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quinta-feira, 19 de março de 2020


Josemir Tadeu Souza     


Sorte do poeta...
alguns versos nem precisam ser escritos,
colocam-se modo infinito,
bem explícitos...
não precisam ser transcritos.
Tocam forma forte, nossas caras...




SOLIDÃO




Por que fazes assim com quem deseja
Estar sempre ao teu lado, a vida inteira.
A solidão cruel aqui lateja
Na ausência desta amada companheira.

A lua que se esconde sertaneja
Deixando esta incerteza, derradeira,
A dor em agonia, malfazeja,
Sangrando e destruindo esta bandeira

Do amor que sempre foi minha esperança
Apenas o vazio me tomando.
Restando tão somente uma lembrança

De um tempo mais feliz. Mas é passado.
Meu sonho se perdendo e desandando,
Seguindo sem ninguém, abandonado...

Medrei-me...
talvez eu tenha que lobrigar.
Adiantar meus passos,
desatar os laços...
aqueles que contidos em mim
em forma de nós,
deixam-me a mercê da esqualidez.
Preciso fazer fluir-me,
buscando com avidez
a afirmação de ser-me de fato.
Preciso abolir de mim, o talvez...

josemir(aolongo...)

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

São sóis, são sós...




somos nós e nossos nós.
Um abarcar, um vôo de albatroz
e livres de qualquer algoz,
recapitular... refazer nossos cursos...

Opostos.
Distantes.
Inseridos num antes,
que jamais
morrerá...
algo estranho,
visonho.
Um paralelo caminhar.

Diferentes estradas.
Buscas.
O tudo ou o nada.

São sóis, somos nós.
Somos sós,
nós e nossos nós.


Josemir Tadeu Souza    
josemir(aolongo...)

terça-feira, 12 de novembro de 2019

DESTRUINDO FANtASMAS...




Abrir meu coração...
de forma inconteste,
sem a mente estar alhures,
pensando em quem me conteste.

Pra que dar forma aos fantasmas?
Por que denigrir-me,
ferindo profundamente
o sentimento nobre, que me habita,
e jamais mente?

Ser-me... cada mais ávido.
Abandonar o que esquálido,
contorce-se para ser notado.
E buscar residir no que se faz
estabelecido, delineado.

Antes que os fantasmas,
tomem guarda e posse
de minha realidade...


Josemir Tadeu Sousa
josemir(aolongo...)

terça-feira, 5 de novembro de 2019

NÃO FOI PRA ISSO QUE NASCEMOS...



Rusgas…
porta do quarto,
que bate
forma violenta…
não valeu o ato?
O fluxo de ensejos,
fez-se forma obscena?
Um roubar proposital
de emoções e sentimentos?
Corpos carentes,
presos a lamentos…
mentes dúbias
em estradas lamacentas.
corpos nus,
mergulhados em intensa tormenta…
o eu sozinho.
Porta fechada.
Som, que perpassa
o limite do ressonar…
alma estagnada,
obrigando o corpo
a não mais se movimentar.
Eis o rito.
Eis o finito.
Eis justamento o não sermos.
Não foi pra isso,
que nascemos…

Josemir Tadeu Souza     24 de agosto de 2011 12:36

josemir (aolongo…)

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

NEGRO TU SIM, SIM SENHOR!





Oh mansa tez,
que no tempo
se fez algesia.
Negra e cintilante cor,
que de efluvios bordou
os lamentos...

Negro tu sim senhor, eu sou e vou,
carregado de marcas e sonhos,
não me importam fronteiras,
ameaças, mordaças,
pois que a raça flui em mim
como um todo sem fim,
é um Ser negro sim,
inserido no contexto da história,
que covardemente, dorida e demente,
tentou nos alijar...

E se passas hoje por mim,
sabes que sou corredeira sem fim,
vertente de agua abluida,
que fez-se vida
e se perpetuou...

Josemir Tadeu Souza     

josemir (ao longo...)

POR TER SOBREVIVIDO...



Foi na incerteza dos viajares
que oscilam...
foi lá na aspereza turva dos
ditos azares,
que se transformam em brumas...
Desesperado e em passos trôpegos,
corri pelas vias do desafogo.
E somente sentia fogo, fogo...
qual num jogo,
tentei desvencilhar-me dos ditos
malditos,
que aferiam-me dores.
Não me desatei das cores
e pude manter minha visão plena de lucidez.
Morri tantas vezes,que já nem sei.
Corri às cegas pelas entranhas
cabalmente estranhas,
de corações que desconhecia.
Foi doentio, ter que aguardar só,
nova semente e novo fato,
que por certo viriam,
com o nascer do dia.
Os pássaros deram-me o primeiro sinal.
Senti-me...
Mesmo trazendo marcas da noite do ontem,
consegui refazer-me nos raios de sol,
das emanações primeiras...
e aí sentei-me sob a sombra
das arvores inteiras,
e chorei com imensa alegria,
por ter sobrevivido.


 Josemir Tadeu Souza     



josemir (aolongo...)

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

ESSENCIA DO QUE VIVE E SOBREVIVEU



E se não existisse o amor verdadeiro, primeiro,
aquele que arrebata, jamais se desata,
e altaneiro, feito o mais alto dos pinheiros,
deságua cristalinamente na mansuetude das cascatas,
que fluem das corredeiras (feito cintilantes estrelas,
que no horizonte altivolitam veementes),
e se adentram pelas pedras, criando vertentes,
como se o vero e coerente,
fosse o fato do se entregar-se cabalmente,
quando plenas, as almas se afinizam e se dão?

E se não houvesse o beijo?
O que faríamos com esse imenso desejo,
que alado adeja em nosso coração?
Como seriam nossos corpos, se não nos déssemos
em pungência, em entrega, em calor?
O que seria do amor?
Talvez um resquício bem sucedido,
de algo que se fez, se criou,
mas num processo meio trôpego,
absconso, entre as estepes ficou meio que perdido,
e aturdido, fixou-se e se estagnou...

O que seria enfim o amor, se o fim do objetivo,
não fosse a constituição e a definição de corpos unos?
Talvez fossemos uma aglomerada massa,
que amalgamasse sonhos, mas não os realizasse no coletivo.
E aí o egoísmo dividiria raças, povos, credos,
como se esperança fosse apenas uma lembrança
de algo que se passou, sem se fazer real motivo.
Feito brincadeira de criança que feito dança,
sorriu e bailou...
Um trasgo de cor vivificada, que fez-se fixada
somente na mente de quem romanticamente sonhou...

Ai de nós, se não fosse esse divino sentimento...
Seríamos tão somente, folhas outonais voantes,
a se espargir por incertos momentos,
e faríamos da felicidade, perspontos sazonais,
que ao fundo nos trariam a visão de um encantado mundo,
que não habitaríamos jamais...

Por isso, quando sinto teu corpo,
inserido no meu,
de forma definida, plasmada,
sinto-me solto,
feito o que se prometeu...
Sinto-me não apenas uma parcela do sonho,
mas sim a essência do que dele,
por inteiro, sobrevive e sobreviveu...

Josemir Tadeu Souza     

josemir (ao longo...)

A LENDA...



No enfoque dos discursos.
No sangue dos percursos.
No rítmo da dança, nas tranças.
A lenda.

No lutar pelo país.
No apresentar a cicatriz.
No saber-se idolatrado, bem amado.
Na defesa feita com destreza,
contra as agruras de seu solo destruído.
No cantar redivivo e colorido.
A lenda.

No saber estar, mesmo que talvez,
na acidez do terra terra,
por certo jamais lhe faltará farta lucidez.
Por já ter partido em carne,
faz-se mais coeso, é alma.
No todo, que se faz crescente,
pois que voar lhe arremete por vezes,
de encontro a algores e pedras.
Mesmo nos momentos em que suas
canções, mansamente descansam,
eis aí um homem, que jamais se pôs à venda.
Uma lenda.

Josemir Tadeu Souza     

josemir(aolongo...)

ENQUANTO CANTAS...



Enquanto cantas,
o entorno se purifica.
O que se fêz imperceptível,
acresce-se, e agira marca e fica,
ganhando identidade...

Enquanto cantas,
o silencio reina encantado.
Olhares no recinto ficam alumbrados,
e apaixonados,
deixam-se levar pelo timbre mágico,
de tão maviosa voz.

Enquanto cantas,
destróis lamúrias, amarguras,
e constróis outras trilhas...
te fazes maravilha,
e cruzas as ruas nuas e escuras,
apenas com o ressonar de teu canto.

Curas...
refazes as procuras,
e viabiliza fascinantes encontros.
Enquanto cantas,
tu és o cintilante conto,
que sai da argentada fantasia
e assume o dia,
onde muitos corações renascem.

Josemir Tadeu Souza     

josemir(aolongo...)

quarta-feira, 12 de junho de 2019

A CERCA VIVA, ENTORNO DO MURO DE PEDRA...





Se mesmo envolto na escuridão
dos meus quereres desafetos,
eu consegui divisar no alonjar
de meu mirar,
toda a amplidão da imensidão
dos sonhos que sonhei e vivi,
deixa-me prosseguir...

Se minha voz embargar.
Se eu não conseguir sequer palavras balbuciar
para reativar minhas remembranças,
deixa-me embalar nesse ir e vir...

Se por acaso, o ocaso trouxer-me, modo vivo,
a cerca viva, no entorno da escada de pedra,
onde tanto juntos corremos,
que silencio se faça...
nunca se conta o que no tempo, se segreda.

Se eu insistir em tentar perspassar
os caminhos, que hoje ainda fazem-se minhas trilhas,
permita-me, mesmo a esmo, estradear...
se eu tiver que chorar,
não emudeça minha emoção.
Eis o que ainda guardo de vivo,
em meu ávido, ardente e sedento coração.

josemir(aolongo...)

Josemir Tadeu Souza    
 13 de setembro de 2011 

sábado, 25 de maio de 2019


A ansiedade,
nos faz cegos.
A ansiedade,
faz-nos tropegos.
A ansiedade,
traz-nos a visagem
na forma, que ela deseja e quer,
nunca do jeito, que ela verdadeiramente é...

josemir(aolongo...)

sábado, 13 de abril de 2019

MATAM...





Muitas lágrimas
Crianças moribundas
De quem é a vida
Se o vil metal
Já consumiu forma total
A mente dos que julgam pensar?
Fantasmas...

Justiça mora onde?
Na curva,
Que separa a luz
Da penumbra turva?
Ou no semblante
Dos que sentem frio
E adormecem com fome?

Na madrugada
Alguns abnegados
Tentam alimentar corpos.

Na madrugada
As almas observam
No calor do aconchego pleno
Os que serenos
Tiram vidas
Espargem carências a seu modo
Biltre prazer
Só não eliminam o sofrer
Ao invés disso
Matam..

Josemir Tadeu Souza 



sábado, 6 de abril de 2019

A DIZER O QUE PENSO...




Em verdade
deixo escorrer do meu corpo
algo que vindo da mente,
parece desconexo, torto...
fico aqui imaginando
o quê minha alma pede
enquanto a cortina balançando,
sente o fluxo do ar,
como se bailando...

A fluidez que se encorpa
faz-me pensar,
no que a vida comporta,
quando volitamos olhos abertos,
pelos caminhos dos temas, que outrens,
não gostam de ler ou ouvir...
coisas que parecem lhes afligir...

Coloco-me fora de órbita...
violão ao lado, calado,
livros e jornais
pelo quarto, que se faz desarrumado...
e no cabideiro,
parece que meus casacos
dão-se por inteiro,
ao direito de entre eles conversar...

Paredes claras,
onde as luzes clarejam
todas as vertentes raras,
que de repente tracejam
minha forma de voar...
sei lá,
escrever é algo tão sublime,
que o cime
de qualquer montanha,
assemelha-se ao inicio de um caminhar.

Por que será,
que quando abrimos nosso verbo,
e sem nos esquivar
falamos do atraso, que em nós se assevera,
muitos não suportam escutar?
Por que será?

Talvez minha viagem,
por entre folhas, rabiscos, risos, guisos,
representem uma estiagem...
mas eu creio piamente,
que se algum dia eu tiver que perder a coragem,
melhor seria
abrir-me com a poesia,
e dizer a ela
de forma singela,
que bedear pra mim não dá...

E sigo por aqui, olhos fixos
no que me faz aprofundar...
Quando lanço-me poeta,
longe de querer ser profeta,
invade-me o afã de desarmar.
Contornar feridas,
curá-las, se milagreiro o Pai me fizer...
Eu sou o que Ele quiser.

Mas o que eu não consigo,
- e nem por isso me maldigo -
é me esconder da vida,
pois sou dela um confidente.
Um viajor consciente,
que ama, sente,
mas que jamais far-se-á calar...
Repentinamente,
pode ser que o que se faz fluente,
resida justamente no ato de jamais se escudar...

Dizer o que penso,
pra mim é algo tão intenso,
quanto o dom divino de amar...

Josemir Tadeu Souza    

13 de setembro de 2011 13:25



sábado, 2 de março de 2019

LUZ E SOMBRA...




De repente eu sinto
no que se faz seguir,
a constância do resistir...
Minha mente
solta-se do corpo antes absinto,
e alegremente mergulha
no clarejar...
Não importa
se a noite vai chegar.
Importa-me viver, bailar.
Ser parte de um sonho.
Nota de um suave canto.
Enfim, viver uma história de amor
para que eu mesmo possa ouvir,
quando quiser contar...

No exato instante
em que penetro
no que faz alumbrado,
modo completo
faço-me raio de luz,
faço-me estrela,
faço-me mar, faço-me onda.
Faço-me pássaro de livre voar.
Serei o que o amor determinar.

Algo que se esparge e se alonga.
Luz e sombra...
               
Josemir Tadeu Souza

josemir (ao longo...)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

CHÃO DE MINHA REALIDADE...




Não quero criar mais histórias...
Elas não têm sido coniventes comigo.
Nem quero extrair dos meus escritos
efeitos infinitos,
pra que não digam que estou sendo ambíguo.
Não quero precipitar em meu coração
dores, rancores ou qualquer milagrosa mansidão.

Vagar também pelos poderes divinos
é algo que não se estabelece em meu destino,
pois que esse "voar" é meritório.
Nada do que nos é delegado é obrigatório,
portanto nada mais que justo
que eu me reconheça não merecedor,
em função da escolha do meu próprio arbítrio.

Contrito buscarei em minhas vontades sempre redivivas
as respostas aos porquês,
que fazem com que minha ânsia torne-se significativa
e minhas vontades fluam ativas,
pois que outras oportunidades...
dificilmente surgem...

Vou tentar resvalar o orbe de minhas verdades
sem querer aprofundar-me em complexos escritos,
apenas reconhecendo ser absolutamente finito
o meu poder de estar circunscrito
naquilo que realmente levar-me-ia ao céu dos meus sonhos...
Ao chão da minha realidade...

josemir (ao longo...)

GHEGADA OU PONTO DE PARTIDA?




Na aldeia dos povos ditos cônscios
tem gente que parte, tem gente que fica...
tem gente que murmura, tem gente que grita...
enfim, toda uma gama de estradas de pedras,
onde o que se segreda,
estampa-se em faces que despertam do sono
sem deixar de dormir, pois que continuam
escravas dos sonhos...

Assim mesmo, um ir e vir quase a esmo
num giro que se fez o mesmo,
pois o tempo talvez por lá tenha parado
enquanto a noite se fez...
sei lá... talvez...

Na aldeia dos que dizem-se civilizados
as danças são movimentos descoordenados,
onde o corpo enlaçado tem dificuldades
de se fazer movente...
o inconsciente...
sim o inconsciente assola a mente
enquanto os olhos fechados,
pensam romper com os medos
e arriscam-se a olhar de soslaio.
Coisas de gente desconfiada...

Na aldeia dos que se dizem libertos
existem savanas, estepes, areia e deserto...
existem os lentos de pensamento,
os que se vêem por demasia espertos.
Existem os lacaios... existem os mandantes...
existe o momento adiante,
mas inexiste o presente.
Eles não o percebem,
constatação deprimente...

Eu estou nessa aldeia.
Como viajor que sou
preciso expor,
o fundo vivo de minha história...
eis a aldeia, e nela a minha vida.
Nesse momento:
chegada ou ponto de partida?

josemir (ao longo...)

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018


Não consigo...
sinceramente,
perder-me em entrementes,
a caminhar vacilante
pelos hiatos...
trôpegos passos...
forçar de fatos.


josemir(aolongo...)

Josemir Tadeu Souza

NASCER E PERPETUAR-SE





Fez-se juramentado...
O que nos corredores de nossas vontades
por vezes perde-se, atordoado,
nada mais é que nosso sonho nu
querendo vestir-se, cor qualquer...

Por vezes o sol brilha...
Por vezes a bruma desfila...
Por vezes o cinzento
toma o vento,
e o faz conduzir o pó.

Justamente nesse instante´
eis que de forma consoante,
rebrilham as necessidades
de sermos das nossas vontades
as verdades que recolhemos.

Desce a noite e com ela a lua.
Quem comigo cresce
é aquilo que não fenece...
Justamente o que mais carece,
por ser eterno,
de um sentimento, um momento,
uma retórica menos histórica,
mais plausível...
algo realmente que englobe
o que se faz em mim risível,
como vontade de nascer
crescer e perpetuar-se...

josemir (ao longo..)
Josemir Tadeu Souza  

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

SEM PERSPECTIVAS...




O sentido faz-se ágil, feito projétil.
Feito projeto de visionários,
que aficionados às mudanças relâmpagos,
espalham-se, por lugares vários.

O que dantes era rocha,
fêz-se aquário...
O que antes era crosta,
fêz-se itinerário.

Josemir Tadeu Souza