sendo o poema o resultado do vosso trabalho, o vosso salário, o produto do sonho realizado em estado de graça e plenitude... Lembrados sejam todos os trabalhadores do mundo, mesmo os que não são poetas, mas que de alguma forma emprestam seus esforços, suas almas e suas experiências de vida como inspiração aos trabalhadores das palavras que se juntam para edificar o discurso poético como um dos eternos mensageiros da paz, do amor, da fraternidade, da justiça e da solidariedade entre os seres humanos...

domingo, 2 de março de 2014

AMORES... AMORES...



Gosto de meus amores próximos
assim: com a face descortinada para o vento
e as janelas do olhar reabrindo para mim
a cortina fechada do meu pensamento.

Amores evidentes como rosas no jardim
que em mim deixem perfumes de contentamento
que invadam minhas portas abertas para dentro
e me resgatem dessa torre de marfim.

Amores são pressentimentos
dos faróis da alma em transitividade não profana
na eternidade sob as ondas dos lençóis.

E quase nada mais meu infinito amor reclama
senão que todos os amores sejam para nós
a eternidade efêmera para quem ama...


Afonso Estebanez

sábado, 11 de janeiro de 2014

SONETO DA INFIDELIDADE



Em nada ao meu amor serei atento,
antes, só por descaso e desencanto
que mesmo seja meu o teu encanto
dele me desencante o pensamento.

Não viverei por ele um só momento
e de tristeza hei de calar meu canto
e cantar de alegria com meu pranto
o seu prazer ou descontentamento.

Tomara esse feliz de quem não ama
talvez a vida, sonho de quem morre
assim mais cedo um dia me procure

e dele eu fale que sequer foi chama
e não sendo infinito a quem socorre
não me seja infinito ainda que dure.

Afonso Estebanez
(Réplica ao ‘Soneto da Fidelidade’

De Vinicius de Moraes)

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

A PAZ... MAS ONDE?...


ONDE

Em qualquer recanto onde existam rosas
qualquer rua escura em que a noite pare
e as palavras soem quase indecorosas...

Onde mais não haja do que só o instante
onde então me mate só de encantamento
ou talvez não morra e só me desencante.

Onde haja caminhos no chão de veredas
com estradas noturnas de pedras acesas
vaga-lumes vaguem pelas noites negras.

Onde o túnel d’alma nunca mais a habite
onde haja esperança que só tenha calma
e onde haja tristeza que não seja triste...

Onde os suicidas morram, só de alegria!
Como foi Totônia, como foi meu Felipe
como foi Margarida como foi a Maria...

Onde haja certeza quando vier a sorte
que não tarde o dia quando vier a noite
nem retarde a vida quando for a morte...


Afonso Estebanez

sábado, 28 de dezembro de 2013

ROSAS DE SAROM


Toma posse dos frutos do teu amor
ainda na tenra idade, como quem colhe
as rosas que primeiro desabrocharam
na orla do teu jardim...

Toma posse dos frutos da esperança
como o fazem os jardineiros de Sarom
que aguardam a floração das rosas
entre as sarças do Hebrom...

Toma posse dos frutos de teus sonhos
ainda que estejam verdes, como as aves
retomam entre os ciprestes do deserto
o seu ninho de esmeraldas...

Toma posse dos frutos de teu perdão
antes que seja tarde, como os pássaros
que reconstroem seu último refúgio
entre as pedras atiradas...

Toma posse de tuas ocasiões perdidas
mesmo que nunca reencontradas
como o fazem os lírios dos campos
que não precisam de nada...

Toma posse de teus ingênuos devaneios
como as rosas de Sarom o resplendor
e dos botões-de-ouro de teus seios
nas dunas do teu formoso amor!


Afonso Estebanez

terça-feira, 17 de setembro de 2013

COUNTRY EXPRESS



Ninguém contava que daquela aurora boreal
de luzes coloridas fosse surgir aquele bando
de cowboys alucinantes num torvelinho de
flashes deflagrados entre nuvens enluaradas.

Foi trepidante cavalgada de órgãos bachianos
– velozes diligências perseguidas nas pradarias
da tocata y fuga da classic-country-music.

Como se o Steve Yolen tivesse conhecido
a Dolly Parton com um banjo enterrado
no fundo do coração e começado aquela festa
improvisada de I believe in Santa Claus.

My heroes have always been cowboys:
como anjos do prodigioso equívoco do sonho,
a country bland não havia sido programada
para vibrar aos nossos pés de caipiras ritmados.

E aconteceu aquele duelling dos sentidos,
como um milagre que contagia pela evidência
da felicidade benvindamente inesperada.
Quem não viu, não precisa acreditar...
Festa encerrada!
Só o coração de um cowboy é um saloon vazio
quando a saudade dói como canção calada...

Afonso Estebanez Stael



domingo, 14 de julho de 2013

TRABALHO COMO ESCREVENTE DE PEQUENOS PRÍNCIPES


Crônica Vencedora do 1º Concurso Literário do Tribunal Regional do Trabalho da Primeira Região – TRT-Rio – Rio de Janeiro-RJ – julho/2007

Afonso Estebanez Stael

Trabalho como escriturário de rua de pequenos príncipes. Escrevente juramentado da última página de vida das almas que emigram para além de onde os pássaros alcançam. Bastam-me uma pequena mesa e uma cadeira, numa beira de calçada, na esquina de uma avenida ou entre os canteiros de um jardim. Meu salário depende do tamanho da ventura que o tempo lhes reservou. Se tão breve como um leve aceno de adeus ou eterno como o perfume da brisa no crepúsculo...

Ele era nosso velho juiz de paz. Nada tão breve nem mais eterno quanto um velho juiz de paz. Quando ele me pediu que redigisse aquela carta, sentei-me à sua frente e logo percebi que suas memórias se abriam como páginas de um livro de esperança, como o espírito de Marcos abriu-se em pergaminho para o novo testamento. Que meu trabalho, então, não precisava de mais nada merecer além do sopro criador de um acendrado agradecimento, rendido a título de remição de última vontade.

Pequenos príncipes nunca pretendem de mim, mero escrevente do evangelho secreto das almas, desempenho que devesse ir muito mais além de onde os pássaros alcançam. Como nosso velho juiz de paz, eles esperam registro das coisas simples da vida como um caso de amor vivido para sempre. Era assim entre os antigos colonos da fazenda de meu avô. Lembrar-me destas coisas é mais do que reler as páginas desarquivadas de uma velha cartilha de alfabetização à luz da lamparina à querosene. Como acender com um tição o cigarro de palha no final de uma história debulhada à beira do fogão de lenha. Ou emprestar a montaria à noite para um mensageiro levar a notícia da passagem de um parente distante que morreu em pleno estágio terminal de uma saudade. E sempre havia nisso uma sensação de recompensa como a do velho jardineiro que não necessita de que as rosas lhe agradeçam.

Ele apenas queria que eu redigisse aquela carta. Era muito pouco para quem testemunhou as aventuras e desventuras da desvairada geração de 30. Para quem aquele tempo não deu muita chance de sacar seu lenço branco no último duelo ao pôr-do-sol do estado novo. Para quem ajudou a tomar a si a honra do martírio pessoal da emancipação daquele pequeno município, atordoado ainda pelo doping-crack da burguesia cafeeira. Para quem, no celibato das honrarias pessoais, rendeu-se ao ímpeto de abrir os braços no alto da montanha e esbravejar ao vento da integração política para que soprasse a favor de nossas esperanças. No tempo em que fazer política por aquelas bandas era como engrossar fileiras de alguma cruzada santa para receber a bênção papal na clandestinidade.

Deixei-me ficar ali parado, perplexo, ouvindo e registrando atentamente o segredo daquela receita de extremado afeto caboclo-português. Era tão pouco o que eu podia fazer ao pé daquela gigantesca sequóia de sabedoria emigrada por instinto de além-mar até nosso desconhecido santuário de palmeiras onde canta o sabiá. Ele queria apenas que eu redigisse aquela carta, para agradecer a tantos quantos a ele mais deviam. A ele, que até aquele certo dia de certo mês de algum certo ano passado, ainda ignorava que a ponte de safena que lhe introduziram no peito foi para conter a torrente de solidariedade que lhe transbordava o coração, aonde vinham matar a sede os iniciados do apego às grandes causas do amor ao próximo, os colegiais da educação política de resultados coletivos e os neófitos da consagração pessoal através do aplauso popular discreto e silencioso. Ele, que por isso mesmo foi recuperado, porque nasceu com a alma vestida de cabelos brancos, para trazer para nossas vidas o destino dos grandes sacerdotes.

Desde as épocas jamais remotas aquele pequeno príncipe foi o melhor guardião de vinte e quatro horas por dia que a cidadela da liberdade já aplaudiu. Sua única obra múltipla nasceu perpétua como um testemunho bizantino para a História. No alto das colinas de nossas esperanças, ergueu aquela cruz de braços abertos para os quatro horizontes de nosso verde vale. Para iluminar mais longe do que os faróis de todos os depois de amanhãs...

Talvez seja por isso que aquela espécie de seringueira florescida no marco inicial de nosso itinerário simbolize um estágio primário da vida além da morte. Bem mais além de onde os pássaros alcançam. Onde o sangue alviverde das amazônicas não se ressente do holocausto apocalíptico. Onde as flores selvagens submetidas na mortalha do inferno prematuro cumprem seu destino inexorável de renascer entre os espaços dos paralelepípedos.

Foi assim que pude ver o meu pequeno príncipe pela última vez. Caminhando como um flamboyant multiplicado ao longo daquela rua. Cabelos brancos, distribuindo cumprimentos e versículos proféticos de vida eterna ou jogando amarelinha de afeto público no seu mais íntimo parque infantil. Ele e sua bengala curvada ao peso daqueles bem vividos oitenta e oito anos.

Mas ele só queria que eu redigisse aquela carta. Que acabei não redigindo. Não tive como desincumbir-me daquele encantamento. Acho que não deu tempo de me contar tudo sobre todos os dias de solidariedade que nos dedicou e que Deus, para marcar as suas obras, fez de prata cada fio de cabelo com que ele distribuiu a todos nós a sua paz.

Um de nós desistiu. Tenho que fui eu. Não estive mais com ele. Nem ele a mim me procurou. Penso que simplesmente aconteceu. E é esta agora a única maneira que me acudiu de levar a termo a redação daquela carta, numa escritura que não podia pertencer apenas a alguns. Mas a todos nós...


Afinal, somos todos responsáveis por aquilo que cativamos. Exupéry diria que o personagem que me gratificou com o salário desta crônica era um desses pequenos príncipes que regressou ao seu planeta de origem. Levado pela revoada dos pássaros selvagens. No dia em que isso aconteceu, soubemos que nosso pequeno príncipe aproveitou para evadir-se, pássaro selvagem que emigrou....

domingo, 30 de junho de 2013

FIINDA DE AMOR À PAAY CHARINHO



Eu, senhor, d’amor coitado
por voss’alma fremosia
foi de tan enamorado
qu’eu chorand’assi dizia:

Suidade, suidade minha,
quando, quando vos veria?

Procurei-te pelos montes
pelas grutas santuários...
(dedos aflitos nas contas
profanas de meus rosários)
Ai, Deus! as águas das fontes
como as ninfas flutuantes
choravam nos estuários...

Quem viss’assi com’eu vi
com tal coita e tan velia,
ness’amor que padeci
de mi (n) tormenta diria:

Alma gêmea de mi (n)’alma,
quando, quando vos teria?

Mays estaveis na cidade
que dos campos não se via
no asfalto da puberdade
dos anjos da mais-valia...
Ai, Amanda de Saudade,
minha vasta claridade
aos poucos se apagaria...

Fremosura d’alvorada
mui louçana senhor mia
e tan muit’enamorada
que, partind’assi dizia:

Barqueiro do meu destino,
quando, quando vos veria?

Não enquanto morra tanta
a esperança conselheira
dos enforcados na ponta
do pau-brasil da bandeira...
Ai, cruzado em terra santa
o Amadis não se alevanta
de chorar a companheira!

Senhor mia, fin rosetta,
non me metta em romaria,
tanto amor em Leonoreta
de suidad’eu morreria...

Que baixinho perguntava:
quando, quando vos veria?

O remate da cantiga
foi à fonte e logo vem,
que cantiga sem remate
já nenhuma graça tem...

Dess’amor de mim senhor,
tendes voss’essa meestria...
Mas a vós, senhor, d’amor!
quando, quand’eu vos teria?


A. Estebanez

BOA NOITE MEU AMOR...



Boa noite, meu amor!
O mar acalma na brisa
essa é a hora de voltar...
A brisa acalmar o vento
os sonhos o pensamento
que não cessa de gritar
nessa noite numerosa
entre as ondas sinuosas
dos caminhos do luar...

Boa noite, meu amor!
Sem os muros dos rochedos
sem nenhum setembro negro
sem mistérios nem segredos
sem os medos de voltar...

Boa noite, meu amor!
É destino o amanhecer
para a noite descansar...
Bom sonhar enquanto é tempo
bom de morrer ao relento
bom de renascer no mar...


A. Estebanez

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Ressurreição de mim....


Quando menino – a vida em preto e branco –
eu era tão humilde que acabava brigando com o Natal,
com a Páscoa e, às-vezes-quase-sempre, até com o dia
do meu aniversário...

Então eu acabei optando por fazer de todos os dias
de minha vida o meu Dia de Papai Noel...
Como não posso distribuir presentes nem chocolates
para todos os encantadores de meu inquieto coração,
distribuo-lhes poemas...

O que hoje faz de mim o primeiro da fila
no dia de ganhar algum presente do amor
que eu tenho pela vida...

Afonso Estebanez

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Construo um navio com nuvens da infância


e meu sonho navega num céu de saudade.

O sol colhendo amoras no sítio da alvorada

um velho engenho recendente da garapa

jorrando da moenda de aroeira adocicada.



As batidas inocentes pelos clarões do céu

e as colinas de assa-peixes floreando paz.

As quaresmeiras roxas, os ipês frondosos

a sombria constância das estradas baldias

os capoeirões dos carrancudos cambarás.



O canto triste dos carros-de-boi cá dentro

do meu peito onde escuto bater a solidão

das porteiras dos apriscos de minha alma

de plantão no abismo da doce melancolia

que assiste o fazendeiro do meu coração.



Construo um navio com nuvens da infância

e meu sonho navega num céu de saudade.

Do murmúrio infantil das águas cristalinas

do crepúsculo nas calmarias do horizonte

por onde fluem os ribeirões da liberdade.



Afonso Estebanez

domingo, 8 de agosto de 2010

Versos Levianos

Sou o teu rio de mágoas
De lua cheia me inundo
E morro nas águas rasas
De um oceano profundo.


Colho flores numerosas
Da pedra da minha vida
E sei das tolas mimosas
De alguma rosa suicida.



No escombro da poesia
Há ninhos e andorinhas
E o chão da erva esguia
Por onde nua caminhas.


No jardim de sepulturas
Há as juras que nem fiz
Dos afetos e as ternuras
Que me deixaram feliz.



Afonso Estebanez

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O Poeta e a loucura Quântica

Há muito sofrimento neste mundo.


O poeta escala o fundo da alvorada

e dela vai a um despertar profundo

de outra vida que é sua dor calada.



O poeta vai aos campos de batalha

armado com o instinto de uma flor,

e na frente de luta o poeta espalha

seus cânticos de guerra com amor.



O poeta vai aos campos de centeio

e tira o joio enquanto colhe o trigo

que doa como pão partido ao meio

para a missa de paz com o inimigo.



Todo poeta é um louco concebível,

é um mago e sua quântica loucura

em que o eterno pode ser possível

na dimensão possível da ternura...



Afonso Estebanez
http://www.afonsoestebanez.blogspot.com/

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

FACES DA LIBERDADE

Perder a sensação de ver a luz.

O jeito certo de viver por mim.

Ou perder os lugares onde pus

o meu direito de pensar assim.



O mundo é isso aí: amor e cruz

e vaidades na torre de marfim!

Da liberdade apenas nos seduz

esse canto de rosas no jardim.



Perder momentos de felicidade

é não ouvir cantar a primavera

na brisa fria da razão sem voz.



E se dá por perdida a liberdade

se o medo de viver virar a fera

que se regala de viver por nós.



Afonso Estebanez

(Dedicado ao notável poeta e amigo

Manoel Virgílio Pimentel Côrtes)

domingo, 31 de janeiro de 2010

SONETO DA DESPEDIDA

Foi necessário que chovesse tanto
para que tanto mais o sol voltasse
a refletir a luz que a dor do pranto
inundou de penumbra minha face.

Foi-me defeso ressentir do quanto
sob a cinza do amor em desenlace
ainda me encantaria o desencanto
se esse rio de mágoa não secasse.

Não refaças o curso dos meus rios
nem acenes ‘adeus’ para os navios
de sonhos idos do meu velho cais.

Não levo nada... Só a necessidade
que ainda tenho de sentir saudade
dos teus momentos lívidos de paz.

Afonso Estebanez
http://www.afonsoestebanez.blogspot.com

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Haicai

Deus semeou estrelas
no céu...E quem pôs a lua
no fundo das águas ?

Afonso estebanez Stael

Em Tempo de Lótus,Lírios e Acácias...

Jamais perder o momento
de encontrar na boca
um sorriso...

Jamais perder a esperança
de encontrar na chuva
um caminho...

Jamais perder a certeza
de encontrar no muro
uma porta...

O lótus pode ser
o momento de gória
da lama...

O lírio pode ser
o encontro da paz
na esperança...

A acácia pode ser
a certeza da vida
na morte...

Afonso Estebanez Stael