Se num sopro de pó surjo no mundo,
Folha virgem expelida na estrada,
Que eu redija em mim um ente fecundo
Tracejando meu destino entre o Nada.
Que ao existir eu confira meu valor
E neste plano erga minha essência,
Se não vim do ventre dum Criador,
Que em Terra abrace eu a transcendência!
E se ao morrer, findar em cois’alguma,
Poeira consumida... caos do Universo,
Orvalho amanhecido em fria escuma,
Desfeito nos vãos do tempo perverso,
De todas as coisas, quero só uma:
Que eu dilua... mas que fique meu verso.
Alessandra Bertazzo
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quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Abraço de adeus
Abraço do adeus
Lerás porém algum dia
Meus versos d’alma arrancados,
De amargo pranto banhados,
Com sangue escritos.
(Ainda uma vez, adeus! – Gonçalves Dias)
Aquela noite sob a bruma fria
Em que até a Lua s’entristecia
Quando de mi, já tarde, te despedias
Em minh’alma uma sombra caía
E no peito uma sensação tão vazia!
Pois que naquele singelo abraço
Dizias-me, tu – “Adeus” -, Amigo e não sabias!
Alessandra Bertazzo
Lerás porém algum dia
Meus versos d’alma arrancados,
De amargo pranto banhados,
Com sangue escritos.
(Ainda uma vez, adeus! – Gonçalves Dias)
Aquela noite sob a bruma fria
Em que até a Lua s’entristecia
Quando de mi, já tarde, te despedias
Em minh’alma uma sombra caía
E no peito uma sensação tão vazia!
Pois que naquele singelo abraço
Dizias-me, tu – “Adeus” -, Amigo e não sabias!
Alessandra Bertazzo
adormecido
Para A. de Azevedo
Sereno, ao calor da Cheia ele dormia
Sobre alcova de rosas derramado
Em sono respirava incenso e poesia
No véu da noite, negro e perfumado
Era um anjo do céu na bruma sombria
Pelo braço de Morpheu acalentado
Que de sonhos s’afogava e se nutria
Em nuvens d’algodão, o meu amado!
Muito belo! O corpo descansando...
Doce boca os lábios entreabrindo...
Formas másculas o leito revirando...
Não censures a mim, amante lindo!
Em ti – às escuras eu rio chorando
Em ti – às claras eu choro sorrindo!
Alessandra Bertazzo
Sereno, ao calor da Cheia ele dormia
Sobre alcova de rosas derramado
Em sono respirava incenso e poesia
No véu da noite, negro e perfumado
Era um anjo do céu na bruma sombria
Pelo braço de Morpheu acalentado
Que de sonhos s’afogava e se nutria
Em nuvens d’algodão, o meu amado!
Muito belo! O corpo descansando...
Doce boca os lábios entreabrindo...
Formas másculas o leito revirando...
Não censures a mim, amante lindo!
Em ti – às escuras eu rio chorando
Em ti – às claras eu choro sorrindo!
Alessandra Bertazzo
Outono n´alma
Outono n'alma
Se tu viesses [...] / A essa hora dos mágicos cansaços / Quando a noite de manso se avizinha, / E me prendesses toda nos teus braços... (Florbela Espanca)
Se tu viesses amar-me agora à noitinha
À hora em que Vênus no céu resplandece
Quando a monotonia do outono adivinha
Este silêncio imemorial que o peito aborrece
Oh, que tamanha felicidade esta minha!
A esperar-te num leito d’estrelas celestes
Abraçar em ti o universo em água marinha
Desnudando mistérios e prazeres terrestres!
Se viesses amar-me, meu bem, à hora vadia
Quando no peito esta dor mais s’enterra
Revestida em nuances e tons de nostalgia
Como as sombras que caem sobre a Terra...
A hora em que a noite voraz abraça o dia
E uma lágrima de saudade o olhar dilacera...
Ah, se viesses, meu bem...
Alessandra Bertazzo
Se tu viesses [...] / A essa hora dos mágicos cansaços / Quando a noite de manso se avizinha, / E me prendesses toda nos teus braços... (Florbela Espanca)
Se tu viesses amar-me agora à noitinha
À hora em que Vênus no céu resplandece
Quando a monotonia do outono adivinha
Este silêncio imemorial que o peito aborrece
Oh, que tamanha felicidade esta minha!
A esperar-te num leito d’estrelas celestes
Abraçar em ti o universo em água marinha
Desnudando mistérios e prazeres terrestres!
Se viesses amar-me, meu bem, à hora vadia
Quando no peito esta dor mais s’enterra
Revestida em nuances e tons de nostalgia
Como as sombras que caem sobre a Terra...
A hora em que a noite voraz abraça o dia
E uma lágrima de saudade o olhar dilacera...
Ah, se viesses, meu bem...
Alessandra Bertazzo
Quase Morte...
Uma nuvem confusa me enevoa o olhar.
Não ouço mais! Eu caio num langor supremo;
E pálida e perdida e febril e sem ar,
Um frêmito me abala... Eu quase morro... Eu tremo!
(Safo)
Quando teu membro em transe me recebe,
Sugando meus vãos numa ânsia louca...
Sinto em meu corpo tua intensa febre
E a esse fervor me penso um tanto pouca...
Teu falo em fogo, em fúria, firme e forte,
Flamejando em meus flancos, frenesi.
Sou-te efeito túnel e quase morte,
Frêmito ardente, a fremitar por si.
Duas almas nucleadas em etéreo
Perfazem num instante um ano-luz,
Vagando sob as valas do Mistério...
Esquecem na Terra seus corpos nus
E desfraldando-se em mil planisférios
Espasmamos num Céu que em nós reluz... Alessandra Bertazzo
Não ouço mais! Eu caio num langor supremo;
E pálida e perdida e febril e sem ar,
Um frêmito me abala... Eu quase morro... Eu tremo!
(Safo)
Quando teu membro em transe me recebe,
Sugando meus vãos numa ânsia louca...
Sinto em meu corpo tua intensa febre
E a esse fervor me penso um tanto pouca...
Teu falo em fogo, em fúria, firme e forte,
Flamejando em meus flancos, frenesi.
Sou-te efeito túnel e quase morte,
Frêmito ardente, a fremitar por si.
Duas almas nucleadas em etéreo
Perfazem num instante um ano-luz,
Vagando sob as valas do Mistério...
Esquecem na Terra seus corpos nus
E desfraldando-se em mil planisférios
Espasmamos num Céu que em nós reluz... Alessandra Bertazzo
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