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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

TEMPOS DE INDIFERENÇA.


Estamos no tempo da indiferença
Esquecemos os preceitos das nossas crenças
Os relatos de outras vidas
Pais, avós e bons amigos
Todos ficam esquecidos , são inconvenientes
Quando a voz da gente não recita
As mesmas normas e regras de vida.
Passamos acumulando frases prontas
Imagem, estética e todo o mais
Que possa parecer leve, suave ou algo mais
E complete os nossos vazios emocionais
Mas nada como a critica implícita
Ao que fala da tristeza, da doença
E deixa por um momento
Esquecida também a beleza
Não é mais normal sinceridade
Um num zás-trás , uma vez mais
Somos cobertos de poeira
Só uma pá de cal e outra de cimento
Sufocando a liberdade do nosso pensamento
Então felizes os hipócritas que choram às escondidas
E fazem rimas calmas, comovidos
À divina arte de omitir a própria dor
Meu aplauso e meu louvor
Pois essa capacidade não possuo
Sou um mero observador
Já me deram o nome que tem na cruz
Já me puseram a coroa de espinhos
Desde que bebi o vinagre dos meus versos
Não tenho medo, a minha rima é consumada
Não é pra consumismo...
E eu não uso chapéu, o sol me queima
E eu vou só sumindo
Antes que me peguem para Cristo
Me converto a escrevedor
Poeta mente em outro nível.

Cristhina Rangel.Balcão de Poemas

domingo, 2 de agosto de 2015

Das penas...


Cada rosto que se vai
É quilometro do meu caminho que perco
É uma pena das minhas asas que cai
Abreviando o voo
Cada rosto que remove a vida
É menos um gole que bebo
È menos uma esquina que cruzo
É menos uma parte do meu mundo
No entanto quando chega
Um novo rosto
É também um novo mar que navego
É uma voz a mais ao coro
Dos que amam a vida!
E nesse ir e vir
Encontros e desencontros
A gente vai remando
Sem saber o que mais parte
Ou quanto já fomos partidos
E pousamos a consciência intranquila
Em travesseiros de penas de ganso
Colocando as nossas penas escondidas
Na lágrima de cada fim...


Cristhina Rangel

domingo, 12 de julho de 2015

Pedra.


Eu quis numa noite passada ser algo
Entre uma estrela e uma estrada
O passo, O piso, os risos achados
A ponte, o portão, alguma algazarra
A premissa desse caminho mortal
O cordão que transfundi a vida
o laço nos sapatos, quando esta se finda
E na morte completa o ato de piedade final
Assim também quis sê-lo
Mas derramou-se sobre mim o visgo
Deixando apenas um tropeço,
A pequena pedra à sombra de um rio
E desconfio que nem suas várzeas o conheceram
E ainda assim permaneci, paisagem obsoleta
Numa tela de quimeras e incertezas
E nem estrela ou estrada por mim passaram
Eu fui só, observando o rio paralisado
Numa estrada seca, numa noite desatrelada
De outros sonhos, de outros nós
No caminho permanecida,
Fiz-me tal e qual pedra em meus silêncios

Cristhina Rangel.


( Poesia Miojo 08.07.2015)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Razão dos versos avessos.





Eu queria um verso opulento
que soasse tal qual canção
em estradas de primavera

Mas a velha rima sofrida
me espezinha a alma
abre-me a ferida,
fecha-me cancelas

Minhas assombrosas elucubrações
apagam as constelações
de sonhos idos

Resta-me apenas Aldebarã
A estreitar-me à realidade
E o desejo que o sol.
Me seja menos frio.

Que meus versos sem sangrias
de paixões,
resistam absolutos à covardia
ao deitarem-se calados
nas margens da minha poesia,

Que nem rio, nem logradouro há de ser
é como lápide,ou haste, ao sustentar-me
só e fria.
Sem achar razão de ser.

Cristhina Rangel.