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quinta-feira, 17 de março de 2016


O certo é louco tomar eletrochoque
andar com os pés descalços
em noites de tempestade
eu quero o choque
- na carne -
que acorde
espasmos nos músculos
devolva ritmo
ao coração
improviso, improviso
até o lábio
simularia um riso
eu quero o choque.
***

Eduardo Lacerda


terça-feira, 12 de agosto de 2014

Festim


Jogou copos contra
Paredes
Mudou de letra, com
caligrafia e sessões
terapêuticas, dando-
se firmeza às mãos.
Rabiscou espelho
não sendo ele
sua própria
letra.
Lençóis amassados e
marcas de unhas
nas costas.
Cheiro de cigarros,
bebida, suor
e incenso.
- os poucos amigos,
dispersos,
juravam que vivia
em festa. -
"Outro dia de folia", Eduardo Lacerda, Editora Patuá, 2012.

sábado, 18 de janeiro de 2014


Autor: "meus poemas parecem letras do jota quest, são ótimos, sabe?"

Eu: "não consigo imaginar mesmo nada melhor. devem ser muito originais"

Autor: "isso! são muito originais, revolucionários. e você vai ganhar muito dinheiro se editar"

Eu: "não vejo a hora"


Parece fantasia, mas é só literatura brasileira.

Eduardo Lacerda

domingo, 26 de maio de 2013

O falso enforcado



Todo homem
é arcano
em seu jogo
e destino.

Digo,

Todo homem o enforcado. Todo homem seu demônio.
Todo homem seu impossível

significado.

O poeta, o poeta é sibilino.

Face à forca

ele força
seu pescoço
contra a corda.

acorda
o grito

vibra a
vida,

engasgada na garganta.

O poeta canta,
mesmo morto
a carta da morte.


Eduardo Lacerda