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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Infloração




árvore magna, seca
na rua nublada
um bulbo
negro com braços
grossos
que sobem tortos
bem
diante da igreja
gótica
em Porto Alegre.

diria que ora
nua
ao céu pedindo
cura
pura e flórea
– ácida –
da lepra dos musgos
e
da praga das barbas.

Adriano Wintter ( Sibila - Poesia e Crítica Literária )

sábado, 1 de outubro de 2011

ISTO É A TARDE:

LUZ

que um Anjo azul executa

num violoncelo amarelo



CHOQUE

do olfato contra um perfume

lírio gramado eucalipto



FUGA

desta rotina de estudo

ou do afã do trabalho

à carruagem de nuvens

longa



lenta

lilás



Adriano Wintter
fonte: Alias




Adriano Wintter nasceu e reside em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Foi um dos vencedores do Festival de Música, Poesia e Conto de Paranavaí (Femup 2010), com o poema "Os átilas". Permanece inédito em livro. Edita o blogue Ars Poetica - AW (http://adrianowintter.wordpress.com/)
.

SÍSIFO

tenho pena das belezas sem poetas

que jamais conhecerão a poesia



por isso rolo essa pedra da manhã, da árvore

do jardim e do lago ainda sem verso

neste poema ambicioso, generoso, repleto

(e no entanto – ainda e sempre – incompleto)

forço alma, fêmur, bíceps – ofego!

empurro, literalmente

o globo glorioso

de todo universo

(mais

o que almejo e imagino)

pela encosta vertical, quilométrica

até o cimo

mas lá, força acabada

tão logo ergo minha mão contusa

para enxugar-me das rimas sanguíneas

contemplo a forma cair de seu clímax

ofício nulo, de volta ao nada!

volto: e na planície

novamente comovido

retomo meu estético destino


Adriano Wintter
fonte: Alias
REVELAÇÃO




a natureza ao sol

ou após

a chuva

BRILHA

e o olho

lírico

a fotografa

então

o poeta

começa

na câmara secreta

do alfabeto

o químico

processo

de revelá-la

em verso

algo

que pode

ser breve

ou

ocupá-lo

por décadas

BUSCANDO

a

forma pela qual

a

beleza natural

se faça

clara

também nas palavras

às vezes

consegue

- momento

alegre -

e na celulose

da página

(branca metáfora

da ALMA)

para sempre

a inscreve



Adriano Wintter
fonte: Alias

VERÃO

o dia arcífero

com dardos canoros

tende o fio do horizonte

e fere o ar de amarelos

revoada de alvos: alvorecer

setas explodem nos pátios

no peito crespo dos pássaros

filetes lentos de chamas

atravessam venezianas

ruas são Romas

raios são Neros

com a carne em labaredas

debate-se a natureza

a vida, sob chagas centígradas

num ruivo uivo agoniza

e tomba no túmulo

noturno

para amanhã

fenixmente

ressurgir das cinzas

Adriano Wintter

Gaúcho, poeta, autor de poemas publicados em Antologias.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

DESPERTAR

o brinde

da vida

aflora em festa



já borbulha

na borda

da manhã que começa



tim-tim, minha carne:

reacorda!



tim-tim, minha alma:

fica ébria!


Adriano Winter
 
Fonte :Revista Germina