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terça-feira, 8 de outubro de 2019

A Ponte (Marienbrück)



A ponte no alto de um despenhadeiro, eu com ela a balançar,
não caia ponte, tenho medo, mesmo que milhares a vejam de lá.
Sob o sabor de um forte vento frio, senti a ponte a me guiar
para os teus braços amor meu, senti teu corpo ao me abraçar.
Ponte que nos faz ver bem longe no horizonte, planícies verdejantes,
pinheiros,lagos, gelo no pico dos alpes,cuja vista me assombra,
trazendo respingos d ‘água no meu rosto, ainda que de jeito,
Tira de mim qualquer outro gosto que não seja o de contemplar!!
Ah, ponte, vai buscar o lamento, que nos une ao mundo de Deus perfeito,
Vai buscar ligeiro a memória fria de qualquer ponto do universo
já não me importa quais sejam as rimas dos meus versos
Se não sei onde andará, um gole desse lamento feito
Oh, ponte que balança, frágil, de cordas e madeira tão nobre
De onde se avistam castelos de contos de fadas e de um rei à frente de seu tempo
sensível à beleza, ao amor, aos cisnes de pedra, Lohengrin musical,
que de fim trágico sequer chegou a sentar-se no trono real.
Ponte onde passam ricos e pobres, ponte móvel, ponte dormente,
Aquela que nos une ao silêncio de Deus com a brisa fria na face ardente,
Ponte que urdiu tramas na madrugada, para salvar povos de guerra e doentes
Ah, ponte, que assim como une margens, penhascos, montes
Estradas da vida corações ardentes, ponte que une a mim e a ti
Traz nossos aromas sutis diluindo a saudade da tarde,
Sela com amor e carinho nossa tão grande amizade.

Carolina Monte Studart Gurgel 

Fortaleza, 19.03.11


Absolvição ou condenação



Somente signos, símbolos, sinais visíveis sugerem a existência de um princípio de uma alma pensante invisível.
Ainda que eu não possa ver, com os olhos do corpo, com a carne inflamada
o Deus invisível, vejo, percebo de mão cheia com todos os sentidos .Não com a mesma prova, cabal, induvidosa, a existência de Deus.
Não tenho duvida nenhuma, nem um "in dubio pro reo", que na minha mão não caiba uma lua cheia. Se me absolves ou me culpas pela existência de Deus, estou disposta até assumir uma condenação que é acreditar que a lua está na minha mão. Condene-me , apene-me, mas a existência de Deus , trago como prova, acostada aos autos, é a lua cheia na minha mão! Pense , senhor juiz, na prova dos sentidos o que é prova do tato. Veja o fato.
E viva os fotógrafos que com uma foto podem me salvar de uma condenação!!



Carolina Monte Studart Gurgel

19 de março de 2011

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Perigeu lunar-



 Carolina studart

Desde ontem tenho a sensação de que alguma coisa estava no ar. Algo prestes a acontecer, tal a mudança que sofri na minha maneira de ser. De repente estava sorrindo, brincando com os netos e num zás, vi-me triste, sozinha quieta num canto. Coração disparou, palpitou, descarrilhou. Bateu a tristeza, só a melancolia ficou. Como, perguntei-me a mim mesma. E aos outros fui indagar; o que me teria acontecido, será influencia lunar?.

Hoje, abrindo os jornais, vejo a razão de mudança tão repentina, a lua mais cheia dos últimos anos virá!Amanhã, dia 19, dia de são José, trazendo de novo a alegria, o contentamento de que sou feita, do calor que me faz vibrar.

Oh, amanhã, nasça logo, traga de volta o meu elã!Lua leitmotiv de minha existência, eu toda me arrepio quando te vejo!!..Minha vida transbordante de emoção, espera pelo epigeu lunar...Nesse vai e vem de humor como as marés difícil agüentar...! Oh lua, traga-me logo inspiração, inspire os poetas, faço canção.Traga-me de volta meu calor, o meu aconchego de vó, para mim não importa, se à noite vou histórias aos meus netos contando. Não importa, oh lua, nada não!!

Oh, lua, a maior lua cheia do últimos vinte anos, encha-me de leveza e juventude também.

Louvarei a ti olhando o céu do meu jardim, louvarei a tua imagem linda, amarela, espraiando no céu azul teu clarão, seja amando , poetando ou uivando..................

Ouuuuuuúúúúúúú!!!


Exílio da alma



Carolina Studart

Eu fico boquiaberta com o silêncio da minha alma,
Quando ela resolve deixar o silêncio a poesia adentra
E não quer mais sair!!
Minha alma poeta, não fala, poeta.
Meus olhos espelham-na.
Olham inquietos para o absurdo
Vibram com a vida
Quedam com a farsa, a enganação, a miséria
Voam para longe, exilando-se
Feito tuaregues no deserto,
Meus olhos calam
Silenciam diante
do infinito,
De Deus
E não há palmeiras nem sabiás
que a tragam de volta.
Minha alma chora!
A dor do pranto dos que sofrem.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

A Flor do Mandacaru



por Carolina Monte Studart Gurgel



A Flor do mandacaru,

Linda flor do sertão

Hoje adorna lindos jardins,

vem, nasce logo, eu te espero sempre

prá ver brotar a tua flor branca, rosácea, linda,

vem flor, tua luz pura na noite é sol,

claro sol de minha alma numa noite escura.

Espera mais, lindeza, te peço num lamento

Para que eu possa através de um beija flor,

Mostrar meu enlevo e encantamento........

Bem vês, que o amor também brota em mim

O amor move sentimentos , alegrias escondidas

Nas madrugadas insones, perdidas sem fim

Oh, flor linda do mandacaru tu só me lembras

A beleza gloriosa que veio do infinito Céu

Despede-se dessa alma minha que em pranto......

Espera o amanhecer, para guardar-te na memória

Ou que eu te olhando pinte a tua beleza e encanto

E te veja adentrar na história....!

Oh, Linda flor de formosura,

Que meus olhos se ausente de ti nessa hora

Em que murchas, morrendo ao nascer da aurora.

Espera por esses olhos, aguarda-me enfim,

Que eu desça, mais uma vez para admirar-te

Oh, linda flor do sertão, que em boa hora

Foi plantada com amor no meu jardim.

Carolina studart

Fortaleza, 19.03.11



Flor de mandacaru, planta da família das cactáceas. Esta flor na maioria das plantas dessa família floresce apenas uma vez ao ano e dura apenas uma noite, quando o dia começa a clarear ela murcha. Enquanto florida é um verdadeiro espetáculo aos olhos.