Mostrando postagens com marcador adriano smaniotto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador adriano smaniotto. Mostrar todas as postagens

sábado, 4 de janeiro de 2014

CALOR DA HORA


há muita poesia em curitiba.
babaca professor doutor nunca irá ver.

a poesia feita em Curitiba
é bomba sofisticada
é artefato inclassificável

ir no seu barco para o fundo
ou para a beleza...
Leminski ou Dalton,
errou otário,
Rollo

poesia em Curitiba dá baque,
maldiz a vizinha
come o cu da caretinha
poesia em Curitiba é precursora
aquele titã de uma figa
imitou o livro do thadeu

idiota professor gaudério
nunca vai perceber
poesia em Curitiba
é clã
é motim

eu conheço trinta poetas
entre Leminski e 2013
filha da puta que dá aula
na universidade
diz que são três amigos dele

poesia em curitiba é bairrista
teu neto
tua puta
e a tua diarista
irão ler

não hoje,
amanhã,
que é sempre ontem

poesia em curitiba
é cemitério de elefantes

vê esse morto
é thadeu, é ivan, é marcos, é madeira,
é claudino, é jacobsen, é solda, é pilar,
é vulcanis, é palito, é roberto, é corona,
é david, é rollo, é stella, é estrela, é patrícia,
é fernando, é magela, é tatara, é viralobos,
é cobaia, é magoo, é aluísio, é Carlos Jorge,
é alec, é cristiano, juliano, é dyane,
é fred, é bárbara, é luciana, é marilda, é nara,
é Rafael Walter, Giuliano Andreso, é Pozzo,
mais os que não citei
porque me irritei

poesia em Curitiba
é a lasanha que comi
ouvindo a artista plástica de merda
maldizer os que eu vi sofrer comigo

poesia em Curitiba é o que respiro
poesia em Curitiba é uma companhia solitária
é uma pedra rara


Adriano Smaniotto

quinta-feira, 18 de julho de 2013

17
Martinha, orientadora,
achou absurdo quando o Julio “virou”
e deixou o cabelo azulado;
pior ela, revidou o aluno,
que o azul nunca tinha virado.

Adriano Smaniotto


(Do livro Epidramas - Epigramas sobre o drama da Educação Contemporânea)

quinta-feira, 28 de março de 2013

POEMA PROFÉTICO I




 Adriano Smaniotto

Homens de bem nos avisam da Criança Futura.
Sim, ela já está entre nós.

Atazana seus pais seu senso de justiça,
confunde seus professores seu gratuito saber.
Convicta de sua messe ela desfila
como se sonhasse ou relembrasse.

Quando brinca, ela humaniza.
Quando advoga, ela compraz.
Não entende normas mesquinhas,
nem lhe apetecem coisas triviais.

Seu apego às modas do mundo
dura menos que um dia.

Melancólica e sozinha,
ela quer voltar às estrelas,
antes reformará as leis
por meio dos vários reis
latentes em seu semblante.

Ai de vós,
que não escutais o coro da Criança Futura,
repartido em vários risos e gritos
de tantas outras crianças.

Ela veio cumprir a profecia do Infinito:
renovar a Terra
e reinventar a Infância.
Uma pequena aula de cores...

terça-feira, 12 de março de 2013

HABEMUS BACAM




Ponham o pipi no popô do Papa
e parem com este papo à-toa;
tanta pompa para um bobo que só baba,
enquanto o povo vai na Nave à proa.

Que importa que surja outro filho de São Pedro,
se continuam as mentiras e balbúrdias deste clero;
um Papa é menos que um esterco,
seja de Paris, de Auschwitz ou de Toledo.

Calem-se jornalistas e demais embusteiros
que insistem em elevar um ser medíocre,
falam tanto de conclave e de estirpe
e não conclamam o Mestre Carpinteiro!

Ou acaso não lhes ocorre a diferença:
urbe et orbi?
Entre a Manjedoura e a Cistina
mudam as divisas e, é claro, os dólares.

Dezessete séculos de vexames
hoje ainda imitados por outros ritos.
Ó Domine, por favor, poupa-me
destes teus heréticos anticristos.
O Cristo, por favor, perdoa-lhes
porque leram mal o que não estava escrito.

Adriano Smaniotto

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Poemas de Adriano Smaniotto

fui eu quem guardou
as manhãs dos soropositivos
e dos outros filhos deste caos

estão comigo...
se não as encontro
então os sãos
insistem em continuar sorrindo

quem puder sair de seu almoço
com arrotos de tudo bem
tudo bem coma como um porco
tudo bem coma coma um porco
só não venha me dizer que é poeta

o vício da poesia implica algumas abstinências:
de focinheira
de linhas
de vida

essa/ poucos ouvidos sensíveis, nem nos quer


fui eu quem tentou apreciar o prazer dos verbos
ganhei no lugar vãs filosofias e uma única razão:

fui eu que inventei o mundo que chamam mal-estar.

*

elas sempre ficam mais belas depois do fim.
daí revelam as mentirinhas dissimuladas.

nada de mais se você não for daqueles
que se matam perdida a primeira
azar se acha que besteiras de vidas falidas a dois
são pra colecionar

vai, ferido, e aprende a namorada
que são os livros

no silêncio sem amigos
urgem úteis conselhos

ouve: amor - mútuo egoísmo!

*

patrícia claudino das vísceras
filha legítima da dor
que falta de amor nos faltou?

foi em vão esperar pêlos brindes,
os anos não nos medicaram

pede, por favor, poeta,
à mãe sublime
que me dê seio
família em teu lar

patrícia claudino das vísceras
quem nos roubou chama-se paz!
De balé mal resolvido)

*

quando cantares tua dor em poemas,
chama-os por números,
que é melhor teres no fim
uma soma ou teorema,
que sinônimos.



1.

considera as linhas por mim escritas
como um roubo à energia do sol
um convite a escurecer o dia

no enfim de religar-me ao só
iniciei uma multidão de apatias.
versejar a voz do ser é ser de si algoz


*

tudo que for lírico em mim
terá um fim de laço.
depois é claro um invólucro de cetim

porém como enforcar e embrulhar
o ar o sangue a lástima o líquido
que insistem em coabitar um lírico?

*


agora que você namora
e já não desrespeito meus rivais
entre ais pergunto ao espelho:

pra qual amor amadureço,
se amo como quem vai embora
e indo vou olhando para trás?
(De Diário da dor dos dias)

Poemas extraídos de PASSAGENS. Antologia de poetas contemporâneos do Paraná. Seleção e apresentação de Ademir Demarchi. Curitiba: Imprensa Oficial do Paraná, 202. 428 p. (Col. Brasil Diferente.)

Fonte: Site Antonio Miranda

Postado por Andrea Motta
no site "Simultaneidades"