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sábado, 11 de abril de 2015

OUTRO TIGRE



Tigre, diamante vertebrado,
nenhuma jaula poderá
reter, inflexível, a fria
fúria do teu olhar.
Nosso inútil terror de humanos
extrairá, do mundo em que vives,
a força líquida (flutíssona) de
músculos invisíveis.
Tigre, metáfora do tempo,
demônio cego da distância:
que ser, ferido de beleza,

te admira em segurança?



Eduardo Sterzi 

(Porto Alegre, 7 de junho de 1973) é um poeta, jornalista e crítico literário brasileiro.Formou-se em Jornalismo pela UFRGS, tendo trabalhado no jornal Zero Hora. Mestre em Teoria da literatura (PUCRS) com dissertação sobre Murilo Mendes e doutorado em Teoria e História Literária na Unicamp, com tese sobre o livro Vita Nova, de Dante Alighieri. Atualmente reside em São Paulo, com a escritora e crítica de arte Veronica Stigger. Tem um bom conhecimento da língua Italiana. Esteve Roma durante o ano de 2009 para realizar estudos e pesquisas sobre critica literária.É um dos editores da revista de poesias Cacto e de K Jornal de Crítica. Entre suas publicações, os livros de poesia Prosa (2001) e O aleijão (2009) e os artigos Drummond e a poética da interrupção, no volume Drummond revisitado, organizado por Reynaldo Damazio (Universidade São Marcos), e O mito dissoluto, no número do 3 da Rivista di Studi Portoghesi e Brasiliani. Organizou o volume Do céu do futuro: cinco ensaios sobre Augusto de Campos.

OSA DE UM DOMINGO


A máquina do corpo, resumida nos sentidos,
dissolve a tempestade num cheiro de chuva:
recorda-me, qual súbita visagem
(sutilmente engastada
no tempo presente),
a dor de ser
sem ter
sido.
Nada
(nem cheiro
nem tempestade),
mesmo que reviva,
num segundo abençoado,
a sensação de uma outra vida (frágil
como a própria infância, dor secreta do poema),

pode, fugaz, dar-me a garantia de ter vivido.

Eduardo Sterzi

DESAPARIÇÃO


Sereno, à flor do tempo,
recomponho o desejo
de estar vivo. Vejo
entrar pela janela
o mesmo sol de sempre;
finjo que não conheço
seu calor, sua máscara
amarela, hepática.
Sei mais da natureza
das nuvens, e do vácuo
entre as estrelas, negra
matéria; no entanto,
quando me entrego ao sol,
integro-me ao ser sol:
narciso mais que cego,

narciso cegaluz.

Eduardo Sterzi

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

País

"…..Isso
que é tábua
de solidão
a que nos
agarramos
quando falta o
chão e,
………..náufragos,
sonhamos com terra
- isso é quase um país.
Mas esse país
não existe. Esse país
não presta."



Trecho de "País", do Eduardo Sterzi