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domingo, 9 de julho de 2017

BIOMBOS


Desenhar o medo no verso
feito se este próximo passo
deslindasse um futuro raso.
E o muito do antes verte-se
nos espelhos, nos estilhaços
que cortam os dedos suados
quando o boticário da poesia
aborta o poema na concertina.
Roda a noite no vento que assopra.
Sobre o alho. Entre a própria porta.



 Marlos Degani


domingo, 6 de março de 2016

BRILHANTE

Clara é a manhã
tanto feito tarde
o sol bege claro
entre o algodão
novo de nuvens
e de chumaço
em chumaço
entrecorta este
quase meio-dia.
Clara é a manhã.
Brilhante é a poesia.


 Marlos Degani‎ . Vidráguas

sábado, 13 de fevereiro de 2016

INQUIETO

Enquanto breve
for o tempo
o verso inquieto
não tem sossego.
O poema não

é sonho. É pesadelo.

Marlos Degani‎ . CULT

sábado, 10 de outubro de 2015

TEM

Vejo uma
tabela de
cores e
efêmera
no céu
inquieto
do meu
pensamento
e também
vejo no
céu de céu
a furtiva
exposição
quase Parkinson
quase tensa
quase tremida
pois o que é
veloz ultrapassa
o presente
quando apresenta
um não ao agora
e sim ao infinito.
Tem cor de pedra
e de terra as cores
se misturam em
matizes distintos
uma chama ametista
a outra atende
por ameixa
tem o púrpura
o quantum
e a orquídea.
Tem cor e céu

para toda a vida.

Marlos Degani

Fonte : ‎Vidráguas

ONZE E POUCO

Onze e dezessete
e quase morma
quase silenciosa
a manhã se despede
um adeus para cada
nuvem cada tom
um adeus ao que
foi quase agora
o feixe luminoso
que rompeu a aurora.
Onze e vinte e dois.
Toda despedida
eu deixo pra depois.


Marlos Degani
fonte :‎Vidráguas