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segunda-feira, 18 de maio de 2020

A Palavra




A palavra consome,
some a palavra.
A palavra suscita,
excita a palavra.
A palavra insiste,
triste a palavra.
A palavra enaltece,
esclarece a palavra.
A palavra retorna,
entorna a palavra.
A palavra chama,
ilumina a palavra.
A palavra convida,
dá vida a palavra.
A palavra mede,
é sua a medida
da palavra!

A palavra repousa,
pousa a palavra.
A palavra desperta,
esperta a palavra.
A palavra cita,
fita a palavra.
A palavra aconchega,
beija a palavra.
A palavra cura,
pura a palavra.
A palavra deleita,
deita a palavra.
A palavra serve,
escreve a palavra.
A palavra apruma,
ruma a palavra.
A palavra é dada,
você com a palavra!

Paulo Henrique Frias

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Criança



Pedir pra criança não gritar
é o mesmo que pedir
pra cachorro não latir.

Pedir pra criança não correr
é o mesmo que pedir
para a borboleta não voar.



Paulo Henrique Frias   

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Tecno



Não vamos deixar
nossa mente tonta.
A questão é que
fazer o bem
não guarda relação alguma
com a tecnologia de ponta.

Paulo Henrique Frias   

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

tragicômico



o conto desponta com seu passo mágico
subtraído de uma caixa de risos fáceis
posto a correr sobre a linha imaginária
de uma folha que abusa de espaços esparsos

junta os cacos e suas migalhas
desliza entre letras outrora postas
rasga o sentido que lhe fora negado
e tortas palavras acotovelam-se

insiste a vontade de tons avermelhados
insere a temática involuntária
é engraçada dentro do irrisório
pra quem acha que a tragédia explode

já li na Rússia o conto do bode
Dostoiévski escrevendo do subsolo
mas este faz rir mesmo quem não se comove
um milhão e tanto pra ser construído um blog


Paulo Henrique Frias     18 de março de 2011

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Mudez



No seu grito
mora o silêncio
que engoliu minha voz

Paulo Henrique Frias    

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Foice



E como se uma foice
na minha mão
fosse a minha
última palavra
a pronunciar
diante
da sua inesperada
renúncia
de amor,
depois do tempo,
anos,
que perdi
com você.

Paulo Henrique Frias   

 11 de agosto de 2011

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Insônia



No barulho da noite
foge meu sono
para praias distantes.
Restam meus pensamentos
de paraísos
antes
das tentativas de dormir.
A insônia,
que promete demônios,
faz-me rir,
os apagam as figuras
do mar azul e de um céu
que abriga uma lua
em gomos
quando meus olhos
lentamente se fecham.
Nas internas pálpebras,
quebram-se vidros,
surgem giros caleidoscópicos,
duas telas interligadas,
vários tons de cores
em viagens ancoradas,
meus trópicos.
Na cama meu corpo é inerte,
tento sair dele, mas ele
me compromete.
Se abro os olhos olho pro teto,
ali, de mim tão perto,
um mihão de possibilidades.
Posso escrever, pintar,
desenhar.
Posso sofrer e morrer,
casar, amar, correr.
Posso me recriar
inventar, cantar,
sumir,
posso o filme que fizer,
passar.
E também de olhos fechados,
o que quiser.
Quero viver,
quero sentir.
E a insônia?
Quero não mais dormir!

Paulo Henrique Frias  

domingo, 30 de dezembro de 2018

Horizontalidade


Busco na janela
um sol que me acorde.
Ando deitado a não querer
abrir os meus olhos.
Deliro na penumbra
que surge da escuridão
como ilusão fantasmagórica.
Nos tentos de alguns raios
um pouco de glória,
mas é lento
o meu despertar
desta morte alegórica.
Neste dormitório
ando cansado,
deixo estar,
quero apenas a praia
e o mar...
e coca-cola.
Sono cheio de repertório.
Sonho tanto
que não se dá conta
a fronha do meu travesseiro
onde minha cabeça
atola.
Sensação meio hipnótica.
Distração da vontade
de querer se levantar
a robótica
minha metade.
Desejo
e bocejo
e nada mais vejo
a não ser camas
esteiras e redes.
Algumas palmeiras,
uns coqueiros
inclinadamente.
É minha preguiça
espreguiçada
horizontalmente!


 Paulo Henrique Frias  
                

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Amargor




Levou-me
as horas
bem-vindas


Paulo Henrique Frias

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Escrivão


Veias
de minhas
mãos...
alheias!


 Paulo Henrique Frias





sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Ladrão


Estou farto de ais,
de menos, de mais,
de gente que pouco faz,
que come demais,
que me inferniza e não
corre atrás.
Cansei do loquaz,
da figura que por ela,
tanto faz,
da outra que se desespera,
a mordaz.
Não me atrai
a falta de paz,
os exageros dos que se viram
de boca pra baixo
e adernados buscam um cais.
Estou farto dos presepeiros,
dos galhofeiros,
dos barulhentos,
esporrentos,
dos antes eles do que eu,
os “apareceus”.
Egoístas,
poluidores,
destruidores do respeito,
alheios
do que não são seus.
Corjas
nas brasílias,
nas ilhas dos
abutres de Prometeu.
Riam, cuspam,
metam as mãos,
sejam mais “sis”,
bad companies!
Ah...
ontem um mendigo
me pediu dinheiro.
Era um,
do século doze,
hoje vinte um.


Paulo Henrique Frias    

sábado, 9 de setembro de 2017

Porto


Era porto
e não sabia.
Queria mais
e não mais existia.
Era mar
e eu nadava.
Era amor
e eu nada.
Era ponto de partida
e de chegada
e eu não me amarrava.
Era porto
no inverno
e eu só buscando primavera.
Era o meu porto,
era,
e eu passei tão perto.
Porto,
perto,
parto!


Paulo Henrique Frias

domingo, 27 de agosto de 2017

Esperar




Esperei-a,
é uma verdade,
e até sentir
a primeira
pontada

da saudade...

Paulo Henrique Frias    

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Coragem

Paulo Henrique Frias



Trago comigo
a luz
da lâmpada lua.
Estou de passagem,
arrasto coragem,
singro os mares
no barco da esperança.
Em minha viagem
estrelas me guiam,
dialogo com anjos
sobre as ondas que
me equilibram.
Trago comigo
a fé
diante da beira
do abismo.