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domingo, 17 de maio de 2009

Olhai os lírios do Campo

Olhai os Lírios do Campo
Não tecem, nem fiam, mas não há
Nada mais majestoso que eles...

Nem Reis, nem eu, nem tu
Nos igualamos à sua beleza.
Olhai, admirai, confirmai;
Não há ninguém, nenhum.

Olhai para mim, os olhos o dizem,
Olho para ti; estão calados os teus olhos.
Teus Lírios parecem murchar.

Nem o céu, nem o mar em toda a sua imensidão,
Conseguiriam dizer o que carrego dentro de mim.
Está no mais profundo eu.
Mas meus olhos conseguem dizê-lo.

Nem o Amor, nem a dor, nem eu,
Conseguiria dizer o que existe
Dentro de ti...
Abra os olhos, fale, grite, não se cale!!!

Teus Lírios estão morrendo
Eu tenho água comigo,
Tenho o azeite para a lâmpada
Olha para mim...

Olhei os Lírios do Campo
Teceram dentro de mim
A majestade da percepção.
Abra os olhos, os meus já
Estão abertos...
Fale, exale...

Huliana Ribeiro dos Santos

Ventos de Mudança

Ventos, chuvas, cheiro de mudança
Amo a chuva, seu cheiro, seu banho
Sinto-me como quem vê um oásis
Pronto a matar a sede, saciar a fome, o desejo

A doce brisa traz o alento para o ardor
Refrigério para o calor do dia, momentos
Quero vento, tempestade, furacão, força
Quero sair do marasmo, cansaço, delírios

Sonhada mudança, real, possível, será?
Tua alma, minha alma a vagar no deserto
Ah! Mudança... Onde está o oásis?
Onde estão as nuvens? Adeus às miragens

Preciso chegar ao mais alto monte
Quero se a primeira a receber as águas, a chuva
E, quando elas chegarem à base da montanha
Terão levado um pouco de mim, de ti.
Vem comigo! Subamos!

Conquistemos as primícias, ofereçamo-las também
Mudemos sim com a chuva, o vento
Exalemos novo aroma, sejamos vento, tempestade
Mas não permaneçamos como quem está dentro de casa
Entremos no rio pra sempre, sejamos levados por ele.

Huliana Ribeiro dos Santos

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Verdade ou Mentira

Verdade ou Mentira ?

Hoje eu abri meus olhos
Depois de tanto tempo
Pude ver realmente o que
Estava diante de mim

Tirei as lentes que me cegavam
Em vez de me levarem a enxergar
Eram agradáveis, me faziam tão bem
Lêdo engano...

A imagem é a expressão da verdade
Mas que verdade? A minha? A tua?
O que vejo? O que vês?
Vemos a mesma coisa
Enxergamos coisas diferentes

Chega de moldes, de modelos
Quero liberdade. Olhos livres
Se alguma coisa tapar minha visão
Que seja uma catarata, não uma lente
Que sejam meus olhos os cegos, não cegados.

Tanto tempo cega. Uma semana, um mês, uma vida
Não sei; sei os segundos que voltei a enxergar
Pensei que não houvesse mais solução
Imaginei ficar cega eternamente

Tirei a trave dos meus olhos
Posso tirar o cisco do teu; permita-me
Permita-me entrar no campo de tua visão
Agora o vejo, não o via antes

Nas imagens da minha vida
Passaram muitas dúvidas
Ver ou não ver? Eis a questão
Se eu vir, que seja porque quero
Se não vir, que seja por não querer

Que eu seja minha própria lente
Não alguém que não conheço
Que eu seja minha cegueira
Que eu seja minha visão

Que seja eu, não ele
Meus olhos, não os dele
Verdade ou mentira?
Verdade, meus olhos
Sem lentes, sem máscaras
Verdade apenas.


Huliana Ribeiro dos Santos

.

o Poema e Eu

Sinto o cheiro da chuva
Terra molhada, cheiro suave
Traduz-me um sentimento, sentimento puro
Essa pureza cai-me como uma luva.

Eu tenho um sentimento, suave, cheio de rimas
Amor pra mim, não rima com dor, mas com flor
Meus lírios, minhas rosas, seus perfumes, aromas
Vão e vêm, incendeiam, exalam, cheiro de puras formas
Me fazem voar, ao passado-presente voltar, voltei a rimar

Há tempos abandonei a métrica, as regras, as rimas
Em alguns tempos fui livre pela liberdade dos outros
Amei, vivi pelo que viviam os outros
Sonhei, realizei, falei, pensei o que queriam os outros

Pensava que a métrica fosse minha prisão
Não! Era o mundo, meu mundo exterior
Feito por alheias mãos. Não era o poema a prisão
Triste ilusão...Era meu coração.

Hoje, os sentidos outrora adormecidos acordaram
Ouço meu espírito ditando versos
Vejo o Sol brilhando pra mim
Sinto a doçura dos versos métricos ou não
Sinto o cheiro da tinta há anos esquecido
Toco o papel, fiz dele novamente amigo

Meu sentimento agora é só meu, é teu
Meus versos são meus, são teus
O cheiro da chuva me traz lembranças
Me leva a sonhar novamente

O Perfume das flores se espalha no ar
Do quê me lembro?
Ainda não sei, contarei
Quando voltar a dormir e sonhar...


Huliana Ribeiro dos Santos

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Trocas

Troca-se um coração triste
Pelo cantar de um pássaro livre
Mesmo que o canário preso seja mais fácil de encontrar,
Não há troca entre tristeza e prisão.

Troca-se um sapato furado
Por pés descalços, fraternos do chão,
Nessa troca serei irmã da terra
E o cheiro da chuva, melhor que todas as essências...

Troca-se um palácio cheio de segredos
Por uma casa simples
Da qual eu conheça todos os tijolos
E conheça a mim mesma face a face.

Troco ilusões por sonhos reais
Troco a busca pelo pote de ouro
Por um pote onde possa guardar meus sonhos
E, assim, consultá-los sempre que quiser.

Troco reclamações por versos,
Versos que protestem, que gritem,
Versos de revolta contra a murmuração
Nada de lamúrias, eu quero ação!

Troco lágrimas por sorrisos,
Não um sorriso qualquer,
Mas o sorriso da criança,
Sorriso verdadeiro que com tudo se encanta
E a todos encanta.

Troco minha vida de hoje
Pela vida do próximo amanhã
E troco a vida de agora
Pela do próximo segundo...

Troco meus medos pela coragem da criança
Que se lança nos braços do pai
Sem questionar se será segurada,
Apenas acredita e curte o momento...

Troco o tédio pela surpresa,
Surpresa como a do anoitecer
Que grandes coisas esconde
Para o dia seguinte.

Troco um amor velho por ele mesmo
Só que revigorado por ventos de mudança
Por ventos de conquista
Que renovam o amor todos os dias.

Troco o final de um poema
Pela eternidade das idéias
E que a despedida de hoje
Seja o olá de amanhã.

Huliana Ribeiro dos Santos.
"Tudo vale a pena se a alma não é pequena "

Blog da Huliana: http://spaces.msn.com/hulianaribeiro/

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Nadando Contra a Maré

O cotidiano, através da rotina, tem levado as pessoas a procederem sempre da mesma maneira sem atentarem para o que existe ao redor de suas vidas. O mundo caminha para a extinção das relações humanas saudáveis pois o homem só tem olhado para o seu próprio umbigo. A existência humana tornou-se sinônimo de busca desenfreada por riquezas, desigualdades sociais, alienação e a certeza de que só existirão dias melhores em outra vida, onde receberá uma compensação por todo o seu sofrimento nesta vida. Com a presente exposição, pretende-se mostrar que a rotina tem destruído as relações humanas, e levado o Homem à não ter uma visão crítica a respeito de sua existência e da Humanidade.
A busca desenfreada por riquezas, levou o homem na Idade Moderna a lançar-se ao mar e buscar novas terras para a sua conquista e domínio, subjugando povos por ele considerados inferiores e aptos para a escravidão, abrindo assim, mão dos princípios morais e éticos que diziam que todos são iguais perante Deus e perante os homens; e hoje leva o político a roubar a nação que o elegeu, a querer sempre mais e mais, não importa de onde virá a riqueza, desde que venha. Cotidianamente, isso vem acontecendo mas, o homem enquanto indivíduo, acostumou-se a deixar tudo como está, em sua rotina de vida de sair para trabalhar, voltar cansado, dormir pouco e começar tudo do mesmo jeito no dia seguinte, não sobra espaço para reclamar da corrupção, do patrão que explora o empregado (ele mesmo), ou da economia que o sufoca dia a dia. Tudo isso está fora de sua visão de realidade diária, não tem como perceber que tudo é intrínseco a ele.
As riquezas mal distribuídas geram as desigualdades sociais, que este mesmo homem desfruta todos os dias. É tão comum essa pirâmide invertida onde muitos têm pouco e poucos têm muito, que na maioria das vezes, ele chega a acreditar que é normal essa situação, que não há nada a ser feito, que a minoria merece mais que a maioria, que é justo, pois ele é um nada, um ninguém, só mais um entre tantos. O cotidiano juntamente com a rotina impõe ao homem comum que ele nada pode fazer, que é melhor seguir seu caminho rumo à alienação, que um dia ele será feliz e desfrutará de tudo o que deseja a sua alma sofrida em um paraíso prometido aos que sofrem; esse dia, um dia chegará.
Sem saber como agir, este homem permanece alienado, sem tomar conhecimento de seu redor, de sua condição de explorado, de sua rotina miserável de “vida”, não percebe que quase tudo coopera para que ele se dê sempre mal em tudo o que fizer, e o seu explorador sobressaia a tudo e a todos. A monotonia alienante em que está mergulhado, só o deixa perceber que acabou o arroz e o feijão e que ele terá que trabalhar mais trinta dias para comprá-los, e torcer para que o que sobrou de seu salário, dê para comprar um pedaço de carne para ele e seus filhos alienados desde pequenos; esqueça a taxa de juros, a inflação, ele precisa de comida para alimentar o seu corpo, a sua alma faminta, sem forças fica para depois, se sobrar tempo e se ele lembrar-se dela.
E quando chegar ao fim de sua vida, e perceber que a outra vida chegou, e não é nada do que ele pensava, se lembrará de quando teve oportunidade de fazer alguma coisa, e acreditou que não era capaz. Lembrará de quando sonhava com um paraíso, com um céu, e não percebeu que o céu poderia ser aqui se lutasse, mesmo contra a maré, e no fim, mesmo desgastado, teria nas mãos o troféu de sua conquista, teria vencido.
O homem pode ser vencedor do sistema monótono em que está mergulhado, do cotidiano vicioso que destrói a ele e o meio em que vive. Basta atenção para perceber que a riqueza deve ser um meio de conseguir uma vida plena, e não uma obsessão desenfreada de não se satisfazer somente com o que é de sua posse, e tomar o que é dos outros; ele pode lutar para não ser mais um dos mortos pela desigualdade social, que aflige a humanidade; ele pode viver, sofrer, lutar, ultrapassar as expectativas daqueles que torcem a favor de sua ruína e sair da caverna, enxergar a verdadeira luz que brilha para aqueles que abrem os olhos totalmente, deixar de ser um ser alienado que não sabe o que deve fazer, para onde vai, de onde vem, e viver realmente; enfim, criar o seu paraíso particular, mostrar que a sua capacidade de agir ainda opera dentro de si, que é possível mudar de uma favela mental para um Jardim na Zona Sul, e acordar todos os dias e ver sempre um brilho diferente de conquista a raiar no Sol acima dele, o homem pode vencer a rotina do cotidiano injusto que o cerca.

Huliana Ribeiro dos Santos
(Opinião e Informação 28/07/2005 )