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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

PASSIO


A cegueira da paixão,


Aquela inconsequente e suicida,


De entrega absoluta, de irresponsável senso...


Temo que as frestas de minha visão estejam destrancadas
E agora, de olhos abertos,


Eu não consiga mais mergulhar nesse abismo sem fundo, de tantos perfumes e sensações devastadoras.


Já quebrei todos os meus ossos


E chorei todos os rios de desilusão.


A cegueira se dissipou e me atracou no cais,


Onde os pés se fincam firmes


E a razão é meu império de conforto.


Meu coração sente falta da deriva do desejo,


Do desconforto da espera,


Do alvoroço do encontro.


***


Meu coração jovial sabia ter cor na guerra.






Hérlon Fernandes Gomes (10/06/1981) é natural de Brejo Santo,Ceará

FOGO-FÁTUO



As paredes me assombram com o eco de tuas palavras,

O chão está coberto da areia dos teus sapatos

E eu tenho medo e preguiça de varrer o que restou de ti.

Os lençóis me iludem com o teu cheiro natural,

E a cama nunca foi tão grande e insone.

Meu corpo está marcado por teus beijos e carícias,

Arrepio-me quando me toco ao relembrar nosso ritual de amor.

***

O relógio se cansa para calcular o tempo que nos separa,

É preferível contemplar as estrelas

A medir florestas e desertos que nos distanciam.

Ainda assim, é tudo tão vivo de presente,

É tudo tão doce e palpável

Que esse futuro adiado me anima,

Esse destino de degredo não me desola.

Eu me cubro de esperanças,

Aceito viver de lembranças

E me acorrento aos fantasmas que restaram de ti.


 Hérlon Fernandes Gomes (10/06/1981) é natural de Brejo Santo, Ceará















OLHARES, RELÂMPAGOS, AÇOITES


Eu posso imaginar a umidade do teu perfume nu sobre a cama e a maciez da tua pele leitosa a iluminar a penumbra.

Eu desconfio que teu gozo acontece de olhos fechados, enquanto sorris de êxtase para o mundo.

Suponho que, nesse prazer, existe um silêncio de tua presença a dizer tanto de ti mais que se me descrevesses teus sentidos.

Ensaio meus dedos no ar, como a acariciar tua nuca e espalhar o feitiço dos teus cabelos negros pela madrugada...

Ah, se teus olhos pousassem nos meus, um pouco além do que um relâmpago de açoite, eu me instalaria para sempre em ti, penetrando teu insondável íntimo, e te roubaria para a terra da liberdade, onde pecado é ter medo de ser feliz.

***

Não haverá canto do teu corpo que eu não desvende com meus beijos;

Não transcorrerá segundo vago entre nós que eu não preencha de doçura, de quenturas, eternidades e explosões de encanto.



 Hérlon Fernandes Gomes (10/06/1981) é natural de Brejo Santo,Ceará














ENCANTO DO MAR


É quando dois olhos se seduzem

E se dizem coisas que não caberiam às palavras.

É quando o mar pertence a dois


E o sol nos ilumina, nos doura e nos enfeitiça.

E quando o beijo acontece,

Essas bocas sabem que já foram unidas

Em desejos e vidas esquecidas de eras longínquas.

***

Eu me deixo pertencer-te,

Eu te entrego todo o meu corpo para que seja teu

Nesse tempo breve e abençoado pela eternidade.

Não quero dormir, teu conforto é melhor que o sono.

Quero me perder em promessas impossíveis

Enquanto meus dedos percorrem os caracóis dos teus cabelos.

***

Eu ficarei sem ti...

Mas as estações me trarão toda essa vida quente com o mar

E em breve seremos nós, como agora, novamente sob o sol.


Hérlon Fernandes Gomes (10/06/1981) é natural de Brejo Santo, uma pacata cidade do sul cearense, da conhecida região do Cariri, um berço de cultura do estado.Começou a escrever seus poemas na adolescência, publicando os primeiros textos em jornais da região e periódicos do curso de Direito da Universidade Regional do Cariri, de onde obteve o diploma de bacharel, sendo inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, Subseção Crato. Paralelamente à carreira jurídica, o autor é amante da literatura, especialmente da poesia, de quem se diz “apenas um instrumento usado para transportar ao papel as emoções que podem nascer de todos os homens.”Em 2008, publicou seu primeiro livro, intitulado GEMINIANOS – POEMAS DE DESCOBERTA, de carga confessional, passional, em que o autor disseca, principalmente, os estágios de gozo e sofrimento do amor. Nesse mesmo ano, começa a escrever um blog, intitulado ARQUEOLOGIA DA ALMA (http://arqueologiadaalma.blogspot.com.br/), espaço dedicado a dar vazão à arte que lhe mina. LÚMEN – ENTRE OS MATIZES DA ALMA E DO CORAÇÃO é seu segundo livro publicado. Ao longo dos 150 poemas que compõem a obra, dividida em oito partes temáticas, o autor nos convida a refletir sobre os horrores de um mundo caótico, povoado pelo terror de guerras reais e do ego, do artificialismo do ser; mas, sobretudo, nos alerta para que não percamos nossa imorredoura capacidade de se apaixonar, de amar e de ter esperanças, sempre.