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sábado, 6 de abril de 2019

Ser Feliz (ou não)




Metade de mim é feliz
a outra, pensa que é.
Metade de mim cheira a anis,
a outra segue o café,
aroma que invade a casa
a me acordar para o sonho
da outra, metade em mim,
que pensa que é feliz,
mas sonha em ser a outra,
feliz metade de mim
esta,que nunca o diz,
por conta de ser assim

Metade de mim está aqui
a outra não está a fim.
Insatisfeita que é
vive daqui pra ali
no cálculo de cada hora
que faz o tempo ir embora.
Numa, a espera se aquieta.
noutra, vive de demora

A acima supra citada,
minha primeira metade,
feliz, se agarra na fé
varre da lida o choro
tem a alma ao rés do chão
deixa a paixão bem quieta.
tem o agora como meta
abre mão da liberdade
tal e qual dorme um cachorro
na beirada do fogão

A outra num louco afã
tem olho e jeito de gato
esquiva, foge do fato
a pensar no que não deve
e até despreza a lua
num antever do amanhã.
Esta espécie de criatura
gosta muito de andar nua
e, às vezes se nada segue
parte pra tal de escritura
de versos de ser ou não,
jamais feliz, sempre alegre.


Elane Tomich
T.Otoni, 3 / 2010

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

LÁ...



Elane Tomich

Lá é tão longe do mundo,
onde acaba o arrepio,
a quina do meio-fio,
espírito do olhar mais fundo.

onde no abismo desmaio,
o final do latifúndio
em tanto chão de saudade
o teu olhar de soslaio.

Primeira gota do rio,
o medo do poço fundo
de onde o vento é oriundo,
meia-volta de desvios.

muito além da saciedade
vontade em eterno gerúndio
onde, de amor, desmaio.


(06 / 2006)

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Prece



Senhor,
livrai-me dos ismos
fronteira de abismos
mas não da saudade.

Que o saudosismo
é vício da alma
veia de escapismos
de quem tão sem calma
ficou no passado
do lado estragado.

Senhor,
livrai-me dos ismos
quaisquer fanatismos
mas não da saudade

Se fosse... Não foi.
Ficou, se enterrou
viver sempre doi
dor de narcisismo

E nenhum passado
é mais que o presente
para quem não sente
a estrada do tempo
não há escapismo


Segui-la nos resta
o resto se empresta:
de trapos de infância
faz-se reciclável
intensa esperança
futuro provável
sem pragmatimo


Senhor,
livrai-me dos ismos
sombrio niilismo
mas não da saudade

O absolutismo
não quero, em verdade,
prefiro a quimera
num chá de maçã
futuro, e, nem era.
Mas algo me espera
e sempre é amanhã.
via do lirismo
da regra a exceção

Senhor,
livrai-me dos ismos
mas não da saudade
eu só quero breve
pouca eternidade
como pluma leve
planando em eufemismos



Elane Tomich
T.Otoni, 04 / 2011



domingo, 1 de outubro de 2017

COTIDIANO I


Como um dia especial
Que se afogou num relógio,
Entardecendo banal.

Como uma dor maltratada,
Contendo seu brilho em lágrima,
Fez-se luz fossilizada.

Como um som rasgando o dia,
Impreciso e esquecido,
De se fazer melodia.

Como tudo que se posta,
Em arranjos de mau jeito,
Numa natureza morta.

Como toda nostalgia,
Calando quente no peito,
Vivo em pretérito imperfeito.

Elane Tomich Tomich    

Curitiba, 06 / 1994


terça-feira, 26 de setembro de 2017

Cotidiano V



Entre a flor e a ventania
a fresta de luz e a seta
a escalada e a bicicleta
o deserto e a companhia
nesse a perder de vista...

...Entre a sala de jantar
e de estar em solidão,
que venha o chocolate
em vez da salada mista,
num descuido que resulta
no desmanche do cuidado

Entre a sim e a verdade
entre o não e a vontade
que a gente só quer se amar
mesmo assim sem precisão
entre o meio e resultado
num macio que perdura
entre o abismo e o lado a lado


 Elane Tomich 

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Cotidiano V



Entre a flor e a ventania
a fresta de luz e a seta
a escalada e a bicicleta
o deserto e a companhia
nesse a perder de vista...

...Entre a sala de jantar
e de estar em solidão,
que venha o chocolate
em vez da salada mista,
num descuido que resulta
no desmanche do cuidado
entre a sim e a verdade
entre o não e a vontade
que a gente só quer se amar
mesmo assim sem precisão
entre o meio e resultado
num macio que perdura
entre o abismo e o lado a lado

Elane Tomich
T. Otoni,08 / 2011


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Qual é?



É igual grito de guerra
raio triscando a serra
é anúncio de trovão
fim do mundo oco sem fé
fim do poço sem dar pé.

Qual nada!
Era só meu coração
que em rumo até você
havia perdido, há muito
a ponta do fio terra
a vagar sangue sem curso
em vários curtos circuitos
sem acerto de estrada

era igual banco de praça
vazio de bicho ou gente
sombra presa ao ausente
vazio estado de graça.

era igual veia enrolada
nó que amarra dor
era lágrima retida
era sequela de laço
pronta pra ser vencida
pronta para ser abraço
em vestimenta de amor.

Qual o que!
Éramos sós em porques
éramos nós sem você.

Elane Tomich Tomich