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sábado, 6 de junho de 2015

Meu coração é um violino.
Lá fora sopra o vento
contorcendo o mar.
Penso no infinito.

La fora passa o vento
digladiando com o mar.

A ideia é um precipício.

Por que há o vento,
penso no principio,
no sem fim, no caminho.

Triste verso que agora escrevo
(e que alguém vai lendo),
pensar é um abismo.

Sou pequeno, bem pequeno,
mas minhas mãos tem gestos
que nunca terminam.


Felipe Stefani 
Meu mundo é divagar. Assim,
Se calhar, em meu pensamento,
Ainda serei o que pensei de mim.
Mas o pensar é como o vento

Que enruga o mar. Remexe o jardim
Da mente, muda o passar do tempo,
Pois o vento é sem inicio ou fim.
Passa apenas e, a passar, entendo,

Que pensar coincide com as penas
De viver e, ir-se assim, perdendo.
Somos instantes desse vento...

Não adianta buscar, se eternas,
As margens do nosso mundo.
Devagar, vê, passar é tudo.


Felipe Stefani

Auto Biografia

A Arthur Rimbaud


“Je est un autre”
.

Quis que o migrar fosse minha forma.
Que a música fosse tudo, plena.
Que a embriagues fosse a norma.
Não tocaria uma só nota serena.

O desconforto fosse meu porto.
O descompasso meu próprio passo.
O mal estar meu maior conforto
E todo verso forjado a aço.

Assim, através de muitas cidades.
Como tudo estivesse ao inverso,
Tudo seria reinventando, as artes,
As crenças e, enfim, todo universo.

A iluminação alcançaria, eu cria,
Num inferninho musical urbano.
Dançando rock, frenético, romperia,
Ao infinito além do humano.

Mas claro que falhei! Oh néscio
Que eu era. Como um cão sofri, e tanto,
E em não querer sofrer, confesso,
Tudo era um tentar em vão. Portanto,

Hoje almejo o tempo de cessar o verso.
Simples, como um mercador fenício.
Nem mais uma linha ou traço.
Quero ser um mestre do silêncio.

Felipe Stefani


O Cristo


Ele é a invenção de toda ciência.
O desprendimento do passado.
O futuro aberto, mas arraigado.
A concessão de amar sem prudência.

Ele é o corpo, o vazio, a consciência.
A porta dos séculos, fechado.
Aberto ele ressoa, se amado,
Que o amor é sua promessa, em essência.

Ele é, foi, e ficará para sempre.
Basta o toque do abismo nos ossos
E, então, sua vasta paixão se cumpre.

Suas visões, seus voos, seus acessos,
E também o seu medo, seu entre –

Ser, que esta na paz, e esta nos destroços.

Felipe Stefani