Mostrando postagens com marcador giselle serejo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador giselle serejo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 23 de outubro de 2017


No verão vicejas nos igapós com flor
carregas em tua barriga
bebês de até um quilo.


Giselle Serejo Série poemas amazônicos- flora, 2011.

Vitória régia



No verão visejas nos igapós com flor
seguras em teu corpo
bebês de até um quilo tranquilamente.

Giselle Serejo, 2011.



Vitória régia-Série poemas amazônicos, in Flora.
Rio canta para elas
todo dia sempre espera
a lavagem de roupas.


Giselle Serejo, 2011.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

O MITO DE CARONTE-O BARQUEIRO DA MORTE



O velho barqueiro moribundo das antigas eras
Navegava à espera de algumas almas ignotas
Pois não era que o defunto
Tinha que viajar junto com seu óbolo
Senão o arquétipo da morte, com sua fúria indecente.
Não tinha dó do dormente
Deixava-o no Limbo
A espera do seu último gemido oco
Mas para o bem da mesquinhez dele
Os visitantes da barca
Iam sempre de boca fechada
Com a moeda debaixo da língua
E assim pagavam sua passagem finda.


Por Giselle Serejo 



sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Samaumeira



Teu espelho é o rio
dos teus frutos saem bolinhas serventes
quando a canoa passa, estica e colhe na barca os frutos para debulhar
bolinhas gostosas de se espocar
minha avô enchia os travesseiros para na noite os netos terem devaneios
eu...ficava escondida..a espocar as bolinhas
barulho gostoso que só gente da floresta que presta atenção
Arvore frondosa na beira do rio
cobre com suas bolinhas o imenso vazio.


Giselle Serejo, in SÉRIE Amazônica, Flora.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Beco dizia entra

Beco dizia entra
entrei e não encontrei o que procurava
mas achei muito lixo e garrafas que cantavam ainda cansadas da noite anterior
intrigada olhei para baixo
fui ter em outras moradas.


Giselle Serejo, in Beco,2011

sábado, 16 de setembro de 2017

A casa velha da ponte



Foi na mesma ponte da velha Aninha
que um dia também atravessei
ponte antiga e feliz
às vezes ficava triste e zangada
emburrava e não deixava ninguem passar
mas...era só as vezes...
A ponte velha, da velha trazia os tachos de doces de Aninha
certa vez, uma escrava por nome Isaura deixou o tacho cair
Ahhh, dona Aninha ficou brava
e mandou a escrava sumir dalí
Aninha, docinha malvada...
pensou a danada da escrava.

Giselle Serejo para domingo de poesia, 2011.


domingo, 3 de setembro de 2017

Vida Ribeirinha



eu conheço essa vida
todo dia estou no rio a contemplar o presente que Deus me deu
quando o sol se esconde pego minha reca de filhos, são oito
e acendo a poronga, ela se põe a alumiar nossos rostos
corro lá para dentro pego a cuia e derramo a farinha de piracuí
farinha de peixe assado, todos comem e vão dormir
o mais novo chora quase a noite toda, tem muito carapanã
mas eu que sou sábia
conto a estória do boto
e logo ele dorme no fundo da rede mofada
vida ribeirinha é assim, não tem reclamação
tem rio todo dia
tem banho todo dia
farinha falta não
muita vida, muita munição
saúde..bem, ...essa aí..tem não...

Giselle Serejo, in Série AmazÔnica, Vida.2011