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domingo, 25 de novembro de 2012



que medo alegre,
o de esperar.



tantos anúncios de
felicidade enterrados
entre meus dedos e noites
e noites crivadas de ocos de
fios no tapete de nata nos olhos
cardiolux fosforescente
da calamidade posta ali na estante
as paredes tremem solstícios
eu temo porque rio e derreto pernas
clavículas ilíaca de mim espuma das marés
escorro eu rumores todo dia que seja
este o gosto que do corpo brota fé
enquanto de aço é a hora
é a carícia é a terra na tenda das sedes
limpo da língua a areia grossa não
dorme a garganta que te bebe a vinda

Natália Nunes


had sex na mesa com janta tomate sem vela
todo dia florais de bach três gotas
as nove sem ver você dibujo porque
abri a porta e era o tédio juro nas nuvens
que era o dragão o vazio sem pestanas
é boca no céu abismo com estrelas pregadas
em língua já idas em tais rumores viscosos
bolsos do avesso apaguei o grão ferino
que me sujou quarto e sala da nuca à cabeça
o atalho entre os seios lixo das suas asas
caído foi tu que me buscastes o pior e teu garfo
ficou na pia intacto junto com meu pés das fotos
os suores do verão tua última pena
antes do cárcere dos sonhos do pólen da loucura
só que no meu pescoço vivem
as secretas ilhas novas.

Natália Nunes

desde que não sei dormir

dois dedos era a distância e eu comia
a mímica das luzes violentas,
bailarinas embriagadas no vidro
que era o seu breu de olho
eu te comia de sorrisos também
te beijava com a dentina te respirava
com a boca aberta,
haviam nuvens e carrosséis em nossos poros
e nossos poros não argumentavam
com o asfalto daquelas ruas
há delicadeza em saber que cada rua pisa
nos nossos corpos também,
eu te via no escuro batizado por brilhos gastos
distorcido, ofuscado, tão amado
coeso com novas esquinas nos bolsos
morei no seu pescoço pelo resto dos passos

Natália Nunes


hoje eu varri a sede que quebra torta eu
nos joelhos coloquei limiares escondidos
hoje fui eu o dia que ninguém pediu e
ninguém cobriu o meu rosto de choro
até você abrir a terra com as mãos.

Natália Nunes

larga de me adivinhar os ossos
porque hoje caí triste
ardo como mais uma das pedras no deserto
da quaresma do deus.

Natália Nunes

ô força marinada, vem! encarna
em braços vísceras vulva articulações lixos corrompidos
faz andar esta que treme baba e finge que sonha
descasca a vergonha que é
não fazer jardim em plenos vinte e tantos
por tantos anos de insônias e mártires escondidos
transtorna as cinzas quebranta névoas
que mutilam aves nesse corpo
assombroso que será daqui a pouco, quando salivado
perolado cheio de oblações estandartes
já que sua força é vinda e preenche seus meios
e estreitos rosados e perversos
te estrangula os abismos agonias
as mortes paradas, a força é vinda e te abre a carne
grávida de sementes, deixa brotar: maravilha.

Natália Nunes