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sábado, 9 de maio de 2020


O seu sorriso me faz crer
Na lenda das fadas
Azuis e ensolaradas
Festejando a essência da vida.
E, entre elfos e ondinas
Mergulho em silêncio
Meu sonho
Na noite que se faz presente
O seu sorriso é a lua.
(Angela Gomes)


Gira, gira, gira...
Gira o mundo e,
Eu sem saber
Aonde a roda me levará.
Pra conhecer a paz
Devo na guerra morrer?
Pra meditar no que
Não voltará jamais
Devo partir?
Vou caminhar
Não devo me iludir
Com o que encontrar
Na rota louca
De não saber onde ir...
A "Porta do Sol"
O voo de um "Homem Pássaro"
A lançar seus braços
Na dimensão de se estar
Muito além da sombra
De algum planeta.
Ou, do sentido
De se empunhar
Uma caneta.
Na madrugada sou
O que com o vento partiu;
O que a terra engoliu.
E, na tarde
O encaminhamento
De poder retornar
Ao amanhecer.
Angela Gomes.


segunda-feira, 16 de dezembro de 2019


Há um anjo em meu nome...,
Tecido de sonhos suas asas.
Sentimento do amor que,
perpassa a pele...
Flue como um fluído que escorre
e, aquecido evapora...
Inserido no tempo
impermanente, do chegar e ir embora.
Leve, qual perfume,
Temperança esvoaça
na fragrância do lume
que o incenso esfumaça.
O silêncio impreciso reverbera
sentidos aleatórios
Na complexidade do agora.

Angela Gomes


sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Urânia




Respiro e me alimento
Da flor amarela
Entre deuses e planetas.
Sou viajante cósmico
Em azul esfera.
Casa caixa de jóias.
Reia, Gaia..., entre tantas.
Mãe, ventre fecundo,
Geradora do mundo.
Sábia sacerdotisa;
Na fronte a lua crescente.
Gira em si enquanto circunda o sol.
Ritual em torno da fogueira,
Festa universal.
Círculo mágico da vida,
Divino presente
Lançado ao espaço
Num braço da espiral.

Angela Gomes.


segunda-feira, 4 de março de 2019


Eu me autoproclamo
Mandarina! Czarina!
Primeira Ministra!
Primeira Bailarina!

Às margens plásticas
Dos rios mortos pela lama
Eu me autoproclamo
Honrada Dama!
Perfeccionista! Equilibrista!
Poeta! Ambientalista!

Diante do assombro
Do cotidiano
Eu me autoproclamo
Rainha! Do polvo trabalhador!
Suado, pobre, carente, sofrido...,
Esquecido em sua dor.
Nobre de caráter.
Porém, frequentemente, injustamente
Confundido com bandido.

Por amor à minha gente:
Excluídos, indigentes...
Eu me autoproclamo
Presidente!

Para os excludentes
Pintados de amarelo desbostado,
Alienados.
Eu me autoproclamo
Alienígena!

E, por ser Indígena, Negra, Branca,
Cafuza, Mameluca,
Singular mistura brasileira:
Vermelha como Brasa!
Eu me autoproclamo
Sensível Humilde
Feliz Ser Humano!

Angela Gomes


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

"DINÂMICA"




Meus sonhos, meus versos...
Universo.
Meu mundo; meu tudo
Eu sou!
A busca com o mar
Fertilizando a terra
Alimentando-me o desejo de voar.
Na busca da vida
Faço parte do fraco e, do forte.
Tenho sorte de estar neste lugar:
Terra, planeta da vida!
Solto no espaço. .
Meu ser, meu corpo, meu êxtase...,
Meu traço.

Angela Gomes


quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Do outro lado da lua




Visualizei você
Pelo retrato
Falado.
Seu traço inevitavelmente apagado,
Do outro lado da lua,
Sem contato visual ou subterfúgios
Reverbera desenhos entre as entrelinhas
Da intrincada geometria das esferas.
Nebulosas, poeiras estelares
E, complexas configurações de energias...,
Seu olhar vagando no tempo
Movimenta compassos apressados
No vazio das órbitas oculares.

(Angela Gomes)



(Poema publicado na antologia Conexão I )

domingo, 30 de setembro de 2018

Primavera / Nova Era




Somos mães, irmãs, amigas,
Companheiras, avós, filhas...
A natureza que acolhe e abriga!
Somos as asas do anjo que zela
No corpo que gesta a nova vida.
Somos o alimento, o aconchego
O compartilhamento
Do fermento para paz!
Mulheres unidas somos! Mais! Mais!
Determinadas!
Delicadas, sim; frágeis, nem sempre.
Somos fêmeas, femininas, meninas...
Sangramos com as feridas velhas
Das guerras, intra/extra urbanas.
Violências domésticas, abusos.
Choramos, sofremos. Mas, lutamos!
Contra a intolerância, as intransigências...
Contra a emergência de um mal
Que se diz necessário.
Nós somos mães, avós, companheiras, filhas...
Marchamos pelo amor incondicional!
Somos amor globalizado!
Somos uma em cada homem.
Gestamos amor pra florir paz!

(Angela Gomes)


Ontem a noite, de volta pra casa, caminhando pela XV "rua das flores", meu coração foi beijado pela lambida de um cão 
Ao parar para atravessar uma rua, a Floriano Peixoto, minha atenção foi para dois cães que vinham do lado aposto. Meu desejo pedia para que eles retornassem, pois o sinal acabara de abrir para os carros. Um cão dourado, porte médio para grande e outro com pelagem negra, um pouco menor.
Senti alívio ao vê-los retornarem. Foi quando um amigo que estava ao lado disse com alarde: olhe!
Assustada procurei com o olhar. Mas senti no fundo do coração. Um cão maior, porte grande, pelo escuro e curto lambia a minha mão. Foi rápido. Beijou meu coração e logo seguiu. Talvez eu tenha beijado o coração dele também. Quem saberá?
(Angela Gomes)

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Breve Tempo / Tempo Breve




Tempo,
Que faz crescer os corpos
E, esfarelar os ossos...
Que sustenta a solidez das casas;
Que envelhece os sonhos novos;
Que interrompe os voos;
Que dissolve as asas;
Que atormenta as distâncias;
Que apavora antigas ânsias;
Que consome com o cansaço,
As eras.
Tende piedade
Dos que voam sem asas!
Dos que caminham descalços...
Das arritmias, dos descompassos.
Dos trôpegos tropeços.
Dos passos aleatórios, em falso.
Dos minutos, séculos, horas
Perdidas, entre os aflitos
Momentos, em conflitos.
Consumidos na abrupta passagem
Exaurida pelo tempo, agora.
(Angela Gomes)
(25/08/18)


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Enfim



Sereia cauda causa cada

Átomo de tudo que é

E deixou de ser

Tudo que me cala

Planta sem jardim

Ramas de peixes

Escama fina flor

Espinho espinha

Fibras de alecrim

Aroma veia amarga

Sangue que há em mim?

Meu pulso jaz

No fluxo atormentado

Que há no fim, ou

Onde os teus olhos olhem

Onde tudo inicia e acaba

Em luz

Em luz azul

Sereia cauda causa cada

E deixou de ser

Tudo que me cala

Planta sem jardim

Ramas de peixes

Escama fina flor

Espinho espinha

Fibras de alecrim


Aroma veia amarga

Meu pulso jaz

No fluxo atormentado

Em luz azul


Angela Gomes B

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Quark


Noturno colar de estrelas
No corpo das cores.
Clara cantiga criança
No rastro das flores cadentes.
Poesia pulsando no éter,
No cinturão das galáxias,
A música das esferas.
Angustia da minha espera
Num gigante espaço
Curvando-me entre sóis
Em gota azul, fisgada em anzol
Na calmaria das ondas do oceano cósmico.
Perdido em seu átomo, um sonhador
Embevecido em chuvas quânticas
De partículas fractais,

Onde as águas naufragam em feixes de luz. 

Angela Gomes Brochier

sábado, 19 de março de 2016

Lumieiro

Pela mata escura
Piscam, dançam lindas luzes
Vagam vaga- lumes

Angela Gomes

Fonte : bardo escritor

sábado, 30 de janeiro de 2016

Rarefeito



O que desperta
Depois da noite desfeita
Falsas certezas
Razões perfeitas
Na praticidade da desilusão?

Nem tudo são escolhas
A luz do dia cega e seca
O cobertor, o frio...
E, num arrepio
Tudo que parece o fim
Será
Como o que surge de um vazio
Cheio de deserto trancado no peito
E, ainda que eu não entenda direito
Tudo se parece com tudo
Como um passado incerto
Coberto pelo orvalho perfume da deusa
Difuso pela superfície ondulada do mar
Mas, tangível no aroma da terra molhada

 Angela Gomes

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Alvoroço!!!
A boca da noite devorou
Angu-de-caroço
Com calda de Sereia!
Foi um grande alvoroço
No quarto crescente
Que explodiu na lua cheia!
Rabo de cavalo na crista do galo!
O dia amanheceu,
E a galinha se chocou!

(Angela Gomes)

Lugar perfeito


Me arranque do mundo da lua!
Leve-me para qualquer parte...
Comer poeira em Marte?
Não respirar em Vênus?
Flutuar em Júpiter ou Netuno?
Me perder em Urano?
Congelar em Plutão?
Enlouquecer em Saturno?
Carbonizar-me de Sol em Mercúrio?
Não!!!
Que tal criar raízes na Terra?

(Angela Gomes)
Quantos cantos têm a mesa redonda?
E, com quantas gotas o mar forma uma onda?
O silêncio faz a noite adormecer?
E, quantos raios de sol são necessários
Para o dia amanhecer?
As respostas estão escondidas
Aonde o Gato não perdeu as botas
E o vento não fez a curva.
A rota é meio torta...
Mas, cai como uma luva!
Seguindo a imaginação,
Mesmo que por ruas estreitas,
Chega-se a qualquer resposta,
Até para as perguntas que
Ainda não foram feitas.
(Angela Gomes)


terça-feira, 2 de junho de 2015

domingo, 1 de março de 2015

Estrelas e Sal


Lanternas esquálidas escarlates
A navegar escamas de Netuno.
Despejam o fluxo de outros mundos
Paridos em noite fria entre os lilases.
Atmosfera imersa em breu soturno,
Lançando redes de nylon, pescando sóis.
Gigantescos navios espaciais consumindo-se
Aprisionados no visco salino
Do enferrujado lastro dos anzóis.

Angela Gomes

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Os bastidores do crime



Luz para Curitiba!!! Terra onde viveu Guairacá; passou o Cabeza de Vaca a caminho das Cataratas do Iguaçu; foi visitada por Saint'Hilaire; por quem morreu o Barão do Serro Azul (assassinado)... Por onde caminham tantos anônimos pela Rua das Flores, pelos parques, praças..., sem falar dos ônibus lotados...
Luzes, para os que se envenenam com drogas a luz do dia; e, para alguns que, usufruindo dogmas, para auxílio moradia, ou, outros benefícios, sem "teto/tento" (senso?), não se veem como avestruzes.
Luzes para os grandes condomínios de luxo que ocupam as áreas nobres e, aos cinemas apenas em shoppings. Na periferia já tem funk ostentação.
Luz para os ótimos espaços culturais ainda acessíveis. Mas, não fechemos os olhos para os
que fecharam: Cines Hitz e Luz, Casa Andrade Muricy, Casa João Turim, a Feira do Poeta...
Luz para todos nozes, piás e gurias da terra dos pinheirais! Todos fazemos algo acontecer de bom ou não a cada momento e, não somos tão insignificantes, formamos um todo.
Luz para os Escritibas na rua , escritores que se uniram e saíram para a rua vender seus livros!
Luz para quem construiu uma praça com as mãos, no centro da cidade, para todos e ciclistas.
Luz para os meus pinheiros, plantados em vasos reciclados, na varanda do apto alugado, onde ainda tremulam bandeiras que foram facilmente encontradas durante a copa.
Os brotos verdes já estão surgindo nos vasos  não sei se verei, mas virarão árvores
Luz para Curitiba e nozes dos pinheirais

A.G (08/09/2014)