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quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Luz dos olhos



Sombras nadam pelas paredes
ocultando alimentos do meu semblante
cortante num fim de anzol em um azul qualquer
sem destino que acaba dentro de um xícara de café,
noite refinada, firmamento merecido.

Passam pessoas, algumas fascinantes
peço carona com roupas de palavras seladas
de contrabando insípido pela fronteira
com o coração empoeirado e o deserto vira
uma tempestade de impulsos que assumem o leme
enquanto abro a pagina da noite que brilha em brasas vigiadas.

Tempo leva tudo sem perguntar em progressivos círculos
disponíveis para a odisséia do esquecimento, mas uma coisa
é certa bebi todos os sucos, degustei todos os sabores da satisfação,
tempo danado avião no ar te usei e abusei, somos iguais demais.

Sou um expoente despejando neblina psicodélica,
venham nuvens, venham nuvens mais e mais
a cada piscadela marginal celebro a cartase com noção
de estar caminhando no obvio chão ou num vilarejo do céu
assim meio celestial e um tanto de bestial.

Aharon


segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Na superfície dialética


Na superfície dialética
inacabadas somem na noite
ou pela porta
cada palavra com sintomas metafóricas
uma metralhadora
surge
abro o coração alvo
e pronto sou o alvo.

Na superfície sou uma arvore de idéias
levanto as mãos e digo tudo bem
sou eu melhor amigo
porém louco
todos em mim concordam
e dizem amém
ou assim seja,
pois que seja,
queres a sombra assim mesmo?

Na superfície ás vezes fico cego
e minha alma nada no rio que
a chuva por si fez ,
guerra em mim
na trégua sou meu melhor amigo
na guerra me desconheço
sou um animal no zoológico.

Na profundeza o leilão
é de um só lance,
segue no mergulho?
Ou
desculpas convincentes
encaixam melhor,
decisões sem fé
é estar sozinho.
Massa vigia a massa
até o pão estiver pronto para o forno.

Para que formulas novas
na dialética vence
a superfície intelectual.
Amoras roxas viram brancas
se cego for o sabor será
semelhante silvestre.

Entro no mar e vou para as profundezas
experimentar fatias de mentiras e verdades
até enjoar e descobrir que não sou eu
a realidade
leis do tempo e de fragrância
um incenso
abraçando
o contrario desperto
imerso.

Momento de dizer adeus ao pensamento
na profundeza sem esforço
abandono
num segundo
as horas
sem destino
distintas emoções
avesso dos excessos.
Volto à superfície sem fôlego.
E dizer o que?
ninguém foi comigo
não tenho provas
mas provei
por isso o sorriso.

Aharon

terça-feira, 24 de setembro de 2019


Caos

Sou em tudo inconcluso e híbrido
movendo em transparência
para qualquer liberdade densa esculpindo incertezas,
expandindo na insurreição pelas minhas mãos
todas as anotações multifacetadas dos resquícios de amores
que deleitaram em minha memória indizível.

Linha em branco.

Contudo super fragmentado
com essas palavras cansadas
que ainda respiram uma verdadeira
desestruturação nos vãos,
ide pensamentos vão e se escondam como o sol
que afunda em qualquer horizonte
onde a luz dos olhos podem perceber,
pois vou deitar no lusco-fusco e divagar.

Frio espelho de uma vitrine deixa uma sombra quando passei.

Tempo/teto.
vida/morte.
Quarteto em cordas,
chá para um, por favor.

No chão jazem as confidencias em monólogos
sem som, sem temática mas dissonante interminável.

Instante-já
gira veloz roubando a luz
do amor, da liberdade, da solidão, da vida secreta,
da prece, da escuridão, da guerra/paz.
Armistício
obra pronta, hora de colocar a moldura do silencio.

Felicidade foi embora toda embriagada segurando gargalhadas.

A vida usou a minha voz neste muro feito de carne
conectando a matemática e sua musica que por si produz,
cubismo no ar faz imaginação dançar.

Onde esta o maestro?

Protagonista em jogo de caminhos sucintos,
curiosos mistérios e duvidas cativando algo
espirituoso singular em lábios indecifráveis
em construção.

Nelson Aharon


quinta-feira, 12 de setembro de 2019

A prova de balas!





Quarto vazio capaz para toda a paz sem horas,
cinema animado.

Água quente, água de febre
derramado pelo chão,
nado livre entre as estrelas colhidas.

vasculhando e dedilhando o fundo do mar pardo
demorando
quase um ano para achar o telefone
em minha mão.

Pequena mancha de sangue no sol
lua cheia dopada,
vagando em coma entre nuvens negras.
...
Canto um pranto eu sou do sol.

Esses fluidos caindo lá do teto estão luzindo
envolvendo e devolvendo
tudo em reticências .

E o amor
sabe quando vem,
quando ele vem
só ele sabe...
então
calam se todas as perguntas.


Nelson Aharon Bibow   13 de julho de 2011 


sexta-feira, 6 de setembro de 2019

o barulho de existir:


Nelson Aharon Bibow  


5 de agosto de 2011 14:01
o barulho de existir:
um cão dentro
de mim
atravesso
como a um pátio:
o barulho de existir“