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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Memórias




Memória, bloco de gelo imersa no tempo...
Concretudes embalsamadas, abraçadas ao vento!
À noite arremessada pela Lua num céu em desalento,
de dia, assoprada como bolinhas de sabão ao relento.

Um tempo abstraído do cimento cortante,
perdido nas escadarias do cotidiano cinzento...

Me abstraio do tempo e entro em comunhão com a solidão,
danço um solo na escada do tempo
em seus cantos cheios de excrementos,
sou assistida por insetos solitários, perdidos em seus intentos,
dou uma pirueta e volto para os meus aposentos.

Cruzo essas intensidades e me deixo ser,
como pingos da chuva, que começam a escorrer
na lama da preguiça e do prazer...
Atravesso séculos, num voo infinito do renascer.

Sou dona do meu tempo e faço a vida girar,
de salto alto e vestido longo atravesso o bravio mar,
assisto Maria Callas com violinos aos soluços,

sofro açoites do tempo e busco novos percursos.


The end


Luiza Silva Oliveira           19 de agosto de 2011

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Um rap para São Paulo da garoa.


Luiza Silva Oliveira        

São Paulo da garoa,
da chuva que não escoa,

das enchentes, das nascentes...

Cemitério da Consolação,
Augusta e Paulista,
arco-íris e ametista.

São Paulo ronda os butecos,
há sangue no bar,
você não soube me amar,

gente louca, varrida,
hemorroidas e polaróides,
academias e poluição,

esteiras e samba-canção,
solto gritos de emoção!

Garganta seca,
CADÊ A NEGA??

Solta aí uma cachaça,

são os borburinhos dos bares,
é a eliminação de todos os males,

solta a tensão!
Stress, depressão, poluição,

olha, que isso dá uma canção...

The end.


domingo, 26 de maio de 2019

filhos da imperfeição





passo a mão em meu rosto e limpo névoas do cotidiano....
vejo uma foto, eu eu meu irmão no jardim da luz,
sentados, em tenra infancia, de mãos dadas...
adormeço no berço com nenês de dentes afiados,
sofro mordiscos prá esquecer as dores da perfeição...

nos arredores do desajuste,
vou ao encontro dos escombros da infância,
dou uma volta em carrinhos quebrados,
em circos dos arredores,
jogo fora, meu saco de bonecas de pano,
brinco de casinha com maria manca,
amiguinha de infancia,
canto, oh canta cigana, com Terezinha de Jesus
filha da perfeição...

entro em telas de filmes clássicos antigos,
no filme Ébrio...
bebo nos botecos da esquina
com Vicente Celestino, e juntos cantamos coração materno...

me fantasio de ébria das afilições e dos desatinos..
encontro maria lantejoulas, me empeteco de balangandãs,
e juntas vamos encontrar outras filhas da imperfeição,
maria manca, junca bebe-bebe e zé ampulheta...
formamos assim, o cordão...colorido, esgarçado...

The end

Luiza Silva Oliveira     

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Dor sem rastros




Velejo em mares bravios, sem saber nadar,
me encosto no deus Netuno, glorioso deus do mar...
Arranco enfeites supérfluos da minha casa dourada,
desenrosco calos da alma da vida inerte, desalmada.

Me encontro com marginais pedintes em plena avenida,
assovio canções tristes e me perco numa subida
da rua da aflição, entro numa rua contramão...
Sozinha, chorosa, escancaro minha solidão....

Consolo-me com o vinho, a água e o amor
assisto uma grande missa, cheia de louvor,
reencontro minha fé perdida, escondida...
Regurgito a esperança numa terra banida...

Perdida, cheia de feridas, numa rua esvaída...
Procuro uma cachoeira e rezo pra minha padroeira,
ouço fascinação com o coração arrebatado,
deixo feridas abertas e meu vestido desabotoado.

Busco minhas raízes e me perco na escuridão
me escondo na infância e começo jogar botão,
dou um abraço em meus sentidos e rasgo meu vestido..
Fervorosa, sem escrúpulos, solto minha libido.

Oh! Amorosa vida que aqui me chama
exalo o odor da dor e caio na lama,
me deito no templo da perdição entre afetos do coração,
deslizo na vida gloriosa, em pura comoção.

The end

Luiza Silva Oliveira          

sábado, 2 de março de 2019

Indelicadeza




Garimpo pérolas perdidas da delicadeza
em flores perfumadas no jardim da realeza
encontro fragmentos de seres travestidos de odaliscas
em véus transparentes,adornados, em flores de almiscar

Escondem suas indelicadezas num bau cerrado...
cheio de intelectos destroçados e corações macerados
com suas almas decadentes, escurecidas
contraem dúvidas em virtudes distorcidas

Quebro todas as taças em desamores.
Fujo da indelicadeza como num circo de horrores
contemplo a delicadeza da nascente verdejante
me despeço dessas certezas mirabolantes

filhos de guetos escuros assombrados
com seus intelectos deteriorados
como remanescentes de pesticidas
fabricam emoções em sutilezas, amortecidas

descomunhados de afetos sutis, fecham alas
caminham em minorias disfarçadas, como bengalas
em solidariedades camufladas emperradas
cravam seu vigor, seus ímpetos, em afetos sem alma...

caminham na escuridão permanentemente
não conseguem ver a claridade reluzente
de seres sóbrios de almas aclareadas...
de vidas coloridas, cantantes, amadas....

vestidos de jagunços da força, da vaidade
forçam a barra, contaminam a garra
permancem escamoteados, vagueando no lixo
encontrando assim, seu habitat, seu nicho

Filhos da penuria e da aflição
se afugentam na garoa da escuridão
sem alma, sem aconchego,
voam como morcegos,

não suportam a claridade do dia,
se entregam ao torpor de suas vidas vazias...

fantasmas do desamor,
remanescentes do circo do horror,
irmãos da não cordialidade
remanescentes da rancorosidade

seres contaminados,
perdidos, afugentados........

The end
               
Luiza Silva Oliveira

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019



*
Felicidade... pedaços de papéis picados voando no céu , estrelas reluzentes piscando num céu escuro,rostos sorridentes numa multidão apática, um olhar parado longínquo de esperança....


Luiza Silva Oliveira       

vozes mudas


       
estátuas de bronze adormecem nos jardins dos esquecidos,
cabeças cortadas submergem no esgoto cheio de lôdo,
crianças com vendas nos olhos, retalham filhotes de passarinhos,
entre a fome e o frio congelado, brincam de mímica nos suores da noite,

com suas calças rendadas, prostitutas fazem a ronda da noite,
em esquinas escuras, postes altivos iluminam o vazio ensurdecedor,
Sirenes barulhentas ferem o silencio seco sem aconchego,
ratazanas saem do seu esco nderijo, bisbilhotando transeuntes pálidos,

loucos feridos fogem de hospícios com seus aventais compridos
afugentados das alucinações patinam na neve da comoção e da dor,
comiserados do destino sofrem atentados do desatino,
árvores descontroladas soçobram nas tempestade de pedras,
ventos alucinantes dançam na escuridão chuvosa....

fúrias engessadas cobrem devaneios inúteis,
possessos se trombam em avenidas escuras,
tenentes sem fardas lamentam o tempo perdido
meninos de rua limpam faróis quebrados, cortantes,

vozes sem liberdade escoam em ralos fétidos,
amores em vão raspam carnes sanguinolentas,
gemidos adormecem em calçadas cheias de võmitos,
romances se quebram em bares da esquina...

pescoços pendurados apodrecem em praças públicas,
vozes esgarniçadas ressoam no infinito...
cantos de rouxinóis fracassam em rochedos montanhosos,
restos mortais se misturam com fragmentos de vidas....

THE END

Luiza Silva Oliveira  

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019



Me contamino de venenos mórbidos exalados do social, vomito vísceras entaladas, como o fígado,pâncreas, baço...
Me refaço, mergulho na natureza e me recomponho com um chá medicinal Mozart, limpo meu fígado e minha vida de porcarias e quinquilharias; renasço com a nova nascente do rio, agonias do deserto, em quinta dimensão, transformo-o ,num oásis de fertilidades comandadas por mestres da poesia,da filosofia,da solidão...


Luiza Silva Oliveira     

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018


    
faço da memória um bloco de gelo e atiro no tempo e me desfaço das concretudes...transformo tudo e todos em bolinhas de sabão coloridas...assopro as bolinhas e me perco no espaço com o vento...
saio das intensidades e me deixo escorrer como os pingos da chuva....escorrendo na lama da preguiça e do prazer....



Luiza Silva Oliveira

chuvas com lágrimas




melancolicamente olho vidraças respingadas...
vejo a garoa choramingando....desencantada
ouço Chopin perdido em seus lamentos no piano
percorro meu corpo com apelos em diversos planos

o tempo sem cessar emite sons em tons plangentes
lacrimeja em águas glamourosas com tons bucolicosos,
roçando nos sentidos, desponta apertos gloriosos,
devaneios incontidos de encontros amorosos...

visualizo o horizonte num chorar clamante...
planícies submersas aprisionadas em sons arfantes,
choupanas deflagradas naufragando em tons cantantes,
cânticos chorosos, lamentosos, chamantes, delirantes.....

águas abundantes pranteiam incontidamente
sorvendo prantos enterrados em tumbas ressequidas,
de amores soterrados em tempos imemoráveis
da renascença, da antiguidade, de afetos implacáveis

Águas com lágrimas, chuvas com almas depuradas
desembocadas num oceano gigantesco azul- cintilante
aguardando sua estiagem, em fervores incontidos
numa procissão de seres em clamores palpitantes!!

ritos de águas armazenados em tons sepulcrais,
desaguados em naturezas prósperas descomunais,
regando cânticos, seres floridos em suas sensações,
em fortes abraços, conjuminados em suas várias uniões..

desejos contidos soterrados em jazigos piramidais
aprisionados pela terra umedecida em águas celestiais,
se libertam como o silencio murmurante em ritos fraternais,
nutrindo sons infinitos de conjurações míticas universais.

The end

Luiza Silva Oliveira

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Um rap para São Paulo da garoa.




São Paulo da garoa,
da chuva que não escoa,

das enchentes, das nascentes...

Cemitério da Consolação,
Augusta e Paulista,
arco-íris e ametista.

São Paulo ronda os butecos,
há sangue no bar,
você não soube me amar,

gente louca, varrida,
hemorroidas e polaróides,
academias e poluição,

esteiras e samba-canção,
solto gritos de emoção!

Garganta seca,
CADÊ A NEGA??

Solta aí uma cachaça,

são os borburinhos dos bares,
é a eliminação de todos os males,

solta a tensão!
Stress, depressão, poluição,

olha, que isso dá uma canção...


The end.


Luiza Silva Oliveira       

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Fantasmas da Noite



Luiza Silva Oliveira

Nos latejos da noite, fantasmas perpassam minha memória...
cubro minha cabeça tentando sufocar-me...
os ruídos da rua, com suas motos e automóveis barulhentos me reconduzem à aspereza da vida.

Me desespero, me reconduzo.

Os fantasmas da noite lentamente se desfiguram e vão se transformando em personagens na minha psique...
nas rudezas do seu caminhar, ensaboam-se na lama, com seus pés sujos, afundando em um lôdo quase, sem regresso...

Um medo taquicardíaco me invade; e busco uma fuga para o meu ser.

Os fantasmas me invadem e caminhamos juntos, na madrugada, buscando novos rostos transfigurados para compactuar com nossos sentindos,
Nessa doce cumplicidade, a madrugada com suas luzinhas coloridas, dança no seu cabaret de ilusões e sonhos;

Sonho com a atemporalidade e o renascer. Movo-me.Locomovo-me entre as agruras do tempo, tentando aquietar meu coração. Decepo minha alma, entre monstros cortejantes e volto para o regalo dos desejos e das inquietações

ah...meus nervos latejam novamente... me desgarro do passado, por um instante...

O novo se descortina, esbarrado pelos muros e escombros do passado...
me regozijo com o seu passar e lentamente vou aspirando cada sopro de vida, esgarniçado,
escarniçado...

Com os olhos vermelhos, injetados, busco um soro para a poeira da solidão...

feridas e cicatrizes desfilam ao som de tambores de fanfarras juvenis...
veias entupidas naufragam num mar de esperas e incertezas, aguardando sua travessia.

Respiro o ar trêmulo da noite, me apaziguando com cada clarão que se anuncia...

- os fantasmas em uníssono, questionam...são as luzes da ribalta?

Perpasso... no ritual; na santidade me resguardo, ansiando o sinal da vitória;
como numa longa estrada da terra vermelha, vou tramitando, buscando sinais de vida;

Trêmula, vanglorio-me entre o rastejar e o caminhar coxo...

me espreguiço e num tombo desolador, caio da cama.

Desperto para o novo dia anunciador, da vitória ou da derrota - como tipos esquálidos que atravessam o túnel escuro, sem pestanejar.

São os delírios mirabolantes do destino que desatinam sempre à mercê de chuvas e trovoadas...

The end