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sexta-feira, 27 de setembro de 2019

insensatez






da terra antiga onde hoje habitas
voltas
novo novo

iluminas o escuro
que me cobria os olhos

a noite escala-me o corpo
irreal

afasto lógica e sensatez
se tua mão desliza meus contornos
sob o lençol

liberando suavemente ardentemente
a poesia a percorrer meu corpo
refém

Jadiceli Dantas

©Jade Dantas

domingo, 3 de setembro de 2017

amanhã



o poema que desejo penetrará nos olhos e na alma
de quem o lê. espiral, átomo
galáxia nos poros, definitivo

o poema que desejo é substancial como o pão
é metaplasma
sem início e sem final

o poema que desejo é sensual e ardente
horizontal
é fingidor e passará por muitas mãos

o poema que desejo tem olhos de criança
é ternura de manhã clara, nuvens brancas
é ressonância lá onde você se esconde

onde você pensa
que é pedra
é amanhã


@Jade Dantas

ilógica



ávida pela vida
amedronto
a segurança das grades

quebro os invólucros
os estereótipos
as simetrias

porém o tempo
ilógico e incoerente
é o meu limite


©Jade Dantas

quinta-feira, 2 de março de 2017

VIDA DUPLA


Sou contraditória, ouso o desequilíbrio, me permito o naufragar e o reconstruir. Transformo o mergulho em criação e penetro, mais uma vez, no sortilégio da poesia.
Guardo a ternura desaproveitada e abro olhos assombrados à vida que me reclama. Desse desequilíbrio nasce talvez, a única grandeza que eu possa ter, no âmbito do que faço.
Metade vôo e metade racionalidade, reconstruo – principalmente - a mim mesma à cada dia. Nunca sei apenas da racionalidade sem me perder no imaginário que potencializa criação e mudanças, como o cheiro das plantas molhadas pela chuva que acabou de cessar, a televisão a falar de crimes e terror, o canto de um pássaro desconhecido aqui no meu quintal.
Paro o trabalho no computador e vou lá fora conversar com o pássaro.

©Jade Dantas

domingo, 6 de novembro de 2016

O TIJOLO


Um jovem e bem sucedido executivo dirigia, em alta velocidade sua nova Ferrari. De repente um tijolo espatifou-se na porta lateral da Ferrari! Freou bruscamente e deu ré até o lugar de onde teria vindo o tijolo. Saltou do carro e pegou bruscamente uma criança, empurrando-a contra um veículo estacionado e gritou:
- Por que isso? Quem é você? Que besteira você pensa que está fazendo? Este é um carro novo e caro. Aquele tijolo que você jogou vai me custar muito dinheiro. Por
que você fez isto?
- Por favor senhor me desculpe, eu não sabia mais o que fazer! Implorou o pequeno menino. - Ninguém estava disposto a parar e me atender neste local. Lágrimas corriam do rosto do garoto, enquanto apontava na direção dos carros estacionados. - É meu irmão. Ele desceu sem freio e caiu de sua cadeira de rodas e não consigo levantá-lo. Soluçando, o menino perguntou ao executivo: - O senhor poderia me ajudar a recolocá-lo em sua cadeira de rodas? Ele está machucado e é muito pesado para mim.
Movido internamente muito além das palavras, o jovem motorista engolindo "um imenso nó" dirigiu-se ao jovenzinho, colocando-o em sua cadeira de rodas. Tirou seu lenço, limpou os arranhões, verificando se tudo estava bem....
- Obrigado e que Deus possa abençoá-lo, agradeceu a criança.
O homem viu então o menino se distanciar... empurrando o irmão em direção à casa.
Foi um longo caminho até a Ferrari.... um longo e lento caminho de volta. Ele nunca consertou a porta amassada. Deixou assim para lembrá-lo de não ir tão rápido pela vida, que alguém precisasse atirar um tijolo para obter a sua atenção...
Deus tem várias maneiras de falar.
Algumas vezes, quando não temos tempo de ouvir, ELE tem de jogar um Tijolo..
Será que você andou recebendo "tijoladas" na vida para poder parar e pensar?
Pensar nas suas atitudes...
Pensar nas suas fraquezas...
Pensar no quanto você pode oferecer as pessoas, e por excesso de velocidade na vida, não o faz ...
Pare, pense e veja o que você pode mudar em seu coração para ser uma pessoa melhor, um amigo mais presente, um cônjuge mais compreensivo, um filho mais terno, ...
Ser, estar e compartilhar o que você tem de melhor para com os outros.
Pense nisso com muito carinho.

Dantas Jade 

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

identidade


sou mais que este rosto à sua frente
ou um cartão com meu nome
e informações da minha identidade
sou a poesia que desliza à minha volta
na ânsia pelos vôos que sussurram
os segredos das palavras ritmadas
sou esta mulher que viaja nas miragens
devaneios e abismos das perplexidades
bordando nas paredes das possibilidades

Jade Dantas

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Enseada

ao corpo que me navegas

sou rio, mar, enseada



à cumplicidade dos gestos

sou metáfora



aos beijos teus que me aquecem

sou escalada



ao teu olhar que me queima

sou fogueira



ao amor com que me enlouqueces

sou asas



Jade Dantas