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quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Mais tarde




mais tarde
quem sabe
eu tente
um poema
irreverente
que me tire
deste sério

que me arranque
do velho dilema
de ser ou não ser

que pena
até porque
me acostumei
com o fantasma
da dúvida cruel
já que o resto
é coisa de cinema


 – Lota Moncada

sábado, 24 de junho de 2017

Nos custam as coisas
As pessoas nos custam
Custa-nos encontrá-las
Custa-nos perder
Às vezes temos dificuldade em amar
Custa-nos voltar a rir
Custa-nos esquecer depois
Sempre nos custa um revés
A diária partida nos custa
A vida nos custa a vida

(lota moncada-23.6.17)

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Um outro olhar

- Lota Moncada

Nos dias em que me perco de vista,
em que o contorno de mim
fica incerto, indistinto, vago,
necessito um outro olhar
que me devolva o ar, o raro,
o íntimo desdesenhado,
átomos do ser divididos pelo tempo,
partículas do eu dispersas na história.
Essa velha cartomante míope
que confunde futuro, presente, passado,

no sujo baralho da desmemória.

sexta-feira, 25 de março de 2016

"esqueci"

esqueci da tua pele
a umidade
no árido desencanto
e a frágil memória
(mal dos tempos
embora em versos)
lhe esculpiu o epitáfio


(lota moncada)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A cara a tapa





Dá licença, vou à luta.
Quero ser unicamente,
sem ditame de ter que,
nesta vida bruta.
E se isso implica em ser
alegre, tristonha, feroz,
agridoce ou chata, lá vou eu
- mesmo sem permissão -
dar a minha cara a tapa.
 
 

 Lota Moncada (16.1.13)