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quinta-feira, 2 de março de 2017

Perder o norte onde em pureza descansa a neve
É anular a sabedoria primordial a confiança
Que se deve ter no processo caminhando de coração leve
Perder o respeito pelos que foram premiados com cabelos brancos
É ter perdido a bússola que nos orienta
Só ver em egoísmo as nossas necessidades
E espezinhar quem fica inadvertidamente nos flancos
Perder o norte é ter esquecido a ligação ao todo
É confundir a ganância pútrida com a essência da sabedoria
É alienar o pleno o único o que nos liga a todos no plano mental
A força cósmica que nos conduz em harmonia
Perder o norte é desistirmos de analisar o invisível
É entrarmos num labirinto sem luz não querendo a vida perceber
É incorporar num fantoche sem alma
É negarmos a grandeza do espírito recusando-nos a meditar
Os homens perdem-se num lago pútrido de ilusões
Nem o sul já conseguem vislumbrar
Chacinam as criaturas destroem as florestas
Para construírem a ferro e betão catacumbas de podridão
Esqueceram que devem abraçar a natureza com paixão
Os oceanos as montanhas os vulcões
Os maremotos as tempestades as grandiosas monções

Poema de Maria Oliveira

sábado, 7 de janeiro de 2017

"Voo sobre a montanha virada ao mar
Ao embalar da brisa marítima de um frio cristal
Sou criatura que carrega a solidão
Pela estranheza com que me visto
Pelas malhas da invisibilidade com que me teço
Perdi o norte perdi a sorte
Já não sei a minha verdadeira idade
Sou pura castidade
Que armadilha me cortou os membros
Que espada me derrubou as asas
Da minha essência da minha sã demência
Da sublime sensualidade
Onde esqueci o meu corpo que se acendia
Em ímpeto voraz
Que me justificava o respirar
Onde se escondeu o amor
Que era a minha razão de ficar
Feito toque cálido na minha pele
Que me fechava os olhos
E me transportava para o mundo divindade
Ah vulcão que me ameaças de extinção
Sem companheiro de armas
Lembra-te como o divino é justo
E a vida uma dádiva
Mantem vulcão então acesa a lava
Não me empurres milagre da perpetuidade
Para uma apatia cortante
Uma seriedade amorfa
Sem riso interior constante
Serei casta no sentir
No abraçar nas ações
Mas dá-me o alimento o vício
De um amor de enleios
De entusiasmo sem freios! "

Maria Oliveira