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quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Poema do Adeus


Orlando Bona Filho         


Criste na ausência
e tua falta é sempre triste.
Me resta apenas um samba,
talvez um uísque;
quem sabe tu, saudade,
a última que a viste.


terça-feira, 17 de outubro de 2017

INQUISIÇÃO


Aos doentes, a doença,
a condenação silenciosa
dos olhares – e uma marca
a ser carregada para sempre.

Aos normais, o álibi,
a absolvição antecipada,
a isenção impiedosa.
A vida no conforto da sombra
dos que trazem a ferida aberta
e uma dor que deve ser sentida
em segredo.

O dedo que aponta a loucura
de forma certeira e impiedosa
é uma arma cruel a defender
a normalidade do seu dono.

Enquanto existirem loucos no mundo
os covardes poderão respirar aliviados.


 Orlando Bona Filho