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domingo, 10 de fevereiro de 2013


serpentários no corpo
que saliva e sua
e devolve seus mucos
às paredes nuas
tingidas de sépia
extraída das sibas
das sílabas
dos silos de grãos
palavras
canção de silvos
na mata.

Rosa Ramos

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Ela traz moluscos nos cabelos
meias verdades
e as roupas rotas.
Seu nome é quando
e come restos
de poemas para salvar-se.

Rosane Ramos

Ela traz moluscos nos cabelos
meias verdades
e as roupas rotas.
Seu nome é quando
e come restos
de poemas para salvar-se.

Rosane Ramos

sábado, 19 de janeiro de 2013

Clip





Um pássaro pousa à janela.
O relógio (a vida!) corre como um louco.

Os meninos crescem.
O salário pouco.
A vizinha berra.
A cadela cria.
A vontade cede.
O espelho engana.
O feijão aumenta.
O corpo fantasia.
O lirismo escapa.
O amante falta.
O gás acaba.
A fé esfria.

Nenhuma voz ao telefone
que traga a poesia.

Rosane Ramos

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Das coisas mínimas
que se encontram perdidas
há tempos e tempos,
(bicos de chupeta
balões coloridos
esqueletos de pipas
meias solitárias
meus dentes de leite
farelos de folhas secas
e tantas outras,
as rodas de um carrinho
o vestido da boneca
chaves que já não abrem
ou fecham portas
amores idos
a lembrança do primeiro beijo
o dia que gravou-se
no meu corpo
e mais outras
que já não cabem
no poema),
teu sorriso desviado
de mim num sábado
às três da tarde
é o que me traz
saudades.


Rosane Ramos