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terça-feira, 10 de dezembro de 2019

A LUZ DESPOSSUÍDA




Geração de luzes apagadas
escuros palcos periféricos

som
movimento
corpos

esperados gestos inacabados

não há amor entretanto
acredita no começo

e nas luzes enquanto acesas.

(Pedro Du Bois, A LUZ DESPOSSUÍDA, Ed. do Autor)

NEGÓCIOS



ao escroque o peso feito negócio       
necessário na hora em que o golpe
anoitece o espaço vago em sua frente
               o lado fácil lhe pertence              
 honra o desafio na resposta dada     
o ataque no comprometimento do corpo
 sobre a pedra  em irremovível peso
 a consciência dos sentidos no rubro
 aquecer do rosto
          desvia os olhos do problema
sua a glória momentânea dos lucros
a impureza da matéria não importa                 
seus olhos transportam o início
em que era apenas criança.

(Pedro Du Bois, )



segunda-feira, 11 de novembro de 2019

TRAJETO INVERSO




................................(com resquícios de Elia Kazan)

Resolva seus assuntos pessoais. Comece
pelos urgentes, razão de sua azia.

Priorize o desjejum: sucos e frutas,
café, quase nenhum.

Abasteça o carro, calibre os pneus;
no trânsito, esqueça as incomodações.

No escritório, não se irrite com os paspalhos.
Trate bem seus colegas, fornecedores, clientes.
Tenha em mente, nada é pior do que os parentes.

No almoço, contente-se com pouco.
Evite gorduras, fique com saladas e carnes
brancas. Dispense a carne de porco.

Se a tensão estiver forte, pare um pouco,
relaxe, faça exercícios, nada de porte.

Voltando para casa, no trajeto inverso,
imerso em pensamentos, sem perder
a atenção no trânsito caótico,
lembre o que de bom lhe aconteceu.

Sue frio, franza a testa, determine-se.
Num arroubo, juntando as forças,
jogue o carro sobre qualquer obstáculo,
tenha coragem: não desvie,
nem abaixe a cabeça.

(Pedro Du Bois, TRAJETO INVERSO, Edição do Autor)

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

A RECRIAÇÃO DA MÁGICA




Quando olha o espaço
sabe da vertigem
nas músicas
em tom menor

dança sobre o nada
e a orquestra em cordas
o sustenta

a maciez da voz
o embala no gravador

o espaço permanece
na ocupação do corpo
ao término da música

o silêncio parte o vazio
onde se cala o corpo
sustenido.

(Pedro Du Bois, A RECRIAÇÃO DA MÁGICA, III, Edição do Autor)


segunda-feira, 28 de outubro de 2019


pense na família constituída com esforço e dedicação
e tenha a visão futura das desavenças: entregue
o corpo ao líquido fornecido na saída e se evapore
em gases fluídos entre as portas. O esquecimento
vendido em frascos e pílulas. A agulha
perfura a pele: ainda é sua. Não por muito
tempo: a vida não lhe pertence.

não há como chegar ao final do palavrório.
A interrupção presente em derradeira fuga: cala
as dúvidas e as internaliza: doenças fazem o restante.



(Pedro Du Bois, POETA em OBRAS, Vol. IX, Edição do Autor, fragmento)


terça-feira, 8 de outubro de 2019


Um dia atravessa
a rua: o cachorro pela coleira

o cão se solta
sob o carro
que passa
sobre a calçada

a coleira arrebentada
segura o vácuo
do cão sob a roda

um dia a vida atravessa
a rua e leva
o cachorro
sem a coleira.

(Pedro Du Bois, A CONFIGURAÇÃO DO ACASO, IV, Edição do Autor)

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

SOM E IMAGEM






Integro o espaço
circular da imagem:

     a escada
     o sofá
     o automóvel
     o inseto
     o pássaro
     a infrutífera árvore
                        ressecada

(escuto o som: não tenho a imagem)

     entrego o corpo ao cansaço
     e no sofá onde sentado
     aguardo o final do som
     na recuperação da imagem.

(Pedro Du Bois,)


sexta-feira, 13 de setembro de 2019

INVESTIGAÇÃO






Quando encerra o expediente

o investigador engaveta

seu trabalho ao próximo dia?



Quando cessa seu trabalho

no final do turno

o investigador leva para casa

sua linha de raciocínio?



Quando descansa junto à janela

após jantar com a família

ou do lanche no bar da esquina

o investigador dispensa

o caso guardado?



Quando dorme no final da noite

com o que sonha o investigador?

(Pedro Du Bois, vale em versos )


quarta-feira, 17 de abril de 2013

Mudar

Busco a mudança
no incógnito regresso
ao ventre
exijo outra
nova
repetida forma
na deformação do corpo
em desconhecimento
tenho o medo resolvido
entre os dedos;a coragem
nas brincadeiras
infantis do reconhecimento

mudo o foco no desatino
das sentenças
em que como igual
permaneço.

Pedro Du Bois. RS

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

MÍMICA


       


No discurso do profeta
apregoado eletronicamente

     determino a pena
                       justa
                 ajustada
do que deve purgar
na vida

desligo o som
e me divirto
         com sua mímica.

(Pedro Du Bois, inédito)

Fonte : vale em versos