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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

A MORTE



a morte:
vitalícia!
(a vida)

a vida:
- trocada em miúdos -
Carniça


 Régis Bonvicino

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Fio de esperança




(para haroldo de campos)

entre

figuras

de marketing

fulgura

ainda

a palavra

álacre

(Álacre = alegre, vivo, animado, esperto. Se desmembrada, "á/lacre", a palavra pode desdobrar-se e ser lida como "há lacre". Lacre há entre as figuras/produtos que fulguram no "marketing" - lacre: preparado resinoso usado para fechar ou selar, garantindo a inviolabilidade daquilo que o recebe. Percebam os sentidos alcançados por Régis Bonvicino, )



Régis Bonvicino

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Entre


Entre motores
e ruídos
(pio
dissonante

e seco
estilhaço)
o voo do pássaro
cria

uma nova hipótese
de espaço




 Do  Régis Bonvicino


sábado, 28 de outubro de 2017

O sol número 2

Para Mazisi Kunene

O Sol em si
não existe
uma casa na estrada campo
aberto
só a noite existe
apesar do azul
claro o sol
não existe
intervalo de
objetos
vasta noite
ondas
raios
sol luz perto
da morte
eco de formigas
existe e não
existe
luz parece sol
à vista

Régis Bonvicino
Paris, II- 95


sábado, 21 de outubro de 2017

O vidro índigo da relva

  
Qual é a real -
Esta garrafa de vidro índigo na relva,
Ou o banco com vaso de gerânios, o
colchão
manchado e o macacão lavado secando ao
sol?
Qual destes contém na verdade o mundo?

Nenhum dos dois, nem os dois juntos.
____________________________________

THE INDIGO GLASS IN THE GRASS (Wallace Stevens)

Which is real -
This bottle of indigo glass in the grass,
Or the bench with the pot of geraniums, the
[stained mattress and the washed overalls
[drying in the sun?
Which of these truly contains the world?


Neither one, nor the two together.



 Régis Bonvicino

O POETA




o poeta
um dedo duro
do real?

deve meter
o dedo em tudo?

primeira vítima
a verdade

o real
a realidade?

o poeta
um cara cheio de dedos?

um rival
do real?

deve tocar
o dedo na ferida?



 RÉGIS BONVICINO

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

6



mini litania
da lua cheia

cartão postal
do sideral

hotel de granito
do infinito

velho umbigo
do nihil antigo

go go girl
dos idílios do céu

última hóstia
de nossa história

porto aéreo
de novos mistérios

"lunes en détresse"
EUA ou URSS?

em prosa e verso

sucata do universo

 Régis Bonvicino

RETRATO FALADO

(Régis Bonvicino)

retrato falado

procura

do mais exato

que em mim


está calado

A MORTE

  
a morte:
vitalícia!
(a vida)

a vida:
- trocada em miúdos -

Carniça


Régis Bonvicino

domingo, 19 de outubro de 2014

É o relevo das luzes de uma torre
no dia seguinte
é o mendigo que, mão aberta, não pede esmola
é um MSF -menino sem futuro-
amarrado no obelisco
depois de roubar um mendigo
é um faquir com fobia de pregos
é a antena da mosca furando um pneu
de um Simca Chambord, vermelho,
num velho anúncio realista
é uma poltrona bubble chair sobre a faixa amarela
da estrada
é um cartaz vintage da atriz Hedy Lammarr em Êxtase
é um fantoche da Guerra Fria com um tumbleweed alojado na cabeça
é um soldado da ajuda humanitária
muçulmanas más sem nicabes
é um imigrante boliviano demolindo
a marretadas
as vigas de um edifício
é também um sociólogo de binóculo, num navio,
disfarçando a cegueira
é um relógio sobre uma lápide
um escravo
orelha roxa, passos lentos
foge da fazenda Bom Retiro
é o conflito econômico progressista
um foie gras de pato selvagem
é um colchão com lençol largado na calçada
é um menino negro que passa, apressado,
pela calçada da porta da igreja do Pari,
camiseta regata do Spurs,
de repente se lembra faz o sinal da cruz
é um enfestador fuzilado por um garoto
num ponto de ônibus à tarde
é um rolo de fio elétrico amarrado ao pé de um poste
um casal se pega, de dia, sob o luminoso Star India
desligado
é um camelo pronunciando palavras assassinas
é um cara algemado, disparando contra a própria cabeça
é um artista se entregando à polícia

Régis Bonvicino]