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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Cor-respondência


Remeta-me os dedos
em vez de cartas de amor
que nunca escreves
que nunca recebo.
Passeiam em mim estas tardes
que parecem repetir
o amor bem feito
que voce tinha mania de fazer comigo.
Não sei amigo
se era o seu jeito
ou de propósito
mas era bom, sempre bom
e assanhava as tardes.
Refaça o verso
que mantinha sempre tesa
a minha rima
firme
confirme
o ardor dessas jorradas
de versos que nos bolinaram os dois
a dois.
Pense em mim
e me visite no correio
de pombos onde a gente se confunde
Repito:
Se meta na minha vida
outra vez meta
Remeta.

[Elisa Lucinda]

Fonte Jornal de Poesia

Elisa Lucinda dos Campos Gomes (Cariacica, 2 de fevereiro de 1958) é uma poetisa, jornalista, cantora e atriz brasileira. A artista foi um dos galardoados com o Troféu Raça Negra 2010 em sua oitava edição, na categoria Teatro.2 Também foi premiada no cinema pelo filme A última Estação, de Marcio Curi, no qual protagoniza o personagem Cissa. A estreia do filme foi no Festival de Brasília de 2012.
Além de conhecida pelos seus inúmeros espetáculos e recitais em empresas, teatros e escolas de todo o Brasil, Lucinda é admirada pela marca inconfundível de seu trabalho como atriz de telenovelas na Rede Globo, como Mulheres Apaixonadas, Páginas da Vida, Insensato Coração e Aquele Beijo, essa última no começo de 2012.

Fonte Wikipédia

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Só de sacanagem

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova? Tudo isso que
está aí no ar: malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro.

Do meu dinheiro, do nosso dinheiro, Que reservamos duramente para
educar os meninos mais pobres que nós. Para cuidar gratuitamente da
saúde deles e dos seus pais. Esse dinheiro viaja na bagagem da
impunidade e eu não posso mais.

Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais? É certo que tempos
difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz. Mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração tá no escuro. A luz é simples, regada ao conselho
simples de meu pai, minha mãe, minha avó E dos justos que os
precederam: "Não roubarás". "Devolva o lápis do coleguinha".
"Esse apontador não é seu, minha filha".

Pois bem, se mexeram comigo, Com a velha e fiel fé do meu povo
sofrido, Então agora eu vou sacanear: Mais honesta ainda vou ficar!

Só de sacanagem! Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui
todo o mundo rouba" E eu vou dizer: "Não importa, será esse o meu
carnaval, vou confiar mais e outra vez". Eu, meu irmão, meu filho e
meus amigos. Vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do
nosso freguês.

Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau. Dirão:
"É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem
que veio de Portugal". E eu direi: "Não admito, minha esperança
é imortal". E eu repito: "Ouviram? IMORTAL!"

Sei que não dá para mudar o começo Mas, se a gente quiser, Vai dar
para mudar o final!

Elisa Lucinda