Mostrando postagens com marcador rita santana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador rita santana. Mostrar todas as postagens

domingo, 16 de agosto de 2015

INSTALAÇÃO


Rita Santana

Não me visitem sem olhos nas mãos
Nem toquem meus ossos expostos.
Sem precauções e recatos, não cheguem!
Estou aberta, em excessos e ócios.
Aqui o azul, que se resguarda em pó,
Testemunha a honradez das mentiras.
Nas compotas de vidro, meus erros,
E no cio da porta, minhas iras.
Adiante se verá o meu passado,
Engarrafado em tulipas amarelas.
As dores nuas gritarão em cofres,
E os amores se amarão nas celas.
No subsolo, preso às certezas,
O meu ciúme queima-se em pavio de velas.
Nas abóbadas, lembranças grotescas
De personas que foram querelas.
Nas sacadas, as donas que eu seria,
Não se sabem vertigem d’outrora,
Riem-se mosaicas,
Féretras senhoras,
E se despedem do salão das liras.


(Tratado das Veias/2006/Selo Letras da Bahia)

sábado, 25 de julho de 2015

A Escriba




A estrela entregou-se ao negrume das nuvens
E sucumbiu ao despenhadeiro da Finitude.
Antes, cuspiu o seu grito de fogo
Sobre o plúmbeo das águas,
Sobre a baía do espaço todo azul.
Enquanto a escrivã das coisas vãs,
Sem contê-las - as estrelas -
Tremia diante do leme sem controle.
E via içarem suas velas acesas
Sobre montanhas de cinzas azuis.
A escriba crivada de falas
Perece do silêncio das Constelações
E da hedionda mudez dos Astros.

Rita Santana

(Alforrias/2012/Editus)