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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Corpo vencido


Costuro enredos
alinhavados pelas distâncias,
que ditam a saudade
e passam a mão
- tatuada de segredos -
nas areias tingidas de corais
e de medusas,
que se esfregam no regaço
das marés meigas
na esperança de serenar,
as tardes caiadas
de palavras rasuradas,
assimetrias perversas
que ignoram a angústia
de uma gaivota
sem mar para vagar...
Manchada de silêncios
ilude-se a pele
grávida de memórias
e breve de instantes...
na espuma que se desfaz,
sou um corpo vencido
até um desejo imperceptível,
amaciar o pó das areias
que chove nos desertos,
tricotados de ausências.

Ana Andrade

quinta-feira, 6 de abril de 2017

No quintal


onde o tempo se confessava,
a geografia não tinha distância
e os sonhos acreditavam,
que a vida acontecia sem remendos!

Ana Andrade

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Neste grito contido,
envelhecem os dias
e a minha solidão
tem medo de viver!...
Ana Andrade

sábado, 16 de abril de 2016

Encalhado


Encalhado
na retina da saudade,
um esboço obstinado
levita nas noites acordadas
emprestando sonhos,
nuvens de água levada...
ecos dançando
numa colina de estrelas.
Encalhado
na folhagem do tempo
um poema
envolto em adornos de ternura,
aninha-se no ventre das horas
murmurando o nome
que os lábios não deixam esquecer.
Encalhado
no silêncio do poente
um amor proibido
desfia fragrâncias de sedução...
emprestando a boca
sem gosto de beijo.
Encalhado
nas rugas que uma lágrima remendou
descuida-se o sorriso
que ao degredo se condenou.

Ana Andrade

segunda-feira, 28 de março de 2016

Peço ao tempo,
tempo!
E o tempo...
sempre, sem tempo
não tem o tempo,
que o tempo quer!

Ana Andrade

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Jardins da noite


Desoladas
as minhas mãos
cobertas de silêncios
disfarçam a ternura,
assente num colo sem ninho
suplício, nas manhãs
em que acordo insónia,
flor sem fragrância...
agonia, nas noites
em que adormeço pétala,
num leito sem rosto...
Reclusa
nos jardins da noite,
abrigo-me na penumbra
onde despontam
luares de coral:
exausta de quimeras,
embrulho os sonhos de cristal
e fecho a cadeado,
as paixões
que o céu não quis enxergar...

Ana Andrade

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Deambulando


ao ocaso dos sonhos,
uma súplica
banha o meu olhar:
seja eu poema
até ao amanhecer do teu luar...
Ana Andrade