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terça-feira, 19 de maio de 2015

CORRE MAIS QUE UMA VELA...

Corre mais que uma vela, mais depressa,
Ainda mais depressa do que o vento,
Corre como se fosse a treva espessa
Do tenebroso véu do esquecimento.
Eu não sei de corrida igual a essa:
São anos e parece que é um momento;
Corre, não cessa de correr, não cessa,
Corre mais do que a luz e o pensamento...
É uma corrida doida essa corrida,
Mais furiosa do que a própria vida,
Mais veloz que as notícias infernais...
Corre mais fatalmente do que a sorte,
Corre para a desgraça e para a morte...

Mas eu queria que corresse mais!

Emiliano Perneta 

sábado, 18 de outubro de 2014

CORRE MAIS QUE UMA VELA...

de Emiliano Perneta 

Corre mais que uma vela, mais depressa,
Ainda mais depressa do que o vento,
Corre como se fosse a treva espessa
Do tenebroso véu do esquecimento.
Eu não sei de corrida igual a essa:
São anos e parece que é um momento;
Corre, não cessa de correr, não cessa,
Corre mais do que a luz e o pensamento...
É uma corrida doida essa corrida,
Mais furiosa do que a própria vida,
Mais veloz que as notícias infernais...

Corre mais fatalmente do que a sorte,
Corre para a desgraça e para a morte...
Mas eu queria que corresse mais!

sábado, 5 de maio de 2012

Ao cair da tarde

Agora nada mais.Tudo silêncio. Tudo,
Esses claros jardins com flores de giesta,
Esse parque real, esse palácio em festa,
Dormindo à sombra de um silêncio surdo e mudo...

 Nem rosas, nem luar,nem damas...Não me iludo.
A mocidade aí vem, que ruge e que protesta,
Invasora brutal. E a nós que mais nos resta,
Senão ceder- lhe  a espada e o manto de veludo?

Sim, que nos resta mais? já não fulge e não arde
O Sol! E no covil negro deste abandono,
Eu sinto o coração tremer como um covarde!

Para que mais viver, folhas tristes do outono?
Cerra-me os olhos, pois, Senhor.É muito tarde.
São horas de dormir o derradeiro sono.

1920.

Emiliano Perneta.
Ilusão & Outros Poemas, p. 170