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sábado, 15 de outubro de 2016

ÊXTASE


Êxtase emocional de ser mulher!
Oh! Êxtase de ver a grandeza total do Universo,
de escutar o concerto esplêndido dos Astros;
de sentir o perfume intenso da Beleza;
de provar o agridoce e esquisito
sabor do Destino;
de apalpar, comovida, as formas do Infinito...
Ah! Êxtase triunfal dos meus cinco sentidos!
Maravilhoso êxtase dos vícios!
De beber emoções até a embriaguez;
de jogar, displicente, a própria Vida;
no voraz pano verde da Vida;
e de fumar ventura e dor e glória e fantasia...
Êxtase delicioso dos crimes!
Êxtase de matar o próprio coração
à força de querer dominar o seu ritmo;
de roubar sensações à Sensação...
de caluniar a própria sede de harmonia...
...êxtase divinal de ser artista!
Êxtase profundo
de ter vícios,
de ser criminosa,
só por ti, minha grande e imortal
ambição de Beleza!

ADA MACCAGGI (1906-1947)

FEITIÇARIA


Dentro da noite, que é um antro de bruxarias,
o teu sorriso audaz de feiticeiro
e o meu temor supersticioso.
Abro os braços num gesto de esconjuro,
mas tu, bruxo insolente,
não temes essa cruz, como o Demônio.
Trazes, pelo contrário, para ela,
para a extasiada cruz impaciente,
o sortilégio dos teus olhos cor de treva,
a magia negra das tuas mãos sacrílegas,
e o filtro misterioso do teu beijo...

um poema de Ada Maccaggi (1906-1947:)

(Ímpeto, Curitiba: Feira do Poeta, 1995)