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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

essa Africa nos meus olhos
e navegar é minha sina
em toda febre todo fogo
que incendeia o continente
nos teus olhos de menina
e eu sou um poeta
e nunca fui a china
mas vermelho é o meu sangue
desde que nasci

artur gomes



terça-feira, 17 de outubro de 2017

pode cortar como faca
ou ferir como espinho
que seja proibido
aos olhos d quem seja
eu quero tudo que sangra
nem que seja em angra
como energia nuclear
ou passaporte pro futuro
não quero porto seguro
quero morrer no mar

arturgomes

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

aqui
redes em pânico
pescam
esqueletos no mar
esquadras descobrimento
espinhas de peixe
convento
cabrálias
esperas relento
escamas secas no prato
e um cheiro podre no
ar


arturgomnes

terça-feira, 29 de agosto de 2017

pode cortar como faca
ou ferir como espinho
que seja proibido
aos olhos d quem seja
eu quero tudo que sangra
nem que seja em angra
como energia nuclear
ou passaporte pro futuro
não quero porto seguro
quero morrer no mar


arturgomes

quinta-feira, 30 de março de 2017

corpo/mar


para Juliana Inhasz

ela sempre me trouxe - algas -
e agora outras águas
que percebo em nossas bocas
nesta cidade de concreto
selvagem urbana
me transpira o corpo - ereto
e a pedra da transpiração viria
nem se fosse angelical e casta
e até morasse num deserto
será amor será paixão
por quê quando penso esta mulher
me dá um coice nos relâmpagos do coração?
será ela quem me dirá
ou algum deus em mim diria
pra mergulhar nestes teus poros
neste teu mar de calmaria
viver do amor a tempestade
pois sem paixão o que seria?
esse é o segredo
de todo mistério que o poema tem
no teu corpo/mar vou viajar em cios
e silêncios e desbravar selvas marinhas
onde a imaginação nos leva
em ondas e tocamos pernas coxas
línguas dedos os mistérios marítimos
se desvendam e no corpo/mar
não sobrará nenhum segredo

Artur Gomes

http://tvfulinaima.blogspot.com.br/2017/03/corpomar.html



EntreDentes 3


olhei a cara do tempo
ela estava fechada
não me dizia nada
pensei as sagaraNAgens
que o tempo fazia comigo
peguei do tempo o umbigo
cortei na ponta da faca
e a tua cara de vaca
sangrei sem nenhum remorso
porque isso o tempo não tem
agora o tempo sorri
me mostra os dentes da boca
e a tua cara de louca
é a minha cara também
arturgomes

www.goytacity.blogspot.com
meta metáfora no poema meta
como alcançá-la plena
no impulso onde universo pulsa
no poema onde estico plumo
onde o nervo da palavra cresce
onde a linha que separa a pele
é o tecido que o teu corpo veste
como alcançá-la pluma
nessa teia que aranha tece
entre um beijo outro no mamilo
onde aquilo que a pele em plumo
rompe a linha do sentido e cresce
onde o nervo da palavra sobe
o tecido do teu corpo desce
onde a teia que o alcançar descobre
no sentido que o poema é prece

artur gomes

no livro: SagaraNAgens Fulinaímicas

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Gargaú (preservar antes que acabe)


quem tem sangue na veia
nem guaiamum nem caranguejo
na saliva do desejo
em tua língua meu amor
e que a lama desse mangue
possa parir alguma flor
Artur Gomes


segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Jura secreta 18


te beijo vestida de nua
somente a lua te espelha
nesta lagoa vermelha
porto alegre caís do porto
barcos navios no teu corpo
os peixes brincam no teu cio
nus teus seios minhas mãos
e as rendas íntimas que vestias
sobre os teus pelos ficção
todos os laços dos tecidos
e aquela cor do teu vestido
a pura pele agora é roupa
e o sabor da tua língua
e o batom da tua boca
tudo antes só promessa
agora hóstia entre os meus dentes
e para espanto dos decentes
te levo ao ato consagrado
se te despir for só pecado
é só pecar que me interessa

artur gomes

sábado, 19 de novembro de 2016

jura secreta 89


a face oculta da maçã
duas partes que se abrem
pêssego
campos de girassóis
teus pelos alvoroçados
sob o sol de Amsterdã
enquanto isso em teus mamilos penso
o que ainda não comi desta maçã.

Artur Gomes

sábado, 1 de outubro de 2016

o impulso aqui não é pouco
o espírito grita dentro do corpo
deliro feito louco
de tanta sede e fome
como quem não vive em paz
como quem não come
há muitos séculos atrás

Artur Gomes

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

palavra

palavra
te amo e não é pouco
te beijo mesmo não sendo - embora
não seja distância geografia
baia da Guanabara
teus olhos em minhas mãos
numa cama iluminada
como o sol de Araraquara
onde estivemos pele a pele
corpo a corpo boca a boca
voraz a carne no desejo
beijo tua alma nua
como essa lua lá fora
reluz nas águas de mamãe Oxum
quando o dia for agora
não seremos dois - nós somos um
Artur Gomes
www.fulinaimicas.blogspot.com

sábado, 27 de agosto de 2016

jura secreta 4


a menina dos meus olhos
com os nervos à flor da pele
brinca de bem-me-quer
ela ainda pensa que é menina
mas já é quase uma mulher

por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e minha língua fosse
só furor dos Canibais
e essa lua mansa fosse faca
a afiar os versos que inda não fiz
e as brigas de amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto que a argamassa do abstrato
por enquanto vou te amar assim
admirando teu retrato pensando a minha idade
e o que trago da cidade embaixo as solas dos sapatos
o que trago
embaixo as solas dos sapatos é fato
bagana acesa
sobra do do cigarro é sarro
dentro do carro ainda ouço Jimmi Hendrix
quando quero
dancei bolero sampleAndo rock and roll
prá colher lírios
há que se por o pé na lama
a seda pura foto-síntese do papel
tem Flor de Lótus nos bordéis Copacabana
procuro um mix da guitarra de Santana
com os espinhos da Rosa de Noel

Artur Gomes

foto.poesia - FULINAÍMA MultiProjetos
portalfulinaima@gmail.com

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Vertigem 13


a chuva estende seus braços de prata
na manhã de cinzas
o outono é um furacão em chamas
no corpo da terra
preciso aprende a amortecer no peito
as sementes que explodem frutos
dois pássaros trepam no fio elétrico em frente
alice me disse que não são rolinhas
o quintal está farto de mamão papaia
e os cajás completam a refeição do dia
no bar do queijos uma cerveja aplaca a minha sede

Artur Gomes

sábado, 4 de junho de 2016

Vertigem 12


o barro do valão
que os meus pés pisaram
impregnou o sangue
transpirou os poros
o limo embaixo das unhas
lembra-me o lugar de onde vim
pre-destinado a ser poeta
não tracei a linha reta
já nasci um anjo torto
nada em mim se concreta
no meu sonho - desconforto
não gosto de automóvel
muito menos televisão
tudo em mim é impossível
até mesmo inexplicável
muito mais que inalcansável
cresci dentro do mato
conheci olho de cobra
pulo felino de gato
dentes afiados de cão

Artur Gomes Gumes

http://fulinaimicas.blogspot.com.br/…/com-os-dentes-cravado…


quinta-feira, 28 de abril de 2016

poema das invenções
fosse essa jura secreta
brazilírica fulinaimagem
mutações em pré-juizo
muito além da mesa posta
couro cru em carne viva
lambendo suor e cio
como corrente de rio
deságua no além mar
profana sagaraNAgem
nos gumes da carNAvalha
teu corpo em Maracangalha
fulinaimando comigo
agulha no meu umbigo
como uma faca nos dentes
a língua na flor da boca
em transitiva linguagem
ereto poema crescente
rasgando a carne no grito
o gozo nos nervos de dentro
roendo os ossos do mito
Artur Gomes
http://fulinaimicas.blogspot.com.br/…/poema-das-invencoes.h…

metáfora de fogo


no vai e vem das ondas
a espuma lambe a areia da praia
como um ferrão de arraia
varrendo conchas
a água do mar tempera de sal
tua ostra enquanto goza
com a língua em fogo
espada em riste penetrando as carnes
experimento o gosto
desse líquido das marés
entre as tuas coxas
Artur Gomes
http://fulinaimicas.blogspot.com.br/…/04/metafora-de-fogo.h…

www.fulinaimicas2.blogspot.com

sábado, 23 de abril de 2016

Aqui


redes em pânico
pescam esqueletos no mar
esquadras – descobrimento
espinhas de peixe - convento
cabrálias esperas relento
espinhas secas no prato
e um cheiro podre
no AR
caranguejos explodem
mangues em pólvora
ovo de colombo quebrado
arei branca – inferno livre
Rimbaud – África virgem
carne na cruz dos escombros
trapos balançam varais
telhados bóiam nas ondas
tijolos afundando náufragos
último suspiro da bomba
na boca incerta da barra
esgoto fétido do mundo
grafando lentes na marra
imagens daqui saqueadas
Jerusalem pagã visitada
Atafona Pontal Grussaí
as crianças são testemunhas:
Jesusa Cristo não passou por aqui
Milos Davis fisgou na agulha
Oscar no foco de palha
cobra de vidro sangue na fagulha
carne de peixe maracangalha
que mar eu bebo na telha
que a minha língua não tralha?
penúltima dose de pólvora
palmeira subindo a maralha
punhal trincheira na trilha
cortando o pano a navalha
fatal daqui Pernambuco
Atafona Pontal Grussaí
as crianças são testemunhas:
Mallarmè passou por aqui
bebo teu fato em fogo
punhal na ova do bar
palhoças ao sol – fevereiro
aluga-se teu brejo no mar
o preço nem deus nem sabre
sementes de bagre no porto
a porca no sujo quintal
plástico de lixo nos mangues
que mar eu bebo afinal?
Artur Gomes

http://fulinaimicas.blogspot.com.br/…/pontal-fotografia_9.h…

domingo, 10 de abril de 2016

são saruê


festa no sertão é bala
bola no buraco é búlica
cabral não descobriu a pólvora
por detrás da coisa pública
a chama do lampião na palha
fogueira sempre quero acesa
linguagem meu fuzil navalha
explosão como feijão na mesa

Artur Gomes


http://fulinaimicas.blogspot.com.br/2016/…/sao-sarue_44.html

domingo, 6 de março de 2016

Mar de Búzios


vaza sob meus pés um rio das ostras
e as minha mãos em conchas
passeiam o mangue dos teus seios
e provocam o fluxo do teu sangue
os caranguejos olham admirados
a volúpia dos teus cios
quando me entregas o que traz
por entre as praias
e permites desatar
todos os nós do teu umbigo
transbordando mar de búzios
- oceanos
atlântico pulsar entre dois corpos
que se descobrem peixes
e mergulham profundezas
qualquer que seja a hora
em que se beijam num pontal
em comunhão total com a natureza

arturgomes

https://www.facebook.com/309148895931842/videos/501442970035766/?pnref=story
FULINAIMAGEM - A Poesia Proibida de Artur Gomes