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quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Morena de Angola.



J. Norinaldo.

Dos brilhantes que adornam teu sorriso,
Neste mundo encantado de Afrodite,
Nenhum deles é mais raro que teus olhos,
Como outros que encantaram o Egito;
Os belos olhos da rainha Nefertite,
Como o deus sol que encantava o infinito.

Não importa a cor que tenha o manto,
Nem o mistério que se esconde na esfinge,
A beleza do castelo esta no todo;
A flor de Lótus só brota onde há lodo,
Teu sorriso mostra ao mundo uma verdade...
Que a cor, não revela, apenas tinge.

O meu país num exemplo de grandeza,
Entregou-te o que é teu por natureza,
O manto, o trono a coroa e o bastão,
Mostrando que em cada coração;
Existe um rei ou uma rainha da beleza,
Lembro Anastácia no tempo da escravidão.

Canta angola o teu canto de alegria,
Hoje o planeta volta os olhos para ti,
E as aves cantam a canção do paraíso,
Se já não tinhas mais motivos pra sorrir,
Diz ao mundo que a beleza não tem cor...
E com amor, também é teu este sorriso.


O Caule da Vida.


   

Sob o arco do templo me curvo, sob a sombra do monte me amparo, sob o átrio da câmara me calo, sobre o piso da sala do trono eu me ajoelho perante seu dono, desejando matar meu senhor. Meu camelo me segue sem pressa, mastigando algum talo sem gosto, no olhar somente indiferença, sem ter crença, amizade ou desgosto. Na dobra quadrada da esquina, a marca do tempo se prende a resina do caule da vida. O limo grudado nas pedras do arco, dá vida a avenca que baila com o vento, e adorna a entrada do templo em ruína. E o camelo me segue com indiferença enquanto caminha seu talo rumina; as marcas do tempo no caule da vida, como o limo das pedras do arco do templo, arredondam com o tempo o quadrado da esquina. Quando as luzes se apagam e se fecha a cortina, o ato termina e os aplausos não vêm as estrelas não brilham, e o camelo não masca mais seu talo sem graça, só no último ato o homem aprende, enquanto a casca se desprende do caule da vida.

José Tavares    

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terça-feira, 18 de dezembro de 2018

A Precoce Colheita.






As feições se transformam em carrancas,
Os sinos badalam a concitar os incautos,
O grito em templos construídos de nada,
Promete ao aflito a paz tão sonhada,
Em nome de Cristo se fazem de arautos,
Da porta do céu tem a chave guardada.

Convidam as crianças como Jesus mandou,
Mas se aproveitam da sublime inocência,
Ensinado o caminho que leva ao abismo,
Luxúria e cinismo no lugar de consciência,
A inocência que busca o caminho do céu...
Encontra o dedo que aponta o bordel.

O pão é Meu corpo o vinho Meu sangue,
Comei e bebeis, pois assim há de ser,
Se recusares o cálice por que és um fraco,
Se usares Seu nome em busca de prazer,
Se colheres o fruto sem amadurecer...
Confundes Seu sangue com o vinho de Baco.

José Tavares    . J. Norinaldo. 

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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Intolerancia.



Caminhar sobre escombros e destroços,
Vendo o quadro antes belo destruído,
Vendo sonhos transformados em fumaça,
Sob os turbantes dos mercadores de desgraça;
Ou dos conluios do ser mais evoluído,
Que em cuja mente não tem mais que pão dormido.

Numa luta que parece não ter fim,
Como se a vida fosse parte de um jogo,
E o pano verde é o teatro da guerra;
E as fichas as cimitarras de fogo,
Que cada vez mais destroem a nossa terra...
Tudo em nome de um deus desconhecido.

O amor um sentimento esquecido,
A intolerância ocupando os espaços,
O sorriso é sonegado e escondido,
Só nas lutas aparecem os abraços;
Os jardins servem como esconderijos...
O irmão nega o pão ao irmão falido.

O perdão é negado por suspeita,
E o bordão vai guiando sem sentido,
O abismo vai ficando mais profundo,
O Arquiteto que projetou o mundo...
Tem o Nome vendido no mercado,
Quando não é totalmente esquecido.
José Tavares

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sexta-feira, 3 de novembro de 2017

O Deserto e o Homem.



O deserto é tão necessário para alertar o homem, que a terra morre e com a morte da terra o homem não come, e sem alimento a vida na terra some. O mar é tão grande, mas já foi bem maior, mar e deserto talvez tenham sido um só, o sal no deserto a areia no mar, talvez pra mostrar que a pedra também vira pó. As ondas do mar e as dunas de areia, o balanço das velas e o tranco do camelo, navegar é preciso viver já nem tanto, para o homem que reza num templo infinito e cozinha seu pão no calor da areia.
O deserto prossegue a iludir a visão, mostrando o que tinha antes da destruição, água cristalina em cada miragem, antiga paisagem na imensidão. O mar revoltado com tanto descaso, como a água de um vaso esquecido ao relento.
O vento que agita no mar a procela, é o mesmo que cria a tempestade de areia, a indiferença no olhar do camelo, como o necessário deserto onde foi maré cheia.
O homem é o pássaro que destrói o a árvore onde está seu ninho, como o vírus que mata o seu hospedeiro, o deserto é a febre que alerta o doente, o pavio da bomba prestes a explodir, a sombra do lobo que assombra o caminho, quem sabe o homem ao fazer o deserto, está tentando criar o camelo marinho. Antes da terra morrerá o homem, antes da árvore cairá o ninho.


J. Norinaldo.


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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Retirantes.


J. Norinaldo.

Quando o azeite das candeias se acabar,
Não houver mais atualização de vírus,
Será que o homem voltará para a caverna,
Abdicando de uma vida tão moderna,
Voltando, a escrever em papiros?

Será que um dia os abismos se nivelam<
E revelam a verdade sobre a vida?
Ou elo que se perdeu será achado?
Numa arca que naufragou no passado,
Com o mistério da chegada e da partida.

Quando os desertos forem maiores que o mar,
E os rios não tiverem mais onde chegar,
As chaminés tingindo de negro o céu;
E o véu da noite for mais longo que o dia,
O fogo morto não consiga mais queimar.

E como escreveria a história novamente?
Se recordar a vida que teve antes,
Já que tudo não foi mais que uma passagem,
Que mensagem deixaria aos que virão...
E que serão, somente os próximos retirantes.

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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Tempo e o Espelho.


O tempo é senhor de tudo, faz e desfaz quando quer, houve um tempo em que podia, houve outro em que havia, já houve um tempo qualquer. O tempo às vezes está bom, o tempo passa depressa quando a gente não quer. O relógio marca o tempo, mas vem de um tempo pra cá, alguém ganha ou perde tempo sem ter o tempo que quer, o tempo é o inimigo número um da mulher. O tempo tem um cinzel que arranha aos poucos a beleza, como aprendendo escrever na louça da vaidade, o tempo não tem idade, ou não se sabe se tem não deixa livre ninguém, mesmo causando desgosto, vai rabiscando no rosto o tempo que cada um tem. Quando tiver um tempinho, preste atenção ao tempo esqueça um pouco o espelho que nada pode fazer, e pode ser enganado mostrando aquilo que vê, mesmo sem olhos te mostra, aquilo que queres ser; disfarçando a escrita, que o tempo teima em escrever.


 José Tavares      2 de setembro de 2011 


J. Norinaldo


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domingo, 10 de setembro de 2017

A Precoce Colheita.


J. Norinaldo.

As feições se transformam em carrancas,
Os sinos badalam a concitar os incautos,
O grito em templos construídos de nada,
Promete ao aflito a paz tão sonhada,
Em nome de Cristo se fazem de arautos,
Da porta do céu tem a chave guardada.

Convidam as crianças como Jesus mandou,
Mas se aproveitam da sublime inocência,
Ensinado o caminho que leva ao abismo,
Luxúria e cinismo no lugar de consciência,
A inocência que busca o caminho do céu...
Encontra o dedo que aponta o bordel.

O pão é Meu corpo o vinho Meu sangue,
Comei e bebeis, pois assim há de ser,
Se recusares o cálice por que és um fraco,
Se usares Seu nome em busca de prazer,
Se colheres o fruto sem amadurecer...
Confundes Seu sangue com o vinho de Baco.

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O Poeta e o Mundo.


J. Norinaldo.

Neste mundo em que agora me vejo,
Como uma andorinha na primavera,
Como as folhas no outono em pleno bailado,
Ao som da vassoura que as leva ao lixo,
Ou o nicho que esconde alguma quimera.

No semblante da vida a carranca da morte,
No fio da espada o açoite dos ventos,
No rosário da taça a assinatura cifrada,
No rodapé dos poemas dos meus pensamentos,
Que deslizam na areia sem dizerem nada.

Neste mundo em que agora me vejo,
E que muito desejo cantá-lo em prosas,
Falando de amor, carinho e ternura,
Subir a montanha mostrando a candura...
Com o cabo da espada enfeitado de rosas.

O que sofre o poeta no mundo em que vive,
Não que se prive dos amores carnais,
Porém aquele que tem um poeta dentro de si,
Paz neste mundo não terá jamais...
Enquanto a paz neste mundo existir.


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sábado, 9 de setembro de 2017

Naufrago


Soltem as amarras do meu barco, não temo a tempestade a procela, que o vento estraçalhe a minha vela, naufragado já estou mesmo em terra. Este barco carregando minhas mágoas, minhas lágrimas que hão de acrescer o mar, pelo menos nessa luta sou um bravo, não escravo de quem não soube me amar. Se por acaso da procela saio vivo, terei motivo pra valorizar a vida, e procurar na estrada prometida o amor que até hoje não consegui encontrar. Soltem, não segurem mais meu barco, neste charco não pretendo mais ficar, formando pântanos de lágrimas doridas, por alguém que não merece o meu sofrer; deixem que as vagas me levem para o fundo, pois viver neste mundo sem amor, como o poeta já dizia, sem amor não existe poesia, e quem pensa que vive só pensou, na verdade... não viveu só passou.

José Tavares      


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sábado, 2 de setembro de 2017

A Pedra Maldita.


Encontro-me numa senda sem retorno,
Vendo o forno do inferno no final,
Agarrando-me as pedras do caminho,
Apaixonei-me pela pedra mais mortal,
Que sugou toda a minha juventude...
E jogou-me num açude terminal.

Tropecei nessa pedra da qual falo,
Num embalo a buscar felicidade,
No início foi apenas um tropeço;
Um travesso brinquedo da idade,
Fui esquecendo que a vida não tem preço,
Hoje almejo a morte por caridade.

Como um doce que se dá a uma criança,
Essa pedra que passa de mão em mão,
Quem a fez não teve a sinceridade,
De fabricá-la em forma de caixão;
A promessa da falsa felicidade,
Que nas esquinas se compra com facilidade.

Não cheguei ainda ao final da trilha,
E a matilha que me segue esfomeada,
Se alguém me mostrar algum atalho,
Que me livre desta triste caminhada;
Não servirei de repasto para os lobos...
Que colocaram essa pedra em minha estrada.

 José Tavares      

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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Nada.

Quem escreveu o meu destino,
Tinha uma letra caprichada,
Que não mudou e nem tremeu,
Quando em meu livro escreveu...
Que nesta vida eu não seria nada.

Que sábio que escreveu o meu destino,
Com aquela sua letra tão caprichada,
Porém só depois de crescido entendi;
O que quis dizer não seria nada...
Nada é nada e eu sou eu e estou aqui.

Quando alguém te disser: tu não és nada,
Não se ofenda, não chore, não fique triste,
Mesmo que o tom seja de um insulto;
Só em ouvi-lo você já prova que existe,
E nada é nada, que não tem sequer um vulto.

Não sou nada, eu sou eu com muito orgulho,
De um pedregulho pode surgir um brilhante,
Quem escreveu o meu destino com a letra caprichada;
Sabia que nada é mais humilhante,
Que alguém, que se humilha em não ser nada.

José Tavares   (J. Norinaldo.)

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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A Ilusão.


J. Norinaldo.

A ilusão me mandou um lindo scrap,
Que mostrei a companheira solidão,
Sorrindo ela me disse bem baixinho,
Não se iluda com a beleza do cartão,
Eu sou triste, porém muito verdadeira...
Ela é astuta e pode enganar seu coração.

Olhei novamente pra paisagem,
Lindas flores e uma imagem de mulher,
Que de tão bela não pode ser realidade,
Neste ponto a solidão foi tão sincera,
Não se pode maquiar uma tapera,
A ilusão jamais traz felicidade.

Eu e a solidão pensamos juntos,
Numa maneira de enganar a ilusão,
Compomos uma bela poesia,
De amor a solidão não entendia,
Colocamos tudo num belo cartão,
Iludindo a ilusão que me iludia.

Ah! Quantos cartões lindos já recebi,
Quantas vezes alguém disse que me ama,
Quantos já machucaram o meu pobre coração,
Preste muita atenção a cada imagem,
A ilusão conhece cada paisagem,
Que enganam a mim, mas não enganam a solidão.

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Perguntas.


Quando me fogem as respostas a tantas perguntas que faço a mim mesmo, e busco nos sábios conselhos do meu travesseiro tão mudo e tão quieto, ou nos ditos escritos há muito da filosofia que o homem criou. Por que se perdeu apenas um elo e com ele a verdade que tanto queria. Só teoria de vários começos, cheios de tropeços e de contradições, do barro ou explosões, em fim de onde surgi? Daqui para onde vou, se é que ainda vou a algum lugar, se sou ou não sou eis ai a questão. Se fui feito a imagem do meu criador, por que alguém me ensinou que minha espécie evolui, o que se conclui que ele também mudou? Quando será que o homem terá a resposta completa, será que isto importa, depois de Inês morta e a terra deserta?
São tantas perguntas que todas juntas encheriam o mundo, um fardo tão pesados que carregamos as costas, sem a verdade é impossível saber, o que é mais importante? Se o que move o mundo não são as respostas, mas sim as perguntas. Quem poderia dizer-me? Ninguém? Ai está mais uma pergunta, que também vai ficar sem resposta.

José Tavares     

J. Norinaldo.


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