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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

VALIGIA D'IMMAGINAZIONE


(e as muitas belezas femininas)
(...)
o nosso tempo é um misto de espanto e inércia, idiotice e fantasia, coisificação e anulação completa.
E, no meio dessa espessa e sufocante nuvem de fogos de artifício, encontramos a carne suave e a feminilidade daquela mulher, feita de variadas pedras, variados elementos e multifacetada música corporal.
Nela percebemos a terra, a água, o ar e o fogo, organizados de forma plena sob a unção feminina, “lugar” em que os elementos se organizam, completam-se e fazem sentido. A feminilidade dessa mulher é mesmo um lugar, germinação de algo que vem de dentro, de uma natureza interior, que vai brotando pelos seus poros e tecidos suavemente dispostos em sua tessitura epitelial.
Não, ela não é apenas o corpo em si, mas a harmonia entre o corpo e a alma. Não é inteligência residual, emocional ou artificial, mas substancial.
(...)

Pietro Nardella-Dellova. A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS. Ed. Scortecci, 2009, pág 264-265. (Livraria Cultura)

AO MEU AMOR COM A SIMPLICIDADE LIBERTÁRIA


ah, meu amor...
se eu pudesse
hoje mesmo,
e em todos os dias,
e não estivesse, assim,
perdido entre três mundos:
ah, meu amor...
se eu pudesse,
transformaria nossa existência
em um recanto,
e deixaria tua janela, e portas,
e corredores, e passagens,
completamente cheios de flores;
e tua boca,
tua boca e língua,
cheia de beijos,
e cheia de mel e do leite,
do leite sob tua língua;
e tua alma cheia de poesia...
e tuas paredes cheias de poesia...
e mil recadinhos de poesia
entre teus livros
entre teus seios
sobre o umbigo
sobre tua pele
e transbordante na imensidão do teu jardim!

Pietro Nardella-Dellova