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quarta-feira, 29 de abril de 2020

Fidelidade




Não a coerência com a identidade
Nem a glória na qual repouso
Naturalmente

Impelir-me-iam,
Grosso modo.

Pois todo arremate, enigma,
Subjaz

Underground vertente original
ACM

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Tacitamente




Para tais finais ou
Seres reais,
Serem, mais.
Suportariam-se ou se
Entrelaçariam,
Interpolariam,
Perdurariam na mente
Como tais.

Afinal o que importa,
O que não é igual.

Sou a água pura que
Não permeará o esterco

Naqueles carnavais.
ACM

O sol no deserto



Depois de muita luz,
Depois de muito pus,
Depois da tarde,

Depois do alarde,
E, mais ainda, depois.

Surge, insurge, ressurge e vai
Ao revés da história
E no viés da lei.

Surjo no horizonte do amor,

Sou letra, signo, mensagem
Sou passagem de som,
Sou mares sem tom,
Sou ou não sou.

O tempo se adiciona à aura
"Mil maneiras de preparar Neston"

No pomar de frutas do conhecimento,
Na angústia de sofrimento
Da fome
Todas as frutas eram fruto proibido

Proibido

Pelos patrões.
ACM

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Genuíno Estrelato



Se de luzes ou esperanças,
Em terras secas pela luz.

Pela mesma luz.

Se de horizontes aos intrínsecos
Catálogos de significados
Às reais metáforas.

Vivo.

E amo, escrever.

ACM




quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Cor e som



Desde que signifiquei
A olhos outros
Não fui eu

A expressão se me veio
E, sim, se perdeu.

Um amor, um valor, uma
Matéria, um som, ideia
Ser,
Qualquer ser.

O atropelo terráqueo humano
Rotineiro

Sou póstumo para essa
Geração,

Meu poente anonimato.
ACM


sexta-feira, 8 de novembro de 2019

A moda




Em suas luas sempre
Um sol
Sem ser solicitado.

Em seus papéis a mancha
Do real,
Sem ser solicitado.

Em sua vida quadrada,
Sem um quê de sonho,

Flui, tal qual.

Em seus 10 segredos para
A felicidade,

Nem seu próprio aval.
ACM





No topo, do lixo




A responsabilidade pelos destinos
Nos cristais das canetas,
Pretas e azuis, sais de si
A deslizar, significantes, pelos
Planos e semblantes de sóis.

Fluxos astrais aleatórios decidindo
O rumo das humanidades abstratas.

Ao telefone, ao semáforo.

Instantes de sedação não
Adicta, porém, mais.
E mais.

Voam cadavéricos, arquétipos,
Em propaganda política, sistemas
Eleitoreiros pares reais.

Fluem ao sabor da história, sim

Observam os pixels reais de minha
aura virtuosa,

Ao atravessar, na faixa, deixo
Um corpo que vai.

Um espírito que a ciência aborta,

E a leitura se faz.
ACM

O vácuo exato




Desde que perdi isso,
Vivo assim,

Um hiato, mais oblíquo
Que o porém.

Não reclamo, não adulo
Não exclamo, e não rotulo

Vou além
ACM

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

A doce lira de Perséfone




A recusa da guia, em
Substantiva aporia.
Julgaria tardia a tenra
E salobra sangria.

Quando ali estrebuchava
Estrelas pela boca
A exercer a lágrima que
Escorria,
Pelas surdas paredes.

O sonho se dissolvia
No arquétipo em carniça
Tal espírito e ponte.

A julgar a problemática
Histórica da literatura.
Assim se satisfaria.

Porém, controle remoto
Empunhado, meus olhos
Queria.

Passei e fui aos topos
Das fendas dos abismos
No ser.

Ainda perguntam se quero
Preencher
Com dourados clichês.

Pisoteio amarguras com
Meus pés emoldurados pela ágil
Sabedoria universal.

Entabulo arestas rotas
Austeras trouxas às quais
Quiçá dignidade estética

Comisera significar.
ACM


Meia-noite para um sabiá



            (Luz é o copyright)

A efêmera frase feita,
Factual e sóbria, após
Nada gozar.

O ritmo fúnebre das páginas
Emprestadas destapam olhos
E inconscientes, mentes e faróis.
Pois desperto se foi, sol.

Ao pé da ágora que se
Instaura sem aura ou

Não sou.

Voo, vou, velejo aos ventos
E não ao mar.

Sói encontrar significado
No verbo conjugado
Regido, concordado
Em não se ufanar o
Escarlate pedantismo à
Luz de uma só aurora
De olhar.

Diria que elevava,
E reverberara, tal forma
Fosse par.

Com quantos dinheiros
Não iria
(Sim, bela Iria)
Assim me comprar.

Lembre-se desse nada
Que sou.

ACM

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Caminho e sol




Partícipe do fel,
Sem céu ou valor.

Entabular amor ou
Atenção

Vertente underground
Rumar ao sol, sempre
Liberdade é latente
E se comove quem quer.

A priori o estilo, erudição.
Esperam se fartar.
A significante sede extinguirão.
Os porquês da opinião.

Não escrevo, não.
Faço digitação.

Estética é ar

Verta teu pus.
Aluda ao Estige.
Navegue e mais.

Cada um é cada um

E nada além.

ACM


sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Espaço para a graça




Falaria dos saltitantes,
Semblantes em tez,
Ou dos instantes,
Rampantes de paz.

De quais Rembrandts e,
Mais,

Se olhos sobre a tela,
Julgam sinais.

Suas quatro ancas,
Pelos quatro cantos
Da solidão em fogo,
Que julgavam merecida
(A si mesmos)
Os intelectuais.

Os gracejos de Voltaire,
Os sermões da montanha,
Os livros,
Os jornais.

Estivera, adormece
E vai.

Os cabelos que me reivindicam
Não julguem minhas letras,
A acariciar, com o verso.

Esses nojentos bacanais.

Que passam,
E passam,

Pela tela da brega,

Amargura sem fim.
ACM


Oxidação no DNA da inteligência.




Suma palavra, mirtilo
Estilo e vício,
Verbetes em brasa,
Sigo, tom.

Desmedido aos cães
Letrados, adulado verbo
Ressignifica paz

Os mais, os menos
Os plenos, os iguais
Os que leem, os que ditam
Os que voam, os que caem.

Por sobre os candelabros
Da percepção imediata,
Do bom gosto.

Elevo um canto,
Não tanto aos que criam
Asas,
Mas, tampouco os que
Edificam casas,
Ou que dissimulam
Sensatez.

Elevo um pensamento,
Aos holofotes gratos
Do genuíno intelectual francês.

Não defendo a Grécia,
Não vivo o Brasil
Não durmo com a caneta,
Não emulo sonho febril.

Se quer
Se der
Se ler, e aqui morar
Volte, duas casas e meia
E atinja uma planície rasa,
Cujos olhos em brasa
Semeiam, com cascos
E ferraduras práticas
O chão das delicadezas
Históricas,
Com leguminosas de espinhos
Exigindo o soldo,
Que haverão de pagar.

Ignore o mundo, imperativo.
Siga, conjugado,
Verbo.

Exercite a tabela dos advérbios
E os modos de ser,

Ou de não ser,

Néscio.
ACM

Nuance do ser




Se com dois, ou três,
Versos, tão...

Cadenciasse, abrupto,
Ar...

Se com correta pontuação
Proseasse o poema

Disporia enredo e tema
A te entreter,
Leitor.

Hoje, pincelo, com as cores
Do espírito refinado,

O brado obrigado,
De proletários ignorado:
O alfabeto cortês.

Pois tudo é sabido.

Desde que trabalhadores,
Não braçais,

Engendraram a enciclopédia.

Não vejo graça
Em pornochanchadas
Comparadas,

Com a lira de Apolo.
ACM

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Sacerdotal




Demasiado diligente o
Pensamento
Jorra sobre a arte

Em parte e destarte
Pruma a verve

Sem quê, sem mar

E de ar em ar se asfixia.

ACM

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

O mito




O mito do cabrito por
perto, apodreceu

O mito do infinito
Por lá desfeneceu,

O mito do jacinto,
Nunca se deu.

O mito do Olimpo,
Jamais alguém conheceu.

O mito da casa de barro,
Ao luar se sucedeu.

O mito das favelas sinceras,
Existiu sem ser outrora

Mito ou teorema.

O fato é que se deu.
ACM



Apolo e sua nau




Das funcionalidades,
Em motriz panaceia,
A quimera do clichê se reverbera,
Ao alto da paixão menos sincera,
Uno o deus,
Dou aula de significados,
Em pão,
Onde buracos se elevam
Por sobre a tormenta,
Dos que se expressam em vão.

Catapultam autômatos nadas,
Em casas perfumadas pela

Agnóstica solidão.
ACM

Estratosfera



Eu queria, um ar
Eu levava ferramentas
Eu instruía as sedentas,
Eu,
Pensamento.

Por onde estive nestes vácuos?
Meus portais...

De mais a mais, resignam-se
Em ressignificar,
E por catapultar telas, totens mudos
Vão em suas capas e seus veludos
Arfar estilos, no bronze dos anos surdos.

Planejamento é tudo, ó humano!

Não fale por falar,
Não pense por pensar,
Não relaxe o verbo,
Que te quer conjugar.

Una as pontas do universo,
Subtraia dores das pontes universais.
Pois se tua escrita tem sentido histórico,
Pois se tem,
Quem julga não sou eu, vácuo meu.

O significado da palavra atravessa o cosmos,
E tua morada no ego, farfalha lava e brasa,
Nada mais.

Suba ao alto de si,
Caminhe para a felicidade,
More no eterno,
Repouse no vácuo,

Sim o vácuo.
ACM

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

As belas corujas sabem mais.




De repente eu fale de mim,
Que sou assim,
E mais além.

De repente eu queira alguém
Por perto,
Quando não tiver ninguém.

De repente eu confie meus
Tesouros aos olhares dos doutos,
Que os querem,
Sem querer.

De repente o futuro cure o passado,
De repente a luz ilumine a treva.

De repente essa gente se vá,

De repente.

Uma instância de silêncio
Se sobressai à minha paz.

E vou

Pelos mares revoltos, encantos
Em olhares secos.

Os meus olhos estão secos,
E meu ser não se nega.

Ontem eu voei por todo o globo
Ontem eu fui eu mesmo.
Hoje também serei.

Ninguém viu minha luz.
Todos me deram conselhos
Sobre a dor.

Eu repetia que queria asas.
Que não poderiam me dar.
Eu voaria para minha casa,
Eu rumaria para um lugar.

Hoje sonho sonhos
Em preto e branco.

Hoje reclamo de tudo
Com o olhar.

Pois aprendi que mar é mar
E ali,

Tudo é navegar.
ACM

O desejo de ser alguém




Os muitos lodos em terabytes
De escolhas e vitupérios da forma
O juízo do bom gosto,
Pra quê?

Tuas elites consomem.
Teus analfabetos se encolerizam
Teus amores fogem
E tua ideia não é tua.

Fuja para o alto de si mesmo
Seja mais que o amanhã.
Encontre teus amigos, os livros
Que jamais te darão sorrisos
Nem abraços,
E nem porto, e nem calor.

As palavras extintas te despertarão
A curiosidade,
Poderes ocultos do além mar.

As epopeias te distraiam
Pelo éter da tua pequenez
Quando te detivestes a se perguntar.
No meio do mar,
Tudo é navegar.

A cultura te inspira superioridade,
E os estilos bailam por tua
Tez em êxtase.

Comete barbáries em expressões
Obedece ao teu exterior.

Julgue, por ora, apenas que os
Pássaros voam,
E nada mais.

Eu venho das terras habitadas,
Eu venho de onde se conhece
O amor.

Fuja para o deserto dos teus olhos,
Corra, pois os significados estão famintos
De palavras.

E destroem toda liberdade,
Impondo o ser.
ACM