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domingo, 26 de maio de 2019

"The Corporation"


Assisti,  a um documentário MUITO bacana, FASCINANTE: "The Corporation". Corte seco, lúcido, certeiro & embasado, sobre o direito, em lei, que as corporações capitalistas criaram de serem entendidas como "pessoas", pessoas "jurídicas", pessoas com direitos de "pessoa civil", mas tratamento DEVERAS diferenciado. O documentário mostra o modo de agir das corporações no convívio social, a maneira de atuar a fim de alcançar o seu objetivo (que nada mais é do que a obtenção de mais & mais lucro), já que as próprias empresas cavaram o poder de serem identificadas como "pessoas". E a conclusão --- a única possível --- é a de que as corporações agem como "sociopatas", visto o modo como operam as suas ações: irresponsavelmente, e diabolicamente (tentando a imagem de "bom moço"), cagando para tudo que não seja: dinheiro. BRILHANTE! Para quem ainda não viu, fica a SUPER dica!

Paulo Sabino

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Mudanças estão por vir


Paulo Sabino

             19 de agosto de 2011 15:37

"Mudanças estão por vir". Uma inquietação, certa insegurança. A vida, o imponderável: como? onde? o quê?

"Mudanças estão por vir".

Em momentos como este que vivo, a poesia me acalma, me bota no eixo. Porque a poesia espelha um lado meu de que gosto, e muito. É como se a poesia me devolvesse a mim, é como se a poesia me devolvesse ao que realmente importa em mim. "Mudanças estão por vir".

Quando a vida & sua imprevisibilidade batem à minha porta, "digo" este poema-canção repetidas vezes. Uma espécie de mantra. Pois que, na escuridão da curva, na escuridão daquilo que não se pode prever, na escuridão do porvir, a minha voz, o meu canto (que é a poesia), é o meu grande amparo.

Meu canto: a poesia: aro de luz nascente do dia, ainda que brote na gruta da dor.

Mãe da manhã, vós que sois Mãe do Filho do Pai do "nascer do dia": abençoai minha voz, meu cantar.

Mãe da manhã, a fim de conservar o vosso amor, de tudo eu faria: a cada ano, em vossa homenagem, se preciso fosse, uma romaria, uma oferenda, uma flor. Na escuridão desta nostalgia, no escuro que hoje me acomete, dai-me, mãe da manhã, ao menos, a luz do luar.

Aqui, a canção, com seus versos que me servem de "mantra", de "oração", quando vivo períodos como este, de mudanças imponderáveis, interpretada (magnificamente) por Gal Costa. Esta canção, feita por Gil, foi composta especialmente para a voz de Gal. Tiro certeiro. Hoje, é o que mais ouço em busca de tranqüilidade, de calma, de paz.

(E que tudo seja belo. E que tudo se ilumine. E que tudo dê pé.)

De Gilberto Gil, o poema-canção "Mãe da manhã":

Meu canto na escuridão
Minha voz, meu amparo
Aro de luz nascente do dia
Brota na gruta da dor
Mãe da manhã, de tudo eu faria
Pra conservar vosso amor

A cada ano, uma romaria
Uma oferenda, uma prenda, uma flor
A cada instante, um grão de alegria
Lembranças do vosso amor

Santa Virgem Maria
Vós que sois Mãe do Filho do Pai do Nascer do Dia
Abençoai minha voz, meu cantar
Na escuridão dessa nostalgia
Dai-nos a luz do luar
        GAL COSTA - MÃE DA MANHÃ

Composição: Gilberto Gil Meu canto na escuridão Minha voz meu amparo Aro de luz nascente do dia Brot


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

CAMINHO

 (Paulo Sabino)

tudo o que é vida
me incita
- à sua luz,
pele pupila papila narina,
tudo se potencializa -.
a verdade destituída
de verdade:
no fundo, puro embate.
por isso assento,
vivo o meu alento
enquanto há tempo:
pois que tudo passa,
e, passando, de nada,
de vez,
me amassa a desgraça.

(aí está da vida a graça:
as desditas
aprimoram-me
às conquistas.)

o que há para viver? turbilhão?
uma luz anêmica na escuridão?
a blusa com falta de botão?

mas a vida é isto!:
por maior, mais robusto o quisto,
conduzo-me pelo que foi e é dito,
pondo mais peito no que me insisto.
sem mais história:
o lance é cravar a vitória
com ou sem gol.
assim eu vou.



terça-feira, 28 de novembro de 2017

APRENDIZAGEM

 (Paulo Sabino)

Lição aprendida:
palavra:
coisa estranha
sua carne
compacta
espessa
maciça e
ao mesmo tempo
porosa
ventilada
esponjosa
— matéria excêntrica —

Não há modo de
averiguar
constatar
dimensionar
o que encerra
seu sarcocárpio
(cujo cardápio
de achados
não se abre
por completo
a nenhum olho)
tantos os significados
soltos
no ar
da página



quinta-feira, 26 de outubro de 2017

poema-hálito

A seguir, um poema-hálito, por mais insólito que lhes possa parecer, sobre uma questão que nos diz muito respeito: a vida, a eternidade que a compreende. A hipótese-poema que não deixa o poeta, a hipótese-delírio sobre o existir, muito bonita, imagem forte, de muita vibração: batimento de "medusas" (na mitologia grega, Medusa é a única mortal das górgonas), filha de deuses marinhos, criatura mortal, assim como nós, com serpentes na cabeça, assim como nós, de olhar que petrifica tudo que encontre à sua frente, à sua mira, assim como nós, "medusas" engolfadas, engolidas, por um abismo oceânico, como nós, engolidos pelo abismo-morte, que não imaginamos onde vai dar. Ou, então, a hipótese-delírio sob a forma de campânulas fluorescentes, flores silvestres coloridas, de colorido forte, consumindo o tempo em suas tarefas mundanas, assim como nós consumimos, enquanto um tempo maior, tempo do "correr da vida", as consome, tal qual acontece conosco. O desde sempre mesmo movimento da eternidade: as coisas consumindo o seu tempo no "estar-no-mundo" enquanto um tempo maior as atira para dentro de um abismo de onde nunca se consegue sair. 

Paulo Sabino