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quarta-feira, 12 de junho de 2019

Traços da Alma




Ao abrir as janelas da alma,
faço-me prisioneiro, mais um voluntário
em gemas de papel, feito
um guitarrista no telhado,
traçando escalas e devaneios,
despertando a noite,
desabrochando a esperança!

Apenas uma lágrima,
riscando a face em lamentos;
lamentos oriundos do afago,
da doce viagem na alva cor!

Apenas uma lágrima,
contando sua origem em mistérios;
mistérios ouvidos no peito do darma,
no meigo linguajar da Dalva luz!

Ao abrir as portas da alma
Solto-me em flâmulas
sem regras ou limites
sou capataz dessa cela em papel,
deixando que ondas tragam-me
seus versos, seus avessos,
enfim gravem na areia, o amor,
em suas formas,
em suas matizes,
em palavras do coração!

Auber Fioravante Junior

domingo, 15 de novembro de 2015

Versículo Poético


Licor ou merlot
Pouco importa, versos
De uma poesia navegante.
Sinos ou cordas melancólicas
Sorvendo a seda sob a pele,
Sobre o corpo de versejar,
Quando de simbiose.
D’uma bíblia poética
Sensualidade, o verbo
De reverberar, naufragar.
Velas aromáticas
Poema calado.
Auber Fioravante Júnior

À Noite


Acorde por acorde
Como um céu, estrelando-se,
Depois da chuva, versos.
A terra... Foi regada,
Flores, folhas, a pétala solta
Junto ao ventre, do lábio,
Da face, da folha alva, alva.
De mansinho desperta a noite
O sonho lido num soneto secular,
Rios às gôndolas da poesia
Livres pelas entrelinhas, pele nua.
Ao luar telhado de vidro...


Auber Fioravante Júnior

domingo, 2 de agosto de 2015

Valsa


lá fora, a lua convida,
tudo é prata, tudo é azul.
mãos dadas, passos macios
enfeitam o passeio do vazio
das palavras rodando.
vestido decotado, saia rodada, xale violeta,
cartola e bengala sobre o banco,
violinos bandolins, pífaros ao vento,
silêncio... ais ais ... silêncio...
um verso primeiro
dois avessos depois...
a praça serenou
quando a valsa valsou!


Auber Fioravante Júnior

Lágrimas de um blues


Um gole de noite...
sob a pétala seca
poema de amor.
Choram... Choram...
as cordas de aço,
as cordas da canção,
parecendo encarnar
reciprocidade, ah...
Seda cor de lua cheia
tece o corpo a pele
nua a desnudar.
O pássaro da sapiência
canta, dobra o canto
sobre o galho,
sob a nuvem, oh, luar.
Enxugam-se as lágrimas
beijam-se os lábios!


Auber Fioravante Júnior

domingo, 26 de maio de 2013

Apenas Sentimento Pungindo do Peito


Auber Fioravante Júnior

Quando o piano tocou
Tudo me pareceu poesia translúcida,
Poema calor do corpo sem teoremas
Um jeito nada rock in roll
De dizer o que se sente... Move-se pela alma!

Do livro apocalipse
A lágrima é verdadeira ao deslizar
Pela face em confraria com lábio,
Como um cálice de vinho tinto
Esperando do outrem, gole sedução!

Entre as cordas de uma guitarra
Que ousa em tristeza derramando-se
Em notas inundadas de paixão,
Toda a essência torna-se fragrância,
Perfumes lidos da estação... Simples como o amor!

O inverno ainda não chegou,
Mas o frio das suas folhas já cortam pela noite
Criando um espetáculo feito um louvor
À primavera que renasce toda manhã!

Em desatino uma certeza, um glamour
Ao desconhecido, ao pelegrino escrevente
Das lousas épicas e etéreas!

24/05/2013
Porto Alegre - RS

AF00036 - Auber Fiori


Amor em Lamentos Prosaicos


Auber Fioravante Júnior

Assim que noite acordou
Uma mística de versos desaguou
Por sobre uma pedra macia, entalhando,
Esculpindo em soneto tudo que alma marejava
Pelos francos da dor... Oh, plenitude!

Os guias escribas já chegaram
Em suas lendas vivas, centelhas brilhantes
Adentrando pelo breu de cada palavra proferida,
Uma avenida centrada no sentir, das ondas
Poetando n’areia o velar do luar!

No instante que se aguarda
Suavemente um silente imprime-se
Entre quadrantes sul do poema,
Que encouraça mistérios, se dá em venturas
Do âmago, da história zelada pelo amor!

Que os pássaros noturnos
Alcem voo em nome da melancolia,
Lágrimas não refletem uma mera ilusão!

Da origem das letras de Platão
O cristal filosofal fazendo-se poesia,
Dentre as daquele jardim germinando
Versículos íntimos induzidos pel’alma,
Irmã no sorriso, amiga no negro lamento!

25/05/2013
Porto Alegre - RS



sábado, 13 de abril de 2013

Dança em Amares



Auber Fioravante Junior
 
Olhos empapuçados,
Face orvalhada, mas no olhar
Um sorriso de canduras, venturas,
Noite lirismo dos lírios...
Franca poesia... Saudade!
 
Defronte ao espelho
Vida quase desnuda, a beleza do seio,
O lábio avermelhando-se, doce segredo
Invadindo os vales de sempre,
Por um beijo, um amor vivente!
 
O aço das cordas doa-se em luz
Ao breu, colorindo cada entalhe,
Todo detalhe do corpo, do cenho veludo,
Púrpura oração deslizante entre os cômodos,
Veio sem solidão, um tango em Paris!
 
Das mãos úmidas ao abraço tênue, tenro
Ao insano desejo desperto na seda, uníssono!
 
Enquanto caminha a madrugada,
O silêncio quebra-se inundando de ensejos
Cada gole do vinho servido em cálices...
Oh, céu de estrelas, estrelar
O sabor anil, vis aventuranças, tua dança!
 
13/04/2013
Porto Alegre - RS

sábado, 7 de abril de 2012

Do Silêncio

Para o Sábado de Aleluia


Do Silêncio

O segundo dia amanhece
Ouve-se apenas o calar das vozes.
A fúria deu lugar ao pensamento
Divagando pelo vazio da cruz...
Só entre às oliveiras!

O Jardim ainda em botão
Pergunta-se, se volta ao mundo
Indagando ao orvalho o porquê do vermelho.
Pelo chão onde passou o Messias das boas almas,
A brisa que vem do monte responde:
- Ele só queria salvar o Homem!

Agora tudo é silêncio pelas doze estações.
Estrofes que de uma forma ou de outra
Receberam a semente da face que só tinha
O olhar para ternura humana,
Para os que temiam a palavra do Eremita
Mor de todos os sentimentos!

Em algum lugar da escuridão
Corações solidários se engajaram em oração,
Aguardando que o amanhã renasça trazendo
No ovo a Profecia do terceiro dia.
A palavra que nunca será esquecida,
As mãos que afagaram com Amor!

Auber Fioravante Júnior

sábado, 2 de julho de 2011

Herança entre as Pautas

Os olhos não veem,

Mas o coração sente pulsando

Em prelúdios líricos, no som das liras

...Flutuando pelo jardim,

Ecoando entre as contas,

Bendizendo a pérola do condão!



A herança da palavra

Está por todas as pautas,

Embora ainda vazias, lá ela está

Mesclando em cada elemento

Um tuto que atrai esperança

E se releva em amor!



Como faria uma cigana,

Li tuas mãos enfatizando a cor, jovial

Celeste aurora d’onde doura os campos,

Cumprindo pelos caminhos

A semeadura dos lírios,

Do verbo a conjugar com a oração!



A aura é latente,

Inundada de ensejos prosaicos

Aqui expostos em anversos singulares,

Reversos navegantes do silêncio

Cicatrizando desejos,

Eternizando o que ficou no luar!



Auber Fioravante Júnior

24/06/2011

Porto Alegre – RS