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domingo, 25 de setembro de 2016

O polichinelo


O seu segredo era como o dos outros.
Seus olhos eram de vidro azul
e na boca vermelha
o riso da ironia.
O humor profundo, amargo e doloroso
vinha de sua boca;
o riso da sabedoria
e do desespero
gritava da sua boca aberta em sangue.
O riso do polichinelo
vinha do coração ausente, era uma advertência.
era apenas o riso
e falava de um mundo
maior que sua alma.
- Paulo Plínio Abreu, em "Poesia". 2ª ed., Belém: EDUFPA, 2008.

Editorial - Eduardo A. Rueda Barrera. http://ow.ly/jXJ3304wuII

sábado, 6 de setembro de 2014

Ode à minha alegria


De ti que poderei fazer se me dominas
como a viagem ao viajante
e os ventos do mar aos pássaros que voam?
De um território vens, profundo e largo,
em ti caminham vozes
que outras vozes acordam, em ti caminham dores
há muito apaziguadas.
Em ti passam corcéis de fogo
que sobre a pele deixam a marca do silêncio,
em ti flutuam sonhos.
De onde vens, para onde vais quando me tocas
com a ponta dos teus dedos?


- Paulo Plínio Abreu, em "Poesia". 2ª ed., Belém: EDUFPA, 2008.