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domingo, 9 de abril de 2017

sábado, 24 de dezembro de 2016

Fábula "quase" de Esopo

Dois tubarões brancos (pai e filho) observam os sobreviventes de um naufrágio.
– Siga-me, filho! - diz o tubarão pai.
E nadam até os náufragos.
– Primeiro, vamos nadar em volta deles, mostrando apenas a ponta das nossas barbatanas fora da água.
E assim eles fizeram.

– Muito bem, meu filho! Agora vamos nadar ao redor deles, algumas vezes, com nossas barbatanas totalmente de fora.

– Agora, nós podemos comer todos eles.
E assim eles fizeram.
Quando finalmente se saciaram, o filho perguntou:
– Pai, por que nós não os comemos logo de início, pai? Por que ficamos nadando ao redor deles várias vezes?

O sábio e experiente pai respondeu calmamente:

– Porque eles ficam mais saborosos sem bosta dentro...

Maj Menezes

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Lugar-comum pode ser Beira do Mar


> 
> Como pessoas comuns podemos rir de muitas coisas que lemos e são superficiais, tolices, piadas...mas quando compartilha com um grupo que se especifica dentro de um título de saber, a coisa se aprofunda! Se uma pessoa, por exemplo,conta-se entre psicólogos, qualquer auto-ajuda será tratada como tal, exceto psicologia. Será pouco provável que circulem entre esses pares, textos de qualidade inferior ao que o conhecimento sobre o qual se debruçaram admite leitura, interpretação, pois passa a haver quase que automaticamente, uma exigência qualitativa de salto maior.
> O mesmo, seria de se esperar, deveria ocorrer num grupo de pessoas que se interessa pelas letras, pelas palavras, pela literatura. A leitura de textos deveria passar por um crivo diverso do que usamos quando estamos "leitor comum". Subliminaridade, intertextualidade, singularidade estilística, o tratamento do tema, enfim, para dizer o mínimo, se é o caso de leitores interessados pela literatura mas sem formação em letras ou disciplinas correlatas, seria o pouco razoável
> na escolha de textos e imagens para circulação entre tal grupo.
> Para ficar ainda mais claro, a seleção de textos passa pela capacidade perceptiva do leitor enviante e demonstra para seu interlocutor sua profundidade interpretativa. Primeiro, de quem o lê; segundo, do quê e o como ele prórprio lê. O leitor depende menos da quantidade de leitura do que da demonstração daquilo por onde ele escoa sua fruição e gozo. Se sempre ri de texto simplório, seu riso o acompanha a esse lugar. Se geralmente se comove por uma banalidade, ali habita uma boa parte da carga emocional que comporta.
> Considero muito importante a presença do leitor comum se avizinhando do leitor de suas especialidades. É ele quem permite aberta uma porta para o fora do comum, por incrível que pareça! Pois é através dele, que pode ser o simples curioso e inicia a leitura de "uma qualquer coisa", à partir dele é que chega o tempo do "leitor aprofundado" que vem com a experiência. É através dele que também se pega qualquer papel com letras num poste, numa revista esquecida no banco ao lado e fazemos a leitura de algo que pode ser a grande idéia daquele conto
> do escritor certo! É, mas podemos lembrar dele também como um estrangeiro que conhece pouco o idioma de outra terra que, nos encontros do que ler à partir das palavras conhecidas, pode trazer à mente propagandas reacionárias,equívocos distantes da humanização e até bobagens tão inúteis que quando trazem algo pode ser a perda de tempo!
> Por isso, apesar do carinho com que trato o leitor comum em mim, sempre verifico o trinco, pois a porta por onde ele passa leva a um corredor por onde se pode percorrer muito mais chão!
> Sempre gostei de pegadas na areia!
> Obrigada pela leitura!

> Maria José de Menezes

sábado, 1 de dezembro de 2012

Prefácio sem importância para um conto desnecessário.




É uma brincadeira! Aqui, refiro a massa como quem usa ingredientes diversos para um pão. Erudição do discurso acadêmico, cacofonias da despreocupação dialógica, escritor, personagem e leitor, ouvintes, falantes vão se integrar para formar a massa do texto. O explicador é a migalha, que será varrida pelo vento, comida de inseto ou pássaro, e tudo o que é obra da massa, morrerá trigo. É um retransmissor.
As falas do primeiro parágrafo estão na pág. 114 da Era dos Extremos, de E. Hobsbawn.
É um texto sério para o riso!

                      DOS MOVIMENTOS DE MASSA

       _ O movimento trabalhista socialista, tanto em teoria como na prática, era tão comprometido com os valores da razão, ciência, progresso, educação e liberdade individual que a opção pelos sistemas até o surgimento de tal proposta experimentados soava como seu contrário...(*)
       _ Cabo c ta com problema!
       Gritou o operador distraidamente, sem levar em conta a presença do emérito cidadão que ensaiava seu discurso.
       No momento, pareceu que a proporção da interrupção era mínima, ele logo se desculparia e o andamento das providências liberaria a mesa de som com meia hora de antecedência.
       Foi aí que alguém riu.

Maria José de Menezes

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Coragem



Estive longe, na floresta carregando toras para descansar. Entrei no rio, fui ao mar, enfrentei muitos perigos. No entanto estou vivo, histórias para contar. Cadeira onde balanço tecendo fios em tricot, são tramas que viram malhas entremeados que vestem quem for aonde não vou. Já fui e não quero mais arriscar perdeu o a minhas pernas saltam menos, degraus posso escalar. A coragem me acompanha sou dono inteiro de mim minha coragem é permanecer para ir até o fim.

Maria José de Menezes. 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

SÓ ISSO


Estou só sob o ceu estrelado polvilhado de pó prateado pensando nos anjos do Senhor pensando quanto ama o amor sentindo o amor do amor que no céu se espalhou feito o ar que entra nas narinas e me dá a vida a vida da vida imensa que nem se acaba onde se pensa de tão maior que é que eu Só mais eu sob o manto do céu da vida Só isso já é dois então nem existe só se só for dizer sozinho e só se deixar ser ser só isso.

Maria José de Menezes

COMIDA CASEIRA


Já falaram do feijão da Dinda Do vatapá da Dadá É tudo bom pra danar Mas a feijoada da Marieta tembém está nesse rol, tem um quê de festa Ela põe um tempero de batuque brasileiro os amigos do marido chegam com violão e pandeiro a couve já picada espera no tabuleiro a hora de ser refogada os pratos postos nas mão de Nicinha (lá do andar de cima) são a voz de alguém cantando como é boa a feijoada da Marieta que põe confete no vinagrete e o que seria azedinho fica gostoso e colorido limão, limonada, caipirinha, que festa a feijoada feijão, arroz e balada Baticum, baticundum, baticum, baticundum

Maria José de Menezes

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Formigomem

Vamos catar lata
vamos catar tampinha
vamos catar garrafa
papel de formiguinha

ser homem e abelha
está na mesma linha
o homem só trabalha
demais para viver
sem tempo pra pensar
cultura a fazer
pro acasalamento
já nem existe dança
ficou muito custoso
um par de aliança

Vamos catar lata
vamos catar tampinha
vamos catar garrafa
papel de formiguinha

em nome do futuro e
e da sobrevivência
no lixo levantando
do perfil de indigência
pode ser premiada
uma fotografia
bilhete de papel
lota periferia
a lata paga a conta
cota de cacaria

pois vamos catar lata
vamos catar tampinha
vamos catar garrafa
papel de formiguinha

disputa de mercado
na bolsa aplicação
barulho e agito
sebo vespa no lixão
todo mundo sem tempo
de ver se a si na vida
o man na humanidade
em mant transformado
museu de arte nem tanto
vai ter pra ser guardado.

Maria josé de Menezes

Presídio de Mulheres

Estou acorrentada
aos pés de meu marido
é isso que procuro
é disso que preciso

Estou aprisionada
ao papel de mâe dos filhos
São elos que traçãmos
cadeia, empecilhos

Estou presa na teia
Estou numa cadeia
Com droga pela veia
no vício de prisão
Tô presa a um coração
competidor, campeão
tirano alemão
anel na minha mão
sem significação.

Maria José de Menezes.

Crime

Mandei o canivete
pra dentro da sua carne
porque a carne é fraca.

Maria José de Menezes

Fl'oral

Comi a rosa que estava em seu jardim
Comi a flor pra aliviar a minha dor
Me pareceu coisa tão bela
acabar a dor com ela
e comê-la foi de fato muito bom

Embora o gesto lhe pareça destrutivo
a eternidade sobressai no bom motivo
e a rosa ao que parece com isso corrobora
já que a dor de mim
pra sempre foi embora.

Maria Jpsé de Menezes

domingo, 30 de janeiro de 2011

POEMA DO DUPLO VINCO ( UM EM CADA PERNA DA CALÇA) ESCOLAR

Se pensas que Andy

andou apenas nas ruas

por onde suas pernas carregavam

sua calça

convém saber

que nada morre

e ele anda

ao seu lado

na rua, no automóvel

na nave que corre o espaço

carregando os dez mais da Forbes

Tchau Andy



E Guimarães?

Pelo sertão,

pelo certo da diplomacia,

no avião,

no casamento,

no quarto,

nos quartos de um cavalo?

Olha que pode estar aí agora

vendo diante dos seus olhos

uma vitrine



Sua nota é sua para você

procure isto e isto

vá adiante



Quanto ao seu compromisso,

os resultados de seu exercício,

a aprovação de resultados:

procure o ponto aberto.

Maria José de Menezes

O PATINHO CISNE

Houve o tempo em que os animais falavam menos que hoje como homens. Naquela ocasião, aconteceu um dia de uma patinha chocar três ovos. Deles saíram três patinhos.

Patinhos, como se sabe, aprendem rápido a andar e nadar. Assim, logo logo já seguiam a mãe pelo bosque onde viviam, e nadavam lindos todos no lago.

Um dos patinhos no entanto, era diferente.Nadava com as asinhas de um jeito que fazia com que a pata estranhasse sua aprendizagem e a confundisse, às vezes, com alguma inabilidade.

Pois bem, assim que os patinhos cresceram um pouco, a pata considerou levá-los para um exame de saúde. O posto de Serviço Patológico Nacional ficava do outro lado do lago; era autarquia do governo e funcionava bem como sempre quando se trata de atender aos cidadãos que dela tem necessidade.

Por precaução, decidiu levar os dois patinhos de nado sincronizado e deixar o outro para o ano seguinte, quando mais velho estaria em melhores condições para um nado de fôlego como aquele.

Preparou o ninho para o filhote, deixou instruções, indicou as comidinhas, transmitiu cuidados e partiu com os outros dois.

No Sepana as coisas demoraram...e demoraram...e preenche requerimento, e aguarda fila, e agenda por isso e por aquilo. Três longos dias se passaram.

A pata preocupada não conseguia comunicar-se com o filhote do outro lado, para dizer-lhe ao menos "meu filho, mamãe está bem, te ama, voltará logo, cuide-se".

E do outro lado o bichinho preocupado, abandonado, crescia, pois tres dias eram muito tempo para seu metabolismo.

Enfim, a pata chegou. Ao avistar a casa, deu de olhos naquele pato pescossudo, forte e grandalhão, com ares de dono do terreno.

Por Deus do céu! A primeira idéia foi que aquele emplumado atacara seu filho, comera-o e agora se abancava. Preferiu averiguar. Junto com os dois patinhos, escondeu-se atrás de uma moita e ficou espiando o bicho.

O bicho, por sua vez, já por demais preocupado com a ausência paterna - que seria materna se fosse filho da mata - resolveu entrar no lago e ir a procura da pata e dos irmãos.

Nadava maravilhosamente; sua elegância, a graça, causaram espanto e aumentaram a desconfiança parental. A pata pensou: "quem será este que não reconheço?", um patinho pensou "que nado lindo, diferente do de meu irmão"; e o outro: "esse bicho tem um quê de pato, mas é outro tipo". (Continua no próximo episódio)

Maria José de Menezes

O PATINHO CISNE (parte II)

A pata achou mesmo que seu filhote nadava agora no estômago daquele ali. E pôs-se a chorar, baixinho, mas um soluço escapou.

Do lago, o pato que não estava ainda longe, ouviu e reconheceu um som de mãe. E gritou: "mamãe, mamãe".

Nisso, a pata reconheceu a voz do filho. E disse: " Aqui, aqui!", acenando, enquanto os patinhos repetiam-lhe os gestos.

Assim, o patinho voltou para junto dela e deles. Comovidos e contentes se abraçaram e foram contar os havidos! E foi assim que todos passaram a conhecer a história do patinho cisne, ou do cisninho pato. Que já ganhou tantas versões... mas essa é uma em que tudo acaba bem, porque termina bem!

Maria José de Menezes

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

PLETORA PLANETÁRIO

Na terra, a vida errante

Em marte, a arte

A arte da guerra

rima na terra

Os marcianos

sem oceano, rio

sem mar, sem mãe

Na terra, Netuno

Os terráqueos

vêem Vênus

multiplicada

vespertina e no

crepúsculo da tarde

Vênus que arde, que brilha

Estrela do amor

Na terra, planta planeta

que nasce ao Sol

Tempo soturno

devora os frutos da terra

à base de urânio

e,suporte,

lá se vão os anéis

ficando dedos

mais úteis e necessários

que luas exageradamente dispostas

ao redor de alguma redondeza sem vida

Há muito a descrever

e por descobrir,

desdobrar,

transcender,

inventar,

escavar,

exprimir,

prosa!

Maria José de Menezes

In Questão

7 setembro latino

desfile de brigadas

povo assiste a isso

sob forte pressão solar

independência ou morte

o tanque avança

o toque de recolher

as bandeirinhas se agitam

venceu o campeonato

o adversário sucumbe

na praça da paz celestial .

Maria José de Menezes

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

POEMA DO DUPLO VINCO ( UM EM CADA PERNA DA CALÇA) ESCOLAR

Se pensas que Andy

andou apenas nas ruas

por onde suas pernas carregavam

sua calça

convém saber

que nada morre

e ele anda

ao seu lado

na rua, no automóvel

na nave que corre o espaço

carregando os dez mais da Forbes

Tchau Andy



E Guimarães?

Pelo sertão,

pelo certo da diplomacia,

no avião,

no casamento,

no quarto,

nos quartos de um cavalo?

Olha que pode estar aí agora

vendo diante dos seus olhos

uma vitrine



Sua nota é sua para você

procure isto e isto

vá adiante



Quanto ao seu compromisso,

os resultados de seu exercício,

a aprovação de resultados:

procure o ponto aberto.

Maria José de Menezes

sábado, 5 de junho de 2010

Nome

O homem agiu sem dúvida. Nascida a primeira filha, sem consultar a mulher, partiu para o cartório já com o pensamento obstinado a inaugurar um nome que, faltando alcance geral para torná-lo algo como uma linhagem, seria ao menos causa de admiração pela beleza e ineditismo. Assinatura. Nasceu Assinatura apesar dos esforços escrivãos em dissuadir o pai. Uma ameaça calou mais que mil palavras e imprimiu a certidão com um sêlo, muito a contragosto.



Já a mulher se acostumara ao jeito do marido. na segunda gravidez acompanhava aquele remoejo de boca à elaboração do nome do filho ou filha, cujo segredo o pai impunha, ao calar com um simples olhar as investidas da mulher em torno do desejo de um nome. Ela, a mãe, não tinha direito ao nome já que tinha ao feto; calava-se.



A mesma história se repete. Do hospital, assim que vê a criança, examina-lhe a saúde, a normalidade, o sexo e dirige-se ao cartório. Dessa vez batizou Rubrica. O mesmo escrivão flexibilizou-se perante à logica das escolhas; balbuciou uns prós e contras, mas a repelência das lembranças deu causa ganha ao registrante.



E assim, ali estavam as duas certidões. Assinatura e Rubrica, como irmãs na carne, unidas pelo sobrenome comum, exercendo um forte laço e significado entre ambas. Mais que isso, faziam às vezes a representação uma da outra, papel este mais recorrente à Rubrica.



A terceira gravidez não foi adiante. A criança, um menino. Para frustração do pai, que não pode repassar seu legado. Que aliás, poderia não ser para o filho algo a que pudesse assumir. Afinal, quem seria ele de fato sendo Pseudônimo?
 
Maria José de Menezes

sábado, 16 de janeiro de 2010

Repare

O REALISMO É CADA VEZ MAIS FANTÁSTICO:
O capitalismo,
o neoliberlismo,
o seu apetite voraz
pelo direito exclusivo
de gozar o mundo,
gozar no mundo,
cria seus monstros
e suga e suga o peito de Agar

Repassando os custos
para debaixo do tapete
O crack de 29
é a droga de hoje
quebrando o indivíduo
com impostos, empresas fictícias
dominando a comunicação, a telefonia

O mundo é que está pagando,
passando
Crianças expostas aos ladrões de pirulitos,
recebem alfinetadas
nesse ritual
negro do mercado
Vejamos a listagem da Forbes,
as propostas da fantástica
fabrica
de chocolates

Mais e mais e mais e mais
e mais e mais e mais
para poucos o gás
o combustível para exploração
O pré sal e antes do sal
antes da força plenamente desenvolvida
explorar menores e mulheres
e água, e o vento
explorar, explorar para não distribuir
para ganhar, mais e mais e mais e mais e mais
e nós?
Maria José de Menezes
COLETÂNEA DE ESCRITOS

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O Poder Coercitivo

Nas duas últimas semanas a guerra esquentou
depois que um grupo de hackers capturou
mensagens de e-mails dos cientistas
do orgão principal sobre mudanças climáticas
trocadas nos últimos treze anos
entre manos pra derrubar outros manos

O alvo do ataque foi a Universidade de East Anglia'na Inglaterra
o principal centro climatológico do mundo
Os e-mail divulgados na internet pra toda a terra
revelaram combinações entre integrantes da Universidade, respeitados e profundos,
para manter o mais longe possível os cientistas céticos
das revistas especializadas,como a Nature e a Science,
de um jeito imperceptível, nada ético
Ao mesmo tempo, faziam crer a quem pense,
que o principal argumento contra os céticos
residia na escassez de artigos por eles publicados
assim, além de postos de lado, os céticos serviam no futuro
ao argumento de que não aproveitavam a oportunidade.

Maria José de Menezes
COLETÂNEA DE ESCRITOS