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domingo, 20 de agosto de 2017

“ela é o vento…”


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ela é o vento que você nunca deixa para trás
gato negro que você matou num lote vazio, ela é
o cheiro das ervas de verão, aquela que espreita
pelos armários abertos da infância, ela tosse
na sala ao lado, pios, ninhos em seus cabelos
ela é íncubo
face na janela
ela é
harpia na sua saída de emergência, estatueta de mármore
talhada na lareira.
Ela é cornucópia
que lamenta na noite, abraço mortal
você não pode interromper, olhar negro cristalino
de garotas loucas entoando cânticos por trás da engrenagem, ela é
o silvo em suas despedidas.
Grão negro no verde jade, som
do silencioso koto¹, ela é
tapeçaria incinerada
em seu cérebro, o manto flamejante
de plumas te carrega
para montanhas
enquanto você corre em chamas
até
o mar negro
Diane di Prima (1934)

¹Koto é um instrumento oriental, semelhante à cítara

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Fragmentos de um discurso ao FBI


Ai vocês de borsalino ou impermeável dão testemunho
Dos dias fugidios, data & horário?
As viagens de metrô para amantes esquecidos
(Vocês em verdade os têm para sempre, identidade & 3x4?)
Os velhos números de telefone, cujo ritmo não mais
Canta por nós, descrições de carros há muito mortos?
Ai cronistas ternos de nossas vidas irisadas
Obreiros benditos no arquivo labiríntico
Querubins gravadores que relegarão ao fogo
Identidade & formulário, papéis e corpo enquanto nós
Ascendemos em cânticos acima das árvores.

Duane di Prima


revistamododeusar.blogspot.com