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domingo, 9 de abril de 2017

Aqui pra baixo tem uma chácara vizinha à minha. As duas são cercadas, a minha por tela e a outra por muro, e separadas por uma estradinha de chão estreita e curta. Quando aqui cheguei, aquela era uma chácara de final de semana, de churrasco e peladas ao estilo casados x solteiros. Há uns 3 anos, talvez 4, a propriedade foi adquirida por um empresário evangélico, que investiu um monte na infraestrutura do lugar e passou a alugá-lo como "retiro religioso" para grupos da sua igreja. No início, era bem mais concorrido e ruidoso. Por várias vezes entrei em confronto verbal com o dono e os usuários do espaço, por causa da gritaria dos cultos e dos fogos noturnos, que causam sérios danos à fauna local. Até que não soltar fogos foi incluído no contrato de locação da propriedade. Além disso, ele construiu um salão com isolamento acústico, quase não percebo mais a histeria coletiva que acontece lá. A paz foi restabelecida por aqui. No entanto, fui agora dar minha costumeira caminhada pela chácara com meus cães e notei, estarrecido, que os galhos de três araucárias gigantescas que ficam naquele terreno foram totalmente decepados. Restaram apenas três palitos enormes apontando para o mesmo lugar onde eles costumam apontar quando professam sua fé. O que pensar de quem glorifica a Deus enquanto destrói Sua maior manifestação, que é a natureza? Por que fazem isso? Porque para pessoas assim, Deus não está nas árvores, nos riachos, nos bichos, nos frutos. Não. Para essas pessoas, Deus está no dinheiro.




 Marcelo Amorim

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Hoje a lua deu expediente até mais tarde. Desconfio que queria ter uma conversinha com o sol, que anda muito abusado esses dias. Acho que não se entenderam, o bicho tá lá fora de novo a pino, fritando chão e asfalto. Cheia dessa mania de astro que o sol tem, a lua minguou. Mas volta logo mais, pra aquecer do seu jeito, com sutileza, com poesia, os corações sem lume.
Marcelo Amorin