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sábado, 29 de junho de 2019

PLENIPOTENCIÁRIOS




Em nome da fé
Fogueiras ardiam
Queimavam irmãos.
Suntuosos da santa sé
Seus martelos batiam
Condenando “pagãos”.

Dizimavam nações
Espoliando seus bens.
Com a espada da cruz
Removiam paixões
Indefesos reféns
Sucumbiam sem luz.

Opulentos pontífices
Esperavam o fasto
Iniciando torturas
Copulavam meretrizes
Deixando casto
Riquezas futuras.

Conclamavam amores
Em beneficio do pai
Mefíticos das dores!!!
Teus mandamentos sujai.

Sois fauno da escoria
És dízimo do mal
Pregoado em nossa historia
Em memória imoral.

Das cruzadas
Ora lastimo
Raça tão gentil
Ruir sem tino
De mãos dadas
Sem muro de arrimo
Nem aríete bramiu.
Morticínio indo e vindo.

Brotados do pé
Profissionais da fé
Assassinos na sé
Caminhando de ré.

               
Francisco De Arruda Bezerra

CHICO DE ARRUDA

quarta-feira, 12 de junho de 2019

NEGRUME





Acordei no dia,...
... Em que o dia,...
Não acordou.

Abri, e olhei pela janela
E no céu,... Não havia sol.
Merda!!! Machuquei a canela
Ressaqueado ao léu
Será que bebi etanol?

No alvoroço vizinhante
Desvendei a rua
E na escuridão brilhante
Entendi a realidade nua.

A noite engolira o dia
Nunca imaginei viver
Para esse dia não esquecer
Foi-nos avisado que viria.

Retrocederíamos à pré-história
Envenenaremos nossa memória.
A energia fóssil nos matara
Nem mais a brisa poluente enxergara.

Voltei p’ra casa e liguei a televisão
Cada qual relatava sua verdade para a nação.
O SBT dizia que o Silvio tinha a solução
Acharia um novo sol para a importação.
Pastores da Record pediam um dinheirão
Para a nossa salvação.
A Globo especulava um apagão
De enorme proporção.
A Band divulgava que foi uma armação
Para o São Paulo ser de novo campeão.
A Cultura ciênciava tal explosão
Em outra dimensão.
Alguns noticiavam uma invasão.
Todos perderam a razão.

Divaguei: como só a televisão funcionara?
Nem liguei, de que isso me importara.
Vai ver foi uma sabotagem
Aqui ninguém vai preso, é tudo uma sacanagem.

Pensando bem, isso só favorecia aos políticos
Mais ninguém, veriam suas cagadas.
Extinguir-se-iam os críticos
Apagar-se-iam suas pegadas.

Sem rios para represar
Sem florestas para respirar
Isento de recursos naturais
Viveríamos como os animais
Que nós mesmos empalhamos
E que por vezes calçamos.

Minha sogra me ligou
Informando que minha mulher morreu.
Lamentei o que o destino me reservou:
A víbora viveu.

Previa que mais imposto pagaria.
Devia até o avarento da padaria.
Meu cartão de credito só havia debito.
Meu patrão inepto
A todos nós demitiria.
Era o que eu queria.

As mulheres feias seriam abençoadas
Os cegos seriam enxergados
Os ricos se isolariam medrados
As prostitutas permaneceriam casadas.

Os narcisistas suicidariam maquiados
Os pobres não mais seriam os culpados
Os atendentes do INSS seriam surrados
Os banqueiros seriam roubados.

As roupas podem ser as mais rasgadas
As lojas serão saqueadas
As fronteiras vão ser mais vigiadas
Aos Estados Unidos bombas serão lançadas.

Sem mais se esconder aparecerá Osama
O que fará Obama?
E Hugo Chávez viverá sem a fama?
Lula cairá de cama
Pois no congresso haverá mais lama.

Nas rádios sem mais ensejos
Não ouvirei mais sertanejos
Sem acreditar, realizei meus desejos.
Pausando meus bocejos
Do céu ouço trovejo
Porem sem lampejos.

Nessa noite,...
Acordei de dia
Sobressaltei com uma voz estridente
Pensei ser coisa da minha mente
Mentira,...
Minha esposa estava toda contente
Revelando que sua mãe ia almoçar com a gente.
Retira,...
Sai assombração da minha frente
E leve contigo essa serpente.

Descobri... Que adormeci embriagado
E sonhei acordado
Mas,... O maior pesadelo
... Foi para realidade eu ter retornado.

CHICO DE ARRUDA.
Francisco De Arruda Bezerra     
3 de setembro de 2011

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

COVARDIA





O amanhecer afluiu para a face rija
Soçobrei no álcool feliz do infeliz
Mas não te despertei, vi a ferida que de ti, mija
E indaguei-me emudecido: fui eu quem te fiz?

Enclausuro-me sofrível, na semi-inapetência cerebral
Recordo sem lembrar, não acordo da vida que me mata
Preciso me insular, e soltar meu batedor dessa lata
O hiato acomete-me... A lua melada é percurso vicinal.

Aluado piso no piso rúbido... E é um rio coagulado
Que nem em minha fausta maldade teria imaginado.
Teu corpo incolor... Rígido... Que agora exala fedor...
Descobri-te, e descobri as perfurações que te abri.

Penso em me safar, matei-te foi por te amar.
A forte dor do abandono, de eu, seu dono
Posseiro de minha possessividade...
Anui-me essa agressividade...
Por não suportar de ver-te com outro, dormir seu sono
E eu insano insone, caminho sem par, isso me consome.

Lacônico vai nesse frenesi continuar a perverter
E a obter a pseudo-satisfação de mutilar
Que marido desposa uma esposa para estrangular?
Não há piedade para quem nem se pode se convencer.

Não teve nem a delicadeza de se matar
E a lei ainda te dá respaldo cautelar.
Possui residência fixa, é “réu primário”
Tem a indulgencia da família
Que vive num meio reacionário.
Possui posses... Comandante de outra família.

Não há Maria da Penha para te punir
Mas tenho a esperança, em uma vingança
... Para de este mundo te banir.


POEMA DEDICADO À MEMÓRIA DE UMA AMIGA ASSASSINADA BRUTALMENTE E IMPIEDOSAMENTE PELO MARIDO, QUE AINDA NÃO FOI PUNIDO.
CHICO DE ARRUDA.

Francisco De Arruda Bezerra     

WATER - CLOSET



Descarregando a azia vomitada no retrocesso
Obreiam na câmara dos defecados
E na urinada dos mistérios
Retoca a maquiagem na cara madeirada.

No palhaço do nem to aí
Os ornamentais dão uma gargalhada.

Lavam no xampu as mãos enlameadas
Secando-as no quente ar com notas mensaladas.

No senhor tutelar feudal asseiam o bumbum do rei.

Na biodegradabilidade do caráter de suas personalidades
Empoeiram sua pia-máter no chão de suas vaidades.

No nitrato de prata ensaiam suas comicidades
Sujam a água racionada lavando suas malandragens
Ali, para antecedentes criminais não há triagens
Evacuam com todas as probabilidades.

No lago que ali esta, forma o esgoto desse maldito lar.

A energia que acende a ascensão na escuridão dos conchavos
Porventura aumenta os salários de todos os salafrários.

Impõem impostos torturantes jogados em cestinhos importantes
Usam chuveirinho refrescante, mas ressecam pêlos meliantes.

Qual higiênico papel limpará essas cagadas???


Francisco de Arruda Bezerra



segunda-feira, 23 de outubro de 2017

PROSTITUIÇÃO CEREBRAL



A paciência do ser humano anda se haurindo
... Se degradando... Se pungindo...
E finda por se rebelar...
Por toda forma de se enclausurar.

Olhe em derredor
E veja as notícias atuais...
Já envelhecidas de outros carnavais.
A propaganda não se propaga mais em outdoor.

Uma noz de luz abriu-lhes um céu-mar
E o bocó tornou-se um soldado valente.
Sua descrença agora é crente...
E a vala,... Não é mais o seu lar.

Sua mente, hospital-cárcere, indutor
Refez-se da alienação, pelo medo...
Pelo conformismo e pela covardia.
A silhueta do micróbio ditador
Que adora odiar expirou, aspiram seu degredo
Sob medida, o mau exórdio... Sua porcaria.

O mundo não mais é um lugar tranqüilo
A terra virou um tumulo de estrela.
Ao revolucionário, ha garantias para segui-lo
E a população cavouca a paz, sem tê-la.

A prostituição política global
Formou o prostituto cerebral.
Testando armas, incitando guerras
Financiando mercenários, invadindo terras
... Espiões do ônus, guerrilheiros da extrusão...
Na ONU seu bônus é exsicar a população.

E na vulgar trama...
Decisões tomadas por desagradáveis
... Agradam nações desgraçáveis
E o povo exangue... Brama.

A própria ditadura se incumbe de doutrinar
Seu maior combatente...
Trafegue pela historia
E aperceba-se... Quantos heróis em nossa memória.

Para os opressores são reacionários, anarquistas e até terroristas
Para os oprimidos são extraordinários otimistas idealistas.

Países acossados por democracias preconceituosas
Ditadores... Senhores de ganas impetuosas.
Raízes soberanas... Derreados... Velhacarias
... Preterem toda uma população...
E usam o nome de Deus justificando sua presunção.

Ser humano... Espécie trucidando espécie...
Inaudito... Humano decíduo.
Subespécie vomitando seu resíduo...
... Inumano erudito.
               
Francisco De Arruda Bezerra




               



terça-feira, 17 de outubro de 2017

INEXTRINCÁVEL

Projetarei mentes avançadas
Futurosas.
Precoces cérebros dementes.
Vindouras eras desejadas
Harmoniosas.
Inexistirão pensamentos incoerentes.

Anularei sádicas fêmeas indignas
Não se tornarão primíparas malignas.

Injeto conceitos
Na inobservância de preceitos.
Despido de preconceitos
Encubro os defeitos
Descartando os sem efeitos.

Procurarei sequazes inteligentes
Mentes de cérebros frenopatas
Insânias modernas e dormentes
E assim, reabilitarei os doentes.

Seremos seres perenes e insólitos
Profanaremos prófugos serenos e usuais.

Inventaremos no espaço sem tempo
Um diminuto tal sentimento,...
... Corrompido dos tempos.
Astronauta, afrontando o firmamento.

A gravidez dessa hera
Reforma-nos em fera
Daí toda amizade zera
Será o que tua ira gera.
Vagamos,... Numa vadia era.

Imbele inumano execrável
Pulsará na essência
De teu tormento.
E nessa frágua forjará
Teu caráter diabento.

Nascerá um neto do feto, o pré-feto
Sadomasoquista abrindo barreiras
Transformista derrubando fronteiras.
Desinfeto o são infectos, vindo do reto.

Um dia, no dia, o dia acordará sem alvorecer
À noite, um dia, serão dias de noites a convalescer.

E desse nada em diante
O que há de humano
Rebrotará cambaleante.

Perdurará,...
Porem com o tempo
Novamente...
Tornaremos-nos, ufano.

E de implante a re-implante
A experiência copulante
Tornar-se-á estressante.

Revolverá...
Na terra o tempo.
Estupidamente
Morrerá desumano.

Na fumada da noite o vil lia
E bebia a maconha e a coca tragada.
Na baforada do açoite de mil guia
Erguia-me na cachaça consagrada.

Num mar de rios de fogo
Estrelará, muito até tonteante... , e
... Surgirás da fuligem do lodo.
E nesse hall, o amor virá humanante.

De um chip adiante.

Francisco De Arruda Bezerra      


CIDADE VAZIA


Na sombria cidadela da cidade
Os sortilégios ecoam dos pavimentos
Trocam-se favores com numerário alheio
Votam leis, sotopondo a população
Que malicia
Que milícia
Nem aparentam rubídez.

Uma arena, romana, erguerá na cidade
Aos leões sortearemos os de todos os pavimentos
Aprenderam a não surrupiar o alheio
Reputaremos nova população
Sem malicia
Sem milícia
Prostraremos sua rubídez.

De que adianta bela cidadela construir
Habita-la com comandantes rufiões.
Laborar cinco meses do ano
Para seus rotundos bolsos saciar.
O situacionismo há de perecer.

Cidades-modelo irão construir
Juizes trancafiaram rufiões
Pagaremos o justo, todos os meses do ano
Ilícitos ganhos não irão mais te saciar.
De um modo ou de outro, vão perecer.

Era uma vez,..., cidade vazia
Um dia,... , verdadeiras federações.

Francisco De Arruda Bezerra      



sábado, 26 de agosto de 2017

Por instantes esqueço
da tarde gris
das silhuetas sombrias
& glaciais.

Pausa breve que bebo
& aprecio.

Pois logo chegarão os homens
trazendo sob os ombros
sua inumerável prole
de desgraças.


Francisco De Arruda Bezerra